sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Fotografia street - Como tratei esta foto

Por Waldyr Neto - 

 O Gaiteiro, foto de Waldyr Neto

Nesse novo artigo eu mostro, passo a passo, como tratei a minha foto do gaiteiro no Adobe Lightroom. Ao final vamos entender que não é possível resolver 100% do tratamento com pressets ou filtros. Algumas variáveis como nitidez, tonalização dividida e simulação de grão podem seguir receitinhas. Já o tone mapping e os tratamentos localizados tem que ser pensados foto a foto.

Se interessou? Leia até o fim e receba de presente alguns dos meus ajustes típicos para fotos street.

Eu clicado pelo Plínio Marcos Leal no Petrópolis Fotowalk de maio de 2018

Tudo começa na captura...

Se por um lado a fotografia de paisagem pede todo um rigor técnico na captura, a fotografia de rua é bem mais automática. O importante aqui é o timming, captar aquele momento único, o "instante decisivo" imortalizado pelo mestre Henri Cartier-Bresson. A câmera tem que estar à mão, pronta para o clique. A coragem de se aproximar e clicar acaba sendo a variável mais crítica. Capturar o olhar do fotografado cria uma conexão com o fotógrafo e posteriormente com o apreciador da foto.

Mas quando conseguimos isso estamos apenas na metade do caminho... a foto só está pronta ao final do tratamento.

A foto do gaiteiro foi feita com uma Fujifilm X100S, uma câmera mirrorless com jeitão de câmera de filme. Foi uma foto consentida, ou seja, eu fiz contato visual, apontei para a câmera e o gaiteiro olhou para mim. Me aproximei, cliquei e depois conversei um pouco com ele.

Como sempre capturo as imagens no formato RAW, a foto original era colorida.

Captura original em RAW, aberta no Adobe Lightroom


1. Conversão para PB

A foto convertida para PB

Converter uma foto para PB no Lightroom é super simples - basta clicar na opção "preto e branco" logo acima no painel básico. Na aba de cores PB você pode clarear ou escurecer cada tom original, ou aceitar a "sugestão" do Lightroom, que na maioria dos casos funciona bem.


2. Tone Mapping

Foto após o tone mapping - clique para ampliar e ver os ajustes no painel básico

O tone mapping é a etapa fundamental do tratamento. É onde revelamos os detalhes em todas as faixas tonais da foto e "esticamos" a foto até ela ter pretos e brancos. O tone mapping é o grande vilão dos pressets e filtros. Mesmo quando eu mesmo crio um presset a partir do tratamento de uma foto, esse presset não funciona necessariamente com outras fotos.

Resumindo: Aqui não tem jeito. Tem que estudar e aprender a fazer.

Nota: Tone Mapping não é o nome de uma aba ou painel do Lightroom. Tone Mapping é o nome de um processo do tratamento que pode ser feito no Painel Básico ou na Curva de Tons. Via de regra eu prefiro usar o Painel Básico.


3. Tonalização Dividida

Foto com uma leve tonalidade sépia nas sombras

A tonalização dividida existe para acrescentar alguma tonalidade à foto. Essa tonalidade pode ser diferente nas altas e nas sombras, daí o tempo "dividida". Depois de muitos testes eu cheguei num ajuste que eu gosto, e vou compartilhar aqui com vocês:

Realces:
Matiz: 0
Saturação 0

Equilíbrio: - 60  (atenção ao sinal negativo)

Sombras:
Matiz: 52
Saturação: 5

Basicamente o que eu faço é colorir um pouco as sombras com a tonalidade 52 (sépia) e deixar essa tonalidade invadir um pouco os realces. Em outras palavras, nas minhas fotos PB o branco é branco, e o preto é um pouquinho puxado para marrom.

Se gostar use a vontade!


4. Nitidez

Foto com a nitidez aplicada

Aqui eu tenho mais um setup padrão. Quando uso a Fujifilm X100S meu ajuste de nitidez é esse aqui:

Intensidade: 45
Raio: 1,0
Detalhe: 100
Máscara: 10

Se a foto permite eu não aplico redução de ruído. Isso é caso a caso. Nessa a redução de ruído ficou zerada mesmo.


5. Tratamentos localizados

Tratamento localizado nos olhos e na parte mais sombreada do rosto

Quando o assunto é tratamento localizado não tem receita. Tem que avaliar a foto criticamente e identificar o que pode ser melhorado, que partes devem receber mais ou menos atenção do olhar, etc. É pessoal mesmo. Aqui entramos na etapa mais subjetiva do tratamento.

Os tratamentos localizados das fotos digitais seriam os equivalentes modernos dos processos de dodge e burn da fotografia analógica, onde se clareava (dodge) ou escurecia (burn) seletivamente partes da foto, de acordo do a interpretação do fotógrafo.

Na foto do gaiteiro eu usei o pincel de ajuste para clarear um pouco a região dos olhos e a parte do rosto que estava escurecida. Com isso o olhar do gaiteiro, que estava apagado, se transforma num verdadeiro "imã do olhar". Este pequeno detalhe faz uma diferença absurda na foto. Diria até que ele redefine a concepção da foto.


6. Vinheta

Foto com vinheta aplicada

A aplicação de vinheta, ou seja, um escurecimento dos cantos da foto, pode ser também considerado um tratamento na linha de dodge e burn. A ideia aqui é escurecer os cantos criando um limitador do olhar que ajuda a concentrar a atenção no meio da foto. Nesse item não tem receita. Às vezes uso uma vinheta mais marcada, às vezes mais discreta.


7. Simulação de grão de filme

Foto com aplicação de grão

O Lightroom permite aplicar uma simulação de granulação de filme nas fotos. Em fotos street eu gosto bastante de usar. Em paisagem bem menos. Abaixo o ajuste que eu usei na foto do gaiteiro:

Intensidade: 30
Tamanho: 20
Aspereza: 100

Esse é um ajuste bem pesado, como se fosse o resultado de um "filme puxado", que é um processo de captura em filme com um tempo menor do que o necessário, tendo como contrapartida um tempo maior de revelação. Na maioria das vezes eu gosto. Às vezes eu suavizo um pouco, mas mantendo a proporção acima. Enfim, aqui mais um setup que você ganha de presente. Se gostar use à vontade.


Ao final temos a foto do gaiteiro finalizada:

O gaiteiro, foto de Waldyr Neto

Se você chegou até aqui, parabéns! Como já disse em outros artigos, fotografia envolve esforço e estudo.

É lógico que você pode fotografar em JPEG já em PB. Em especial as câmeras da Fuji tem JPEGs que simulam os antigos filmes que são muito bonitos. Mas você pode chegar num resultado melhor e mais personalizado aprendendo a tratar o RAW.

Abaixo eu deixo mais algumas fotos tratadas pelo mesmo processo, com variações no tone mapping e nos tratamentos localizados.






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