quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Panorâmica de HDRs - Como fotografei o interior da Catedral de Petrópolis

Por Waldyr Neto - 


Nesse novo artigo eu falo um pouco sobre as técnicas HDR e panorâmica, e mostro como usá-las em conjunto, artifício que foi necessário para registrar o interior da Catedral São Pedro de Alcântara, em Petrópolis.

HDR que dizer high dynamic range, ou seja alto (ou grande) alcance dinâmico. O dynamic range, ou alcance dinâmico, seria a medida da diferença de luminosidade das partes mais clara e mais escura da foto. Sem entrar em maiores questões técnicas, o problema aqui é que os sensores das nossas câmeras, mesmo as mais caras, conseguem lidar com diferenças muito menores de luminosidade do que o olho humano consegue. O resultado é que nessas cenas muito contrastadas nós não conseguimos registrar o que vemos.

A técnica HDR surgiu faz alguns anos para resolver esse problema. Basicamente você faz um conjunto de fotos com medições de luz diferentes e depois mixa essas fotos num software de edição. Infelizmente a técnica acabou sendo usada para se fazer fotos extremamente artificiais, e com isso o termo HDR acabou virando sinônimo de foto bizarra. Mas se a gente resgatar o sentido original do HDR é possível fazer boas fotos em condições de luz bem difíceis.

Vamos reforçar o entendimento com um exemplo.

Em Petrópolis existe uma bela capela que faz parte do conjunto arquitetônico do Mosteiro da Virgem. É um lugar lindo e relativamente pouco conhecido. A dificuldade de fotografar a capela é a forte luminosidade das janelas ao fundo, por trás do altar. Nossos olhos conseguem ver detalhes em tudo, mas os sensores da nossa câmera não conseguem.

Vamos à execução do HDR então.

Para fazer as fotos eu montei a câmera num tripé e fiz uma leitura de luz inicial. O ponto de partida é uma foto onde se preserve os detalhes na altas luzes, mesmo que as sombras fiquem totalmente fechadas.

Foto 1 do HDR - detalhes preservados nas janelas

Depois subi 2 pontos na exposição e fiz a segunda foto.

Foto 2 do HDR

E Subi mais 2 pontos para fazer a terceira.

Foto 3 do HDR

Nas três fotos eu usei o mesmo ISO e a mesma abertura, e fui mudando a exposição variando o tempo. Na prática eu faço isso de maneira automática, usando a função "auto-bracketing" da câmera. Se aprender a usar desta forma facilita. Mas dá para fazer manualmente também.

Pra quem curte ver os dados das fotos eu usei uma Canon 5D mark II com a lente Canon 17-40mm f/4 L. Nas três fotos mantive ISO 160, f/11 e 17mm. E os tempos foram respectivamente 0,10", 0,40" e 1,6". As fotos foram capturadas no formato RAW.

Usando o aplicativo de edição Adobe Lightroom (tem que ser da versão CC para frente) selecionei as três fotos, cliquei com o botão direito em "mesclar foto" e "HDR". O Lightroom processa o HDR e te entrega um novo arquivo em RAW.

HDR mixado pelo Adobe Lightroom CC

É a partir do HDR em RAW que o tratamento da foto começa. Não vou detalhar tudo aqui, pois já mostrei esses passos em outros artigos, mas vou mostrar os ajustes mais importantes.

Depois de fazer os ajustes globais - tone mapping, claridade, nitidez, redução de ruido - eu fiz um acerto de perspectiva, basicamente para corrigir a inclinação das colunas.

Perspectiva ajustada

Analisando o resultado decidi fazer ajustes de luminosidade. Essa é uma etapa bem pessoal, onde o fotógrafo analisa o fluxo do olhar pela foto e interfere nesse fluxo. A primeira decisão minha foi acrescentar um pouco de vinheta, para direcionar o olhar para dentro da foto.

Foto sem a vinheta

Foto com a vinheta aplicada

Depois destaquei a imagem do centro do altar com um filtro radial. Basicamente acrescentei luz e definição nessa parte.


E também apliquei mais claridade na parte central da foto.


E aqui está o resultado final.

Mosteiro da Virgem - clique na foto para ampliar

Repare que o resultado do uso da técnica HDR é uma foto onde as informações das sombras e das altas luzes estão preservadas.

Usando esta mesma técnica mas sem ser repetitivo detalhando todo o processo, eu fotografei o lado oposto, a entrada da capela. Veja o resultado.

Foto 1 do HDR

Foto 2 do HDR

Foto 3 do HDR

E o resultado final, já com o tratamento



Nesse mesmo dia fui para a Catedral São Pedro de Alcântara, a Catedral de Petrópolis. Essa bela igreja construída em estilo neo-gótico apresentava um novo desafio. As dimensões maiores e o teto muito alto não permitiam um único enquadramento. Teria que fazer fotos na vertical para depois montá-las lado a lado. Mas essas fotos teriam que ser HDRs, pois a diferença de luz dos vitrais para o interior da igreja era imensa. Montei a câmera no tripé, fiz um enquadramento para a esquerda, um central e um para a direita. Para cada enquadramento fiz três fotos com leituras de luz diferentes. No Lightroom montei um HDR para cada enquadramento e depois montei a panorâmica com os HDRs.

Complicou?

É fácil entender vendo o esquema abaixo...



Montar a panorâmica no Lightroom é bem simples - o processo é similar ao HDR. É só selecionar as fotos e clicar com o botão direito. Depois clica em "mesclar foto" e "panorama". Assim como o HDR, a panorâmica montada é um novo RAW, que passa a ser o ponto de partida do tratamento.


Seguindo aqueles passos todos - tone mapping, claridade, nitidez, ajuste de perspectiva e ajustes localizados de luminosidade, etc., chegamos no resultado final. A nossa bela Catedral neo-gótica registrada por dentro.


Se você chegou até aqui, parabéns! Como já disse em outros artigos, aprender fotografia envolve prática e estudo. O processo parece complicado? Talvez ele todo seja sim, mas você pode começar aprendendo e dominando as duas técnicas isoladamente.

Se você gostou do artigo e quer ir mais à fundo nessas técnicas, conheça o Paraty Fotowalk com Waldyr Neto, onde nós vamos caminhar e fotografar juntos pelas ruas do Centro Histórico de Paraty.

Catedral São Pedro de Alcântara - vista externa


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