sábado, 17 de janeiro de 2015

Fotografia de Montanha, Parte 2 - Regulagens Típicas


Artigo publicado originalmente na Revista Blog de Escalada em 4 de fevereiro de 2014.

Nesse nosso segundo artigo vamos tratar das regulagens típicas da fotografia de montanha. O objetivo aqui é conseguir a nitidez, foco e fotometria corretos. Aqui os outros artigos da série:

Fotografia de Montanha, Parte 1 - Equipamentos

Fotografia de Montanha, Parte 3 - Planejamento




Amanhecer no Alto da Ventania – f/11; 2,5s; ISO160

Em geral, quando se fotografa as paisagens em montanha, o que se quer é uma foto com grande resolução, além de foco em toda a cena, ou seja, foco desde o primeiro plano até o infinito. É lógico que existem outros tipos de abordagem em fotos de montanha, mas na grande maioria das fotos o que se quer é essa nitidez extrema na cena toda.

ISO


A questão do ISO é bem simples: Nessas fotos vamos usar o ISO que nos dará mais nitidez, ou seja, o ISO mais baixo da câmera. Fotos de paisagem costumam ser muito ricas em detalhes e o uso de ISOs altos pode comprometer seriamente a nitidez. A exceção seria quando se quer congelar algum movimento (um cavalo correndo, o voo de uma ave, etc.) e nesses casos pode ser necessário subir um pouco o ISO, mas com uma consequente perda de qualidade da imagem.


Nota: Entrando um pouco mais a fundo nessa questão, o ISO de maior qualidade da imagem não é necessariamente o mais baixo, mas sim o ISO nativo da câmera. Na minha Canon EOS 7D, o ISO nativo é 160. Mas nem sempre conseguimos ter certeza sobre essa informação. Na dúvida siga sem medo a regra do ISO mais baixo.


Vale dos Frades – f/11; 1/60s; ISO100

Abertura


O foco em toda a cena se consegue com pequenas aberturas. É comum o uso de f/8, f/11 ou até f/16. A partir daí a imagem começa a degradar devido a um fenômeno chamado difração da luz, e é por isso que se deve evitar f/22 ou aberturas até menores. Nas típicas “lentes do kit”, as 18-55mm que vem na maioria das câmeras, f/11 é uma ótima pedida.

Para as finanças do fotógrafo de montanha isso é também uma boa notícia, pois em geral não é necessário investir nas caras lentes luminosas (lentes com grandes aberturas).


Velocidade


Aqui entra a verdadeira variável na fotografia de montanha. Com a câmera travada em ISO100 e f/11, o que vai definir a fotometria é velocidade. E como estamos trabalhando com ISO baixo (baixa sensibilidade) e pequenas aberturas (pouca entrada de luz), vamos precisar de mais tempo para a captura da luz que vai dar a exposição correta.

Exposições longas = necessidade de tripé

Se você leu o primeiro artigo e ainda não se convenceu da necessidade de um bom tripé, espero que essa explicação te convença. Tripé é fundamental em fotografia de paisagem, devido aos longos tempos de exposição necessários para compensar o ISO baixo e a pequena abertura. 


Entardecer em Guapiaçu – f/16; 1/20s; ISO160

Fotometria e Histograma


Hoje em dia é fácil acertar “mais ou menos” a fotometria. A maioria das câmeras tem o recurso de live view e você pode (tendo travado ISO 100 e f/11) ajustar a velocidade até ver o resultado que você quer no LCD. Mas é extremamente importante verificar o histograma, que é aquele gráfico que apresenta a distribuição dos pixels nas zonas de baixas, médias e altas luzes. 


Histograma
A questão crítica aqui é evitar os estouros, ou seja, evitar que o histograma fique “empilhado” na extremidade direita. Estouro é quando você tem uma área na foto totalmente branca, sem detalhes. Em fotografia digital estouro não tem conserto.


Histograma indicando estouro


Nessa foto dos Três Picos o estouro na captura deixou as nuvens sem detalhes ou textura.


Já nessa foto do Morro dos Cabritos a exposição correta preservou os detalhes e textura das nuvens.

Então não se esqueça! O histograma é a ferramenta mais importante para fotometria em fotografia digital. Aprenda a usá-lo.

Hiperfoco


O foco em toda a cena tem um nome: Hiperfoco. Para conseguir o hiperfoco é preciso focar na distância hiperfocal, que nas pequenas aberturas é algum lugar bem próximo, literalmente o primeiro plano da foto. 


Nesta foto do Rio Tök e Monte Kukenan o foco foi feito nas pedras do primeiro plano – f/8; 2s; ISO100

Aqui um link com a explicação completa da distância hiperfocal e um aplicativo que gera uma tabela específica para cada tipo de câmera: http://www.cambridgeincolour.com/tutorials/hyperfocal-distance.htm

Existem também aplicativos que calculam a distância hiperfocal para smartphones. Mas não se assuste. Focar no plano mais próximo costuma dar certo.


Morro dos Cabritos e Pedra D’Antas, foco feito na pilha de madeira – f/11; 1/20s; ISO160

Na Prática


Hora de botar tudo em prática... Bote a câmera no tripé e enquadre a cena. Faça foco em algum elemento do primeiro plano. Estando no modo M, com ISO100 e f/11, ajuste a velocidade até a fotometria desejada. Confira no histograma se não tem estouro. Por fim faça o disparo usando um cabo disparador ou o timer da câmera.

Uma última dica: Com a câmera no tripé, desabilite o estabilizador de imagem (IS na Canon, VR na Nikon). Estabilizador de imagem se usa quando a câmera está na mão.

Confira a foto no LCD da câmera - verifique enquadramento, foco e histograma. 


É uma receitinha básica, mas bem útil pra como ponto de partida. Com o tempo é importante ir mais a fundo nas questões de fotometria, fotografando no formato RAW e usando o conceito de ETTR – Exposing to the Right. Assunto para futuros artigos.

Leia o próximo artigo da série: Fotografia de Montanha, Parte 3 - Planejamento

Confira a programação do Workshop de Fotografia de Montanha

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