segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Caminhadas na Região dos Três Picos

A região dos Três Picos e Vale dos Frades, considerada a “Meca” da escalada de grandes vias, também reserva aos excursionistas algumas belas caminhadas. Existem as já bastante freqüentadas Caixa de Fósforos, Cabeça de Dragão, Pico Menor e Médio, além da longa Travessia dos Frades. Algumas de menor freqüência já tem trilhas consolidadas, como o Ronca Pedra, Torres de Bonsucesso, Dois Bicos e Seio da Mulher de Pedra. Outros cumes como a Branca de Neve, Morro dos Cabritos, Pedra D’Antas, Pico Maior do Vale dos Frades, Torres de Vieira, Rosto da Mulher de Pedra, além de muitos outros, ainda conservam o caráter puramente aventureiro de suas ascensões.

Estive lá recentemente guiando pelo Centro Excursionista Petropolitano duas belas caminhadas em dois dias consecutivos. Na primeira, parti com o Marcelo Garcia para a subida do Pico Menor e Médio. Pra variar, madrugamos em Petrópolis e pegamos a estrada. Com o dia clareando iniciamos a caminhada na altura da sede do parque. Subimos a estradinha, entramos na trilha, logo vencemos a parte fácil e começamos a subir forte.

O que impressiona nos Três Picos são as altitudes. Quando começamos a alcançar a base do Pico Menor já estávamos numa altitude superior à do cume da Maria Comprida, imponente torre de granito localizada em Araras, Petrópolis. À nossa frente um lindo paredão de granito muito claro, e a mística Chaminé Pellegrini, conquista super ousada que conta até hoje com raras repetições.

A trilha encosta na parede e começa a contornar pela esquerda, alcançando a úmida face sul da montanha. O trecho final é perigoso e frágil, com platozinhos de terra preta prontos para ceder sob nossos pés. Com pouco mais de duas horas e meia chegamos no lindo cume rochoso do Pico Menor.

Depois de um rápido descanso partimos para a investida ao Pico Médio. Fixamos uma corda de uns 35 metros e descemos até o colo entre os dois picos. Daí para frente é uma curta e íngreme subida até o primeiro cume do Pico Médio e uma fácil caminhada para o cume principal, que fica mais a oeste, de frente para o Vale dos Frades. Tiramos muitas fotos e o destaque ficou por conta da fantástica vista da Caixa de Fósforos, num daqueles ângulos onde parece impossível a pedra ficar equilibrada.

Depois de curtir bastante o visual de um dia perfeito, iniciamos o retorno, recolhendo nossa corda e descendo com muito cuidado a comprometida face sul do Pico Menor.

No dia seguinte madruguei de novo e encontrei uma galera do CEP pronta para mais uma ralação: Gisele, Murilo, Lucas Bürger e Soraia. Pegamos a estrada e entramos agora na localidade de Vargem Grande. Seguimos por uma estradinha de terra em bom estado e finalmente paramos na fazendinha que dá acesso ao imponente Seio da Mulher de Pedra.

A vista da montanha já intimidava. Tudo parecia muito íngreme e sabíamos que a trilha era confusa e fechada em alguns trechos. Subimos usando um croquís e logo chegamos numa encosta cheia de samambaias, que não resistiram aos nossos facões. Ao final desta primeira subida uma parede de granito parecia impedir nosso avanço. Depois de procurar bastante encontramos uma frágil passagem á esquerda, contornando o primeiro morrote.

Vencemos um trecho íngreme com a trilha pouco definida. Ao chegar no primeiro morrote uma confusão de trilhas de vaca nos levaram ao colo que dava acesso ao platô que forma a base da montanha. Neste colo fizemos uma rápida parada para recuperar as energias e seguimos em frente, pela primeira vez pegando uma trilha bem definida e na sombra.

Mas logo a trilha ficou bem íngreme, com trechos de trepa mato que começam a ceder. Quando chegamos no primeiro cume da parta alta da crista o grupo estava bem cansado. A crista final do cume estava agora totalmente visível, e talvez tenha sido isso que animou a turma para continuar.

Seguimos em frente, descendo um pouquinho e encarando logo uma nova forte subida, com alguns trechos bem íngremes. Logo chegamos na base da crista final, e a Gisele e o Bürger decidiram ficar por ali, num espaçoso platô. Eu, Murilo e Soraia encaramos a subida final, que apesar de longa é menos complicada que os trechos mais abaixo. Chegamos no cume e o tempo que ameaçava fechar resolveu abrir de vez revelando as belas paisagens do Vale dos Frades e Três Picos à leste e Serra dos Órgãos à oeste.

Iniciamos a descida e reencontramos a Gisele e o Bürger. Partimos todos juntos morro abaixo e a cena divertida do dia foi o Bürger, que ao descer um trecho escorregando (contra as recomendações do guia) fez um rasgo gigante na calça. Voltou para casa com uma camisa amarrada na cintura e teve que aturar muita gozação.

2 comentários:

  1. linda matéria, waldyr!
    quero poder explorar tudo que estiver ao meu alcance lá.
    e olha, antes de vc comentar em fazer um livro pra este parque, eu já havia pensado antes, hein?
    fica aí o meu desejo de adquirir mais um livro seu e deste maravilhoso lugar.
    vou te cobrar isso novamente, tá?

    beijos,
    luciana.

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  2. Muito lindo o relato, Waldyr!
    Já fui lá no Pico Menor.Na minha lista está o Médio, e como um sonho está a Leste do Pico Maior! Espero que em 2010 eu consiga...

    Abraços,

    Ester Capela

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