sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Como fazer uma foto de paisagem com Lua cheia

 
Lua cheia se pondo sobre os Portais de Hércules, Serra dos Órgãos
(clique na foto para ampliar)

A Super Lua de novembro está chegando. É hora de estudar os horários e locações para tentar um bom registro desse evento. Tudo ainda depende de São Pedro... mas de nossa parte o importante é estar preparado.

Nesse artigo eu explico como fazer esse tipo de foto. Não necessariamente fotos isoladas da Lua, que são comuns e bem fáceis de fazer. A questão aqui é inserir uma bela lua cheia numa foto de paisagem.

Em tempo, o aplicativo do blog compromete bastante a qualidade das fotos. Você pode clicar para ampliar (melhora um pouco) ou visitar meu álbum de fotos no Flickr.

Se animou? Continue lendo...

A primeira questão importante é entender que uma foto da Lua é tipicamente uma foto diurna. Apesar de ser noite na Terra, você está fotografando o dia da Lua, certo? Uma Lua cheia é extremamente luminosa e é até possível fazer fotos na mão, sem tripé. Na prática é bom usar o tripé para garantir uma foto bem nítida. Tome cuidado para fazer uma boa exposição e não perder os detalhes.



Já inserir a Lua numa foto de paisagem é um pouco mais complicado. Vamos por partes...

A primeira questão é entender o que é a Lua cheia. Basicamente é uma questão de ponto de vista. A Lua está cheia quando você está de frente para ela e de costas para o Sol, ou seja, quando a Lua está sendo iluminada frontalmente, a partir do seu ponto de vista. Colocando de outra forma, é quando Sol e Lua estão em lados exatamente opostos no céu. 

Entender isso é fundamental para as nossas fotos, pois exatamente na Lua cheia os horários de nascer do Sol e pôr da Lua, e também pôr do Sol e nascer da Lua, quase coincidem. 

Vejamos os horários da Super Lua do dia 14 de novembro de 2016 (tendo como referência Petrópolis - RJ e utilizando o aplicativo The Photographers Ephemeris)

Manhã:
Nascer do Sol: 6:01
Pôr da Lua: 6:05

Tarde:
Pôr do Sol: 19:12
Nascer da Lua: 19:26

Reparou as coincidências? 

A segunda questão a considerar é o range dinâmico, que é o tamanho do contraste de uma cena. Entenda-se por contraste a diferença de luminosidade das partes mais claras e mais escuras. Nossos olhos, por conta do processo de dilatação e contração da pupila, têm uma tremenda capacidade de enxergar detalhes numa cena com muito contraste. Quando vemos uma Lua cheia alta no céu conseguimos também distinguir nuvens, estrelas, a silhueta das montanhas, etc. Já os sensores das nossas câmeras lidam com um contraste bem menor, por volta da metade do que lida o olho humano. 

Conclusão: Com a Lua cheia alta no céu, se a gente acertar a fotometria da Lua, o resto da cena fica preto; e se a gente acertar a fotometria do resto, a Lua fica estourada. 

Como resolver?

É simples - basta aproveitar aquele momento mágico do nascer e pôr da Lua cheia. Lembra que isso acontece em horários muito próximos do pôr e nascer do Sol respectivamente? É aí que está o segredo. Com a luz do sol na cena o fundo se ilumina, e num curto espaço de tempo temos a luminosidade de Lua e da paisagem equilibradas.

Pôr da Lua ao lado do Pico do Congonhas
(clique na foto para ampliar)

Como fazer (passo a passo):

  1. Estude os horários e defina onde fazer a foto. O aplicativo The Photographers Ephemeris ajuda muito.
  2. Chegue cedo, escolha o enquadramento e monte a câmera no tripé. 
  3. Se for de manhã, vai estar bem escuro e a Lua vai estar um pouco acima da linha do horizonte. Se a foto não tem primeiro plano o foco pode ser na Lua. Se tiver primeiro plano é importante utilizar o conceito do hiper foco. Faça algumas fotos e se certifique de que a fotometria da Lua está correta, ou seja, bem clara mas sem estouros. A chave aqui é não perder os detalhes da Lua.
  4. Algumas pessoas gostam muito de saber os dados da foto. Com o tempo isso deixa de ser importante, mas acho que é legal deixar aqui como um ponto de partida: Use a câmera no modo "M" com ISO 100 e abertura f/8. O tempo para fotometrar a Lua cheia pode ficar em torno de 1/40s, talvez um pouco mais ou um pouco menos. O importante é manter fixos o ISO e a abertura e ir variando o tempo para encontrar a fotometria correta.
  5. O dia vai clareando e você segue fazendo fotos com a Lua bem exposta, sem estouro. Como o passar do tempo o fundo começa aparecer. Mais uns minutinhos e a luz fica bem equilibrada. Continue SEMPRE fazendo a fotometria pela lua. A paisagem se revela sozinha. 
  6. Depois de mais um tempinho a claridade do dia fica muito intensa e a Lua perde o encanto, ou seja, fica bem apagadinha. A janela de tempo que a gente tem para fazer essas fotos é pequena. Se bobear perde.
  7. Se for de tarde o processo é bem parecido. A paisagem vai do claro para o escuro, mas o processo é o mesmo, ou seja, acerta a fotometria da Lua e espera a luz equilibrar. 
De manhã, Lua cheia ainda alta e pouca luz na paisagem

Dia começa a clarear e a luz começa a equilibrar. Quase lá...

Luiz mais equilibrada e Lua já perto da linha do horizonte. Esse é o instante mágico da foto

Repare nas três fotos acima que a luminosidade da Lua é sempre a mesma, e o que muda é a luz da paisagem. 

É isso aí pessoal! Torço para que São Pedro nos ajude e que todos consigam suas fotos da Super Lua. O método explicado acima funciona e eu mesmo já fiz várias fotos com ele.

Boa sorte à todos! 

Nascer da Lua cheia visto do Alto da Ventania, Petrópolis
(clique na foto para ampliar)


Gostou do artigo? Quer ir mais à fundo nessas técnicas? Conheça o Workshop de Fotografia de Montanha.




22 comentários:

  1. artigo maravilhoso.... espero a colaboração de São Pedro para a noite de super lua.... obrigado por compartilhar tanto conhecimento e espero nos encontrar um dia desses num workshop pelas montanhas. forte abs.

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    1. Pois é... torcendo pra São Pedro ajudar. Obrigado por comentar!

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    2. O PPPPPPPPPIIIIIIIIIIIIIII (censurado) sabotou. rsrsrs

      Está chovendo paca no Rio de Janeiro.

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  2. Qual lente no minimo seria nescessario para captar uma boa imagem ?

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    1. Ola Camila, uma 200mm é uma boa pedida, pois te permite enquadrar a paisagem e ainda ter a lua num tamanho legal.

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    2. Depende de quanto da paisagem quer enquadrar.

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  3. Parabéns belo artigo, minha 70-300mm já está esperando a super lua... Vamos que vamos depois postamos o resultado aqui.

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  4. Quando S.Pedro dá uma de assistente, as chances aumentam.

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  5. Desculpe a franqueza Prezado Waldyr Neto!! Em minha consciência (aquela que me conduz) e experiência pessoal preciso comentar: achei algumas das fotos super-saturadas, outras sem nitidez!! Infelizmente

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    1. Ps: meu nome a Paulo Campos

      Att.

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    2. Oi Paulo, obrigado por comentar. Aqui no blog a foto perde muito em qualidade. Clicando e abrindo a foto melhora um pouco, mas não não fica bom como no Flickr.

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  6. Eu como muitos esperando a Super Lua....Há meses...
    E aqui Só chuvas, já são 3 dias desde sexta a noite que chive direto....E previsão para amanha ?
    CHUVAS !!!! PQP !!!!

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    1. Esse ano perdi várias luas por conta do mau tempo. Com essa não deve ser diferente.

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  7. São Pedro foi muito malvado com os Cariocas. :^(

    Em eletrônica seu usa o termo Faixa Dinâmica, que é a tradução de "Dynamic Range" . Você usou a palavra em inglês "range" e misturou com a palavra em português "dinâmico". Ou seja, existe uma tradução boa em uso na Língua Portuguesa.

    Uma correção quanto ao "por volta da metade do que lida o olho humano". Na realidade o olho humano tem alguma coisa na ordem de 17 EVs, ou mais, de faixa dinâmica, e as melhores câmaras estão perto dos 14.5 EVs, e como EV é uma escala logarítmica, cada EV é uma potência de 2 de diferença, a diferença é na ordem de 1000 vezes.

    E o método descrito é genialmente simples. Adorei. É meio "A Hora Mágica da Lua.". Mas é aquilo de muito planejamento, e um curto intervalo de tempo para aproveitar.

    Poderia ter colocado um link para algum artigo sobre distância hiperfocal na palavra hiperfocal. Seria legal.

    Dias atrás eu fiz um HDR com a Lua e as nuvens. Ele pode ser visto aqui:

    http://jgoffredo.blogspot.com.br/2016/11/hdr-da-lua-com-nuvens-e-quebrando-regras.html

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    1. Obrigado por comentar Alfredo. Conforme os dados que tenho o olho humano, dilatando e contraindo a pupila, chega a lidar com 24 pontos. E com a pupila numa dada "abertura" teria 14. Mas enfim, depende da fonte pesquisada.

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  8. Parabéns pela matéria Waldyr, tenho estudado e praticado um pouco em fotos noturnas e algumas vezes na lua, enfrento um pouco de dificuldade de focar ambas (paisagem/Lua), tenho usado uma 55/300, infelizmente com esse tempo, parece que hoje não terei essa oportunidade... mas vamos em frente. Mais uma vez parabéns, abs

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    1. Obrigado Mateus, por aqui o tempo também fechou.

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  9. Muito legal! Obrigado! Agora é praticar! Parabéns!

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