quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Tratando uma foto do interior de um refúgio de montanha

Por Waldyr Neto - 


Nesse novo artigo sobre tratamento de imagens com o Adobe Lightroom eu mostro como tratar uma foto de interior, no caso o interior de um abrigo de montanha que nós usamos como base nos nossos workshops e expedições em Três Picos, o Refúgio Canto da Pedra.




A Captura Digital em RAW

Tudo começa com uma boa captura, de preferência no formato RAW. O vital aqui é se preservar as informações nas altas luzes; e a riqueza de informações do arquivo RAW vai te permitir recuperar os detalhes das sombras. No formato JPEG esse ajuste fica bastante comprometido.

Em cenas com grandes contrastes é comum a captura parecer bem sub-exposta. Mas não se engane -  o importante aqui é não ter estouro nas altas luzes.

(clique na foto para ampliar)

Repare que podemos distinguir a vegetação por entre as janelas. Temos um pequeno estouro nas lâmpadas, mas isso não tem importância. Lâmpadas são estouradas por definição. Lá no canto superior direito tem o histograma tocando levemente a extremidade direita. Esse é o ponto ideal para captura de uma foto digital em RAW. Essa é a captura perfeita, esperando por um bom tratamento.

Vamos em frente...

Tone Mapping

O passo seguinte é a etapa crucial do tratamento de uma foto em RAW, o Tone Mapping, que pode ser feito no painel Básico ou no painel Curva de Tons. Eu prefiro fazer no painel Básico, só usando as curvas quando preciso de ajustes muito específicos. 

(clique na foto para ampliar)

O Tone Mapping segue uma lógica que permite ajustar a luminosidade da foto preservando detalhes em todas as faixas de tonalidade - desde o preto, passando por uma ampla gama de semi-tons até chegar no branco. Ao final do Tone Mapping a imagem está próxima àquela percebida pelo olho humano. Para ver os ajustes aplicados basta clicar e ampliar a foto acima.

Claridade e Cor

O passo seguinte, ainda no Painel Básico, é ajustar a claridade e a cor. O comando claridade existe para devolver vida à foto, em parte retirada pelos filtros que existem na frente do sensor. Usado com moderação costuma dar ótimos resultados. Nessa foto eu apliquei um pouco de claridade e não alterei nada nas cores. A foto ganha vida e salta na tela.

(clique na foto para ampliar)

Nitidez e Redução de Ruído

Nesta etapa a gente amplia a foto em 1:1, ou seja, encaixa os pixels da foto nos pixels do monitor. Com essa visão mais precisa nós fazemos o ajuste fino de nitidez e ruído. Ao final a foto está praticamente pronta.

(clique na foto para ampliar)

Nessa hora podemos dizer que a foto está pronta, é uma foto correta... e muita gente para por aqui. Mas o que vai ser realmente o diferencial é aplicar um olhar mais artístico, mais autoral. É hora de se perguntar:
  • É realmente uma boa foto? 
  • Tem algum elemento de distração que enfraquece a composição?
  • Como o olhar percorre a foto? Posso fazer alguma coisa para "conduzir" esse olhar pela foto?
  • Tem áreas que podem ser clareadas ou escurecidas de forma a tornar a composição mais interessante? (clarear ou escurecer partes de uma foto digital equivalem aos processos de dodge e burning, amplamente utilizados na fotografia analógica).
  • Tem distorções que precisam ou podem ser corrigidas?
Ajustes Localizados

Nessa foto eu identifiquei um elemento de distração, um "meio tapete" aparecendo no canto inferior direito. É um detalhe aparentemente sem importância, mas me incomoda. Ao olhar a foto por um tempo meu olhar acaba estacionando ali. Isso é totalmente subjetivo, e outra pessoa olhando a foto pode ter uma percepção totalmente diferente. Mas eu preferi seguir meu instinto e "retirar" a pontinha de tapete. Para isso usei a ferramenta de remoção de mancha, clonando um pouco de chão verde sobre o tapete. 

(clique na foto para ampliar)

Clicando na foto acima dá para ver a área de chão que cobriu o tapete. Manobras como essa podem ser extremamente controversas. E aí não existe uma regra - são decisões realmente individuais. O que eu uso para mim é uma máxima que vem do montanhismo:

"Almeje o topo mas relate com honestidade"

Se alguém perguntar se eu fiz alguma alteração mais pesada no tratamento de uma foto eu vou dizer a verdade, se fiz ou não fiz. E por isso eu evito fazer coisas que eu me envergonharia de contar.

Mas isso tudo é absolutamente subjetivo e individual... 

Correção de Perspectiva

Como a foto foi feita com uma lente bem angular, tem uma baita distorção nas extremidades. A coluna e a porta estão inclinadas para fora. Talvez você goste da foto assim, ou talvez não. Na fotografia de arquitetura é usual corrigir as perspectivas, mas na fotografia autoral é uma escolha. Eu optei por corrigir, até para ver como fica.

(clique na foto para ampliar)

No final eu ainda apliquei um pouquinho de vinheta para direcionar o olhar para dentro da foto. Abaixo o resultado final.

(clique na foto para ampliar)

Algumas pessoas curtem muito fazer aqueles comparativos antes x depois, o que para mim não faz muito sentido. O verdadeiro "antes" é a cena que eu via com os meus olhos. A imagem capturada é apenas uma etapa intermediária do processo. O desafio é fazer a nossa visão virar uma foto, e para isso é vital o domínio das etapas envolvidas.


Se você chegou até aqui, parabéns! Fotografia se aprende com esforço e estudo. Quem gosta de atalhos e facilidades não vai muito longe. Pra você que é persistente eu deixo mais algumas dicas:

  • A captura e o tratamento são um processo integrado. O que você faz na captura já define boa parte do que você vai fazer no tratamento. Ou mais ainda... a sua visão define a captura e o tratamento. Entendeu né? É pra dominar o processo inteiro. 
  • O tratamento é uma etapa fundamental. Não deixe de aprender a tratar fotos por preconceitos ou por "ver um monte de foto bizarra no Facebook". Se preocupe com as suas fotos. Aprenda a fazer um bom tratamento. Tenha como referencia as boas fotos, não as ruins.
  • Já usei alguns pre-sets e não gostei. E já tentei criar os meus próprios pre-sets e também não gostei. A parte fundamental do tratamento é o tone mapping, que é um ajuste muito específico de cada foto. Se quiser fazer fotos em alto nível, trate uma a uma.
  • Contraste, claridade e saturação são os "botões da perdição". Na dose certa valorizam a foto. Na dose errada deixam a foto super artificial. Seja cauteloso, principalmente no início do seu aprendizado.
  • Tenha um computador ou notebook decente. Não adianta ter câmera, lente e tripé bacanas e ter um computador caindo aos pedaços. O equipamento tem que ser coerente por todo o processo.
  • Só como referência, eu levo de 1 a 2 minutos para tratar uma foto como a desse artigo. É raro levar mais do que isso. E eu faço uma boa seleção das fotos que eu vou tratar. Fotografar em RAW e tratar as fotos não é esse bicho de sete cabeças que dizem por aí.

Se você gostou do artigo e que ir mais a fundo, venha fazer a Oficina de Lightroom com Waldyr Neto Clique no link e veja os depoimentos de quem já fez.



terça-feira, 18 de abril de 2017

Tratar ou não tratar as fotos?

Por Waldyr Neto - 


Recentemente eu fui premiado num concurso da Canon Brasil com o tema Natureza Exuberante. O site apresentava as doze fotos classificadas, seis na categoria APS-C (sensores cropados) e seis na categoria full frame. Um conjunto realmente bonito de fotos, resultado de talento e esforço. Clique aqui para conferir.

Na postagem da Canon Brasil no Facebook, apresentando o resultado do concurso, fiquei impressionado com a quantidade de comentários negativos, dizendo que as fotos eram artificiais, consequência mais do tratamento do que da qualidade da captura, ou da inspiração e conhecimento do fotógrafo.

Deixando de lado qualquer sentimento com relação aos comentários, acho interessante constatar que existe hoje uma certa aversão pelo tratamento das fotos. Como se tratar a foto fosse anti-ético. Pra quem quer evoluir na fotografia tem um risco grande aí - o risco de não aprender a tratar bem as fotos.

Se você se interessou pelo assunto, vamos em frente. Talvez o artigo seja longo... Vou explicar como funciona da captura digital e vou mostrar o passo a passo da captura e tratamento da foto acima. Acredite. Tem informação valiosa aqui...


A Captura Digital

Sem entrar nas questões artísticas ou óticas, a captura digital basicamente é a leitura da luz por um sensor.


O sensor é uma pequena placa com milhões de pixels, que por sua vez são conjuntos de micro-diodos, ou mais especificamente foto-diodos. Grosseiramente podemos dizer que esses diodos "contam" fótons, ou seja, medem a quantidade de luz que incide sobre eles, gerando inicialmente um sinal elétrico que depois vira um número. Nas arquiteturas mais comuns - Canon, Nikon, Sony, etc. cada pixel é composto de foto-diodos que leem a luz vermelha (Red), verde (Green) e azul (Blue). Soa familiar? Sim, estamos falando da sigla RGB.

A leitura dessa informação em todos os pixels, e mais uma série de outras informações - câmera utilizada, lente utilizada, abertura, tempo, ISO, data, etc., vão gerar um arquivo de dados chamado RAW. Vamos entender aqui que o arquivo RAW não é uma imagem. RAW é um arquivo de dados.

Quando fotografamos em JPEG com nossas câmeras ou até smartphones, existe a leitura da luz, o arquivo RAW é gerado e em seguida é feita uma conversão. É nesse momento que o JPEG (imagem) é gerado e o RAW (dados) é apagado.

A conversão do RAW em JPEG sofre influência de parâmetros que definimos na câmera - white-balance e outros. E sofre influência também de definições internas da câmera. Basicamente podemos dizer que um JPEG tem uma edição feita em grande parte pelo engenheiro de software do fabricante da câmera.

Então, deixando bem claro aqui:


  • Uma foto JPEG (sem edição posterior) não representa necessariamente a realidade.
  • Uma foto JPEG é uma foto editada. Em grande parte editada pelo fabricante da câmera, com alguma influência do fotógrafo. 
  • Toda foto digital é editada. 

Tá interessante (ou pelo menos polêmico)? Vamos em frente...


De uns bons anos para cá os fotógrafos começaram a questionar a qualidade da edição padrão da câmera, e mesmo a possibilidade de fazer uma edição posterior com qualidade. Os fabricantes foram rápidos e passaram a permitir que o fotógrafo recebesse o arquivo RAW. Com o RAW na mão a conversão para JPEG passa a ser feita fora da câmera, em aplicativos como o Adobe Lightroom. Em outras palavras, o fotógrafo tem o poder de interferir bem mais na conversão do JPEG.


Um JPEG (imagem) é uma das múltiplas possibilidades de um RAW (dados).


Tratando uma foto RAW

Primeiro vamos deixar claro aqui que uma foto JPEG também pode ser tratada. Cada efeito aplicado terá uma intensidade um pouco menor que no RAW, e a imagem vai tender a ficar mais degradada. Se é para tratar a foto, melhor que seja no RAW. 

A foto abaixo foi feita com uma Canon 5D markII e uma lente Canon 17-40mm f/4 L. Usei abertura f/11 para ter bastante profundidade de campo (foco em toda a cena) e ISO 160 para ter uma ótima resolução. O tempo, 1/100s, foi em função de não perder os detalhes na parte mais clara da nuvem. 


Numa primeira olhada a foto parece sub-exposta, ou seja, escura. Mas repare que a na parte mais clara das nuvens as informações foram preservadas - tem textura, tem semi-tons. Preservar os detalhes nas altas luzes é vital no processo de captura digital.

Vamos entender...

Aqui existe um conceito chamado alcance dinâmico. Podemos dizer que é a medida de contraste da cena, ou seja, a diferença de luminosidade da parte mais clara e mais escura. O olho humano, com sua pupila que contrai e dilata involuntariamente, lida com um imenso contraste. Já os sensores das câmeras digitais atuais, mesmo os melhores, lidam com um contraste muito menor. Resultado: Em cenas com grandes contrastes, comuns em fotos de paisagem, a câmera não consegue entregar um resultado igual ao que você está vendo. Você vê detalhes nas sombras e nas altas, mas a foto vai sair com alguma área sacrificada. Pra piorar, é bem provável que a câmera, no seu modo automático, sacrifique as altas luzes. 

Qual o problema aqui? Simples... no processo digital é possível recuperar a informação das áreas de sombras, mas não é possível recuperar a informação perdida nas áreas de altas luzes. Daí a necessidade de se fazer a captura preservando textura e semi-tons nas áreas mais claras.

Vamos começar a tratar a foto... para isso eu utilizei o aplicativo Adobe Lightroom CC (última versão). Vamos deixar claro aqui que não existe um único jeito certo de tratar uma foto. Eu vou mostrar o que eu faço.

A partir da correta captura digital em RAW, o passo inicial do tratamento é fazer o tone mapping. Não adianta ir la no Lightroom procurar um painel com esse nome. Tone mapping é o nome genérico de um processo que envolve devolver à foto a luminosidade original. Isso é feito no painel básico. 

O que eu fiz no tone mapping dessa foto? Levantei a exposição, reduzi um pouco o contraste, baixei as altas, revelei as sombras, estiquei os brancos até ter branco, fechei os pretos até ter preto. 


O resultado é algo bem próximo do que eu vi com meus olhos. O tone mapping é a etapa crucial do tratamento de uma foto em RAW.

O passo seguinte foi acrescentar um pouco de clarity (claridade na versão em português). O clarity é uma ferramenta de avivar os detalhes da foto. Em excesso fica artificial. Na dose certa valoriza a foto.


A foto esta quase pronta. Não precisei mexer em saturação (intensidade das cores). Na maioria das vezes não é preciso. 

O passo final de um tratamento é a nitidez / redução de ruído. É a hora de dar zoom na foto e ver o detalhe. Fica meio imperceptível nessa escala, mas faz bastante diferença em ampliações maiores. Os ajustes estão visíveis ali na direita.


A foto está praticamente pronta. Mas como foi feita com uma lente angular, existe alguma distorção. Reparou que as paredes da casa estão tortas, convergindo para cima. É possível corrigir isso, deixando a foto ainda mais fiel ao que o meu olho via. Aplicando a correção de perspectiva podemos deixar tudo certinho.


E aqui o resultado final




Jogando Lenha na Fogueira

Vamos lá... se você chegou até aqui, parabéns. Fotografia envolve esforço e estudo. Quem desiste no início não vai longe.

Deixo aqui uma questão: Se a gente considerar que a realidade é o que o olho humano percebe, qual das duas fotos abaixo é mais próxima da realidade. A sem tratamento, ou a tratada?

Foto sem tratamento:


Foto tratada:



Pra fechar, deixo abaixo uma boa dose de lenha pra botar na fogueira, com gasolina e um isqueiro. Mas não sou o dono da verdade. Todo debate é bem vindo.


  • As mesmas ferramentas que te permitem fazer um bom tratamento, te permitem fazer um mau tratamento. Aprenda a fazer bem feito.
  • Você pode sim alterar a foto conforme seu gosto. Mudar cores, acrescentar ou retirar elementos. Mas se fizer uma alteração pesada, não negue que fez. Roubando aqui uma máxima do montanhismo: "Almeje o topo, mas relate com honestidade". É a sua reputação que está em jogo.
  • Dodge e burning eram processos de clarear e escurecer seletivamente partes de uma foto. Isso em foto de filme... Tratar fotos não é novidade nem exclusividade de foto digital.
  • Tratar bem as fotos leva um tempinho. Não perca tempo com discussões sem sentido. Comece a aprender.
  • Tem muita foto bizarra na internet. E tem muita gente que curte... Isso não tem importância nenhuma. Estude e se inspire nas fotos boas.
  • Ao fazer uma foto, tente guardar o que você sentiu, o que você viu com os seus olhos. Traga isso de volta no tratamento. 

Gostou do artigo? Quer ir mais a fundo? Conheça a




domingo, 26 de fevereiro de 2017

Fotografando o Cinturão de Vênus

(contemplando o Cinturão de Vênus no cume da Cabeça de Dragão, 2.050m, Três Picos)

O fenômeno conhecido como Cinturão de Vênus (belt of Venus) é bastante comum e pode ser visto quase que diariamente no amanhecer e no entardecer, normalmente na direção oposta ao sol. É um fenômeno rápido - dura uns 10 ou 15 minutos. Mas nesse curto intervalo podemos fotografar a paisagem com uma linda faixa de luz rosada próxima ao horizonte.

Nota: O aplicativo do blog costuma comprometer bastante a qualidade das fotos. Para ver as fotos em qualidade um pouco melhor basta clicar e ampliar. Ou clique aqui para conhecer meu portfólio no Flickr.

A origem do nome remonta à mitologia grega, fazendo referência ao cinto da deusa da beleza e do amor - Afrodite, que mais tarde na mitologia romana recebe o nome de Vênus.

(Afrodite e seu cinto, na tela da pintora russa Anna Razumovskaya)

Para entender o fenômeno tomemos por base o pôr do sol...

Tudo acontece durante a hora mágica. Para mais detalhes dê uma olhada no artigo sobre a Luz ao Longo do Dia.

Quando o sol está quase tocando a linha do horizonte, os tons são quentes e a cena tem um contraste extremo. É a hora mágica no seu auge...   ... mas dando as costas para o sol vemos uma cena e uma luz totalmente diferentes. Na linha do horizonte temos uma luz cinza/azulada, que é a própria sombra da terra projetada no céu. E a cima dessa luz azul temos uma faixa rosada, que é a retrodifusão da luz do sol através da atmosfera - o nosso Cinturão de Vênus. Acima do Cinturão tudo volta da ser azul, ou com sorte podemos ter ainda nuvens iluminadas pela luz do sol.

(Cinturão de Vênus visto num entardecer no Alto da Ventania, Petrópolis)

Depois do pôr do sol temos o auge do Cinturão de Vênus, que aos poucos vai se dissipando e dando a vez à blue hour e depois à noite profunda (não deixe de ler o artigo da luz ao longo do dia). De manhã o processo é o inverso, ou seja, o Cinturão de Vênus começa a ficar visível pouco antes do nascer do sol e depois se dissipa. 

(Cinturão de Vênus sobre os Castelos do Morro Açu, após o pôr do sol)

Do ponto de vista do planejamento das nossas fotos na hora mágica, é importante considerar a possibilidade de fotografar o Cinturão de Vênus. Para isso basta escolher uma locação com visão para os dois lados, o do sol e o oposto. Se o tempo permitir, o Cinturão estará lá.

Do ponto de vista da complicada fotometria das fotos de nascer e pôr do sol, o Cinturão acaba sendo uma "colher de chá", pois o menor contraste não costuma pedir HDRs ou o uso dos caros filtros graduados. É uma luz mais fácil de lidar e ainda sim uma luz muito bonita.

(Entardecer nos Portais de Hércules, Serra dos Órgãos. Os últimos raios de sol iluminam o Pico do Garrafão e o Cinturão de Vênus começa a ser formar na linha do horizonte)

Outra característica do Cinturão de Vênus é que ele acaba sendo o "pano de fundo" para as fotos de paisagem com lua cheia. Para saber mais releia o artigo sobre Como fazer uma foto de paisagem com Lua cheia.

(Pôr da Lua cheia ao lado da Maria Comprida, Petrópolis)

Enfim, como já disse em outros artigos, o conhecimento da luz e a observação são extremamente importantes na nossa evolução como fotógrafos de paisagem e montanha. Tente identificar o fenômeno, repare em que momento ele começa, quando fica mais intenso, como ele se dissipa... E comece a incluir no seu portfólio muitas fotos do belo e fugaz Cinturão de Vênus.

(Show de luzes e nuvens no amanhecer da Serra do Lopo, Mantiqueira)

Gostou do artigo? Para ir mais à fundo conheça a Oficina de Fotografia com Waldyr Neto



terça-feira, 24 de janeiro de 2017

A luz ao longo do dia


Fotografia é o registro da luz. A origem vem do grego:

photo = luz
graphein = marcar, registrar, desenhar, escrever

Não precisa pensar muito para compreender que a qualidade da luz é fundamental para as nossas fotos. Ao longo de um dia a luz muda, e muda muito. Cada mudança de luz nos traz oportunidades e desafios.

Nesse novo artigo eu mostro como a luz muda no decorrer do dia, apresentando exemplos e mostrando o que se pode fazer em cada caso. Acho que essa compreensão pode ajudar bastante no planejamento das saídas fotográficas.

Em tempo... clique nas fotos para ver em resolução um pouco melhor. As fotos perdem bastante qualidade aqui no blog.


A Blue Hour da madrugada

Vamos começar pela madrugada! Por volta de uma hora antes do amanhecer os nossos olhos ainda enxergam tudo como noite, mas já existe uma pequena luminosidade. Essa luz tênue pede tripé e uma longa exposição, mas o resultado é uma surpresa - a luz é azul.

Dedo de Deus na Blue Hour

As fotos na Blue Hour são belas, com um toque de melancolia. Curiosamente a Blue Hour é relativamente pouco conhecida, talvez por essa luz azulada ser pouco percebida pelo olho humano.


A Hora Mágica da manhã

Por volta de 45 minutos antes do nascer do sol começa a surgir um pequeno filete de luz no horizonte. Tons vermelhos muito intensos marcam o início da Hora Mágica, que em inglês é conhecida como Golden Hour. O dia vem nascendo e tudo muda rápido, cobrando destreza do fotógrafo. A grande foto pode surgir e nos abandonar num piscar de olhos. E ainda temos que usar sem vacilar filtros ND graduados ou saber capturar fotos para montar um HDR. Sem essas técnicas pode ser impossível lidar com o alto contraste da cena.

Em nenhum momento do dia a luz muda tão rápido... Em nenhum momento do dia a luz é tão bela... O desafio certamente vale à pena.

Serra dos Órgãos na Hora Mágica


A luz do início da manhã

No fim da Hora Mágica o sol já está na cena. Os tons avermelhados e alaranjados vão dando lugar a uma luz amarelada, não tão bela quanto à anterior. De frente para o sol temos flare e estouros. De costas para o sol vemos montanhas com luz frontal, sem relevo. Essa é uma luz difícil... É preciso ser criativo, aproveitar sombras, usar a luz lateralmente, esconder o sol... Enfim uma luz desafiadora que pode render fotos bem interessantes.

Rio dos Frades no início da manhã, região de Três Picos


A luz do meio da manhã

No meio da manhã o sol já está a uns 45 graus no céu. A luz é de tonalidade bem neutra e tudo muda devagar. Talvez seja a hora mais fácil de fotografar. E é também é uma hora em que muitos de nós estamos indo pra montanha. Tudo favorável... Nessa hora podemos tirar proveito do filtro polarizador circular, que intensifica o azul do céu e destaca as nuvens.

Montanhas de Três Picos no meio da manhã


Sol a pino

Meio dia, sol bem alto no céu. Tudo fica muito esbranquiçado e com sombras duras. O filtro polarizador quase não tem efeito. Pode-se dizer que essa é a pior luz do dia. Em passeios fotográficos em montanha é hora de dar uma parada, almoçar e descansar. É até possível fazer boas fotos, mas é bem difícil. Se a luz não ajuda temos que buscar uma composição especialmente forte.

Três Picos com sol a pino


A luz do meio da tarde

O sol retorna para os amistosos 45 graus e tudo volta a ficar fácil. É montar o filtro polarizador circular e sair por aí, sem pressa e escolhendo enquadramentos. As fotos saem naturalmente bonitas.

Refúgio Canto da Pedra em Três Picos no meio da tarde


A luz do fim da tarde

Perto da hora do pôr do sol a luz amarelada está de volta. Hora de ser criativo e tentar "vencer" essa luz difícil. Dica: Na direção do sol os diversos planos de montanhas ficam bem destacados e isso pode render boas fotos.

"Mar" de montanhas da Região Serrana Fluminense, com a luz do fim da tarde


A Hora Mágica da tarde

Se você não acordou para a hora mágica da manhã você tem uma segunda chance à tarde. A boa notícia é que agora as coisas são um pouco mais fáceis - você chega no local com luz e isso facilita encontrar um bom enquadramento, montar o equipamento, fazer as regulagens iniciais. Mas quando o show começa tem que estar no domínio do equipamento e das técnicas. A Hora Mágica não perdoa quem não fez o dever de casa... 

Montanhas da Serra da Estrela na Hora Mágica da tarde


A Blue Hour do início da noite

Muita gente encerra os trabalhos assim que o sol se põe, perdendo o final da Hora Mágica e também a Blue Hour. Esse é um erro bem comum. Se a locação é bacana tem que ter paciência e esperar. Reforçando aqui... o olho humano não percebe muito bem a Blue Hour. Parece que virou noite, mas o sensor da câmera capta a tonalidade azulada da luz. É uma grata surpresa fotografar um céu aparentemente escuro e ver surgir na tela uma linda foto azul.

Pico das Prateleiras na Blue Hour


A noite e as estrelas

O ciclo da luz ao longo do dia se fecha com a noite profunda. O tom azulado da Blue Hour já ficou para traz, mas temos a oportunidade de fotografar paisagens com estrelas. Mais uma vez temos que ter domínio sobre o equipamento e as técnicas. Com pouca luz tudo é mais complicado - enquadrar, fotometrar, focar... Mas o resultado pode ser bastante impactante. 

Três Picos, Via Láctea e as Lua cheia


A compreensão da luz ao longo do dia pode nos ajudar bastante no planejamento das nossas saídas fotográficas. E com o tempo vamos aprendendo a lidar com cada uma dessas situações e podemos voltar para casa com fotos bem melhores, mesmo em situações aparentemente adversas.

E eu encerro o artigo aqui reforçando a importância da observação. Todo bom fotógrafo é antes de tudo um bom observador. Estando ou não com a câmera, tente perceber como a luz muda ao longo do dia, tente identificar as fases que eu mostrei no artigo. Isso ajuda bastante a prever os próximos passos quando se está em campo - Vale a pena esperar? Já podemos ir embora? Vamos tentar outra locação? Quanto mais se observa e se pratica, mais se acerta.

Espero que esse novo artigo tenha sido útil para vocês aventureiros fotógrafos, ou fotógrafos aventureiros... Para ir mais à fundo, conheça a Oficina de Fotografia com Waldyr Neto


domingo, 1 de janeiro de 2017

Depoimentos dos nossos Alunos

Abaixo alguns depoimentos dos alunos do Workshop de Fotografia de Montanha

"Waldyr eu que agradeço toda sua dedicação e competência. Foram momentos mágicos e o início de um aprendizado muito importante para mim. Tudo funcionou de forma magnífica" André Caúla 

"Bom dia Waldyr!! Certamente esse workshop superou as nossas expectativas. Parabéns, primeiramente pela pessoa que você é e pelo profissional que, com seus conhecimentos, nos acrescentou muito no aprendizado da arte da fotografia." Gerson Delgado 

"O workshop foi muito além do que eu esperava e quero fazer mais coisas quando for surgindo e eu puder ir. Você é muito profissional e atencioso. Achei super interessante como você consegue dar uma atenção específica para cada pessoa, identificando e respeitando cada peculiaridade. Sem dúvida, para mim, isso foi um aprendizado além da fotografia. Paulo Maciel

"Nós é que temos que agradecer, Waldyr, pela sua generosidade em compartilhar tantos conhecimentos e de forma sempre incansável. Foi mais uma oportunidade de fazer novos amigos, mais uma turma muito boa." Um abraço, George Strozberg

"Para quem gosta de viajar e fotografar, esse workshop se encaixa perfeitamente. O professor Waldyr nos levou aos lugares certos nas horas certas. Com os conhecimentos que ele nos passou, já consegui perceber que minhas fotos melhoraram." Abraços Hugo Chinaglia

"Só tenho a agradecer por sua experiência compartilhada, seu carisma, sua didática! Você me fez lembrar de conceitos que demoraram 1 semestre inteiro no SENAC! rsrs  Valeu muito! Agora é melhorar e praticar! Gratidão!" Débora Fernandes

"Queria também agradecer pelo workshop e pela sua generosidade em compartilhar seus conhecimentos. Como professora, posso dizer que você tem o que eu chamo de "espírito educador", ou seja, compartilha os seus conhecimentos, sempre na posição de quem não é dono da verdade, mas tem algo a acrescentar sobre o tema, não sonega informações e está aberto a novas abordagens." Grande Abraço! Vera Lucia. 

"Sem palavras para descrever o seu profissionalismo. Não apenas como montanhista e fotógrafo como você é, e que todos sabem, mas por ser uma pessoa de alma aberta, sem egos, além de ser um incrível professor. Muito obrigada por tudo!" Bianca Scheuermann.

"Fiz o curso em março de 2017. Foi um curso excelente, muito bem organizado, desde a primeira mensagem para perguntar sobre os requisitos necessários para acompanhar o curso, até informações para se chegar ao local, sempre respondidas com presteza e precisão. É notório o conhecimento que o Waldyr possui de fotografia e sua disponibilidade e alegria em dividir conosco. Super recomendo! Obrigada, Sílvia Moura.

"Gostaria de agradecer ao Waldyr Neto pelo excelente Workshop de Fotografia de Montanha, a parte teórica é completa, você fala sobre tudo de uma forma que fica de fácil entendimento, na parte prática é atencioso e tranquilo, nos deu boas dicas para que nossas fotos ficassem melhores. Muito obrigado mesmo meu amigo, espero fazer outro workshop em breve." Ítalo Andrade.

 "Eu participei da primeira turma e adorei! A combinação entre teoria/prática e fotografia/montanhismo faz deste workshop único! O local também é incrível, saí de São Paulo especialmente para o curso e posso dizer que valeu muito!
Aprendi muito e conheci pessoas muito bacanas. Gente que ama o que faz, como Waldyr Neto, que compartilha com alegria aquilo que sabe. Recomendadíssimo!"
 Simone Ferrarese


"O workshop foi ótimo. Além de transmitir bem o seu conhecimento, você o fez de maneira didática, atingindo todo o grupo que era bastante heterogêneo. Você também conseguiu manter o grupo unido e interessado durante o final de semana, com sua simpatia e paciência. Agradeço especialmente pelo acompanhamento diferenciado e pelo companheirismo comigo na subida para a Pedra da Tartaruga. Fez toda a diferença ter você por perto". Um forte abraço, Andé Marini

"Foi uma jornada de muito aprendizado para mim, tanto para captura quanto para edição. Lições aprendidas com você Waldyr, que serão muito úteis em minha jornada como fotógrafo amador. Tinha algumas dúvidas sobre quais os limites honestos de uma boa edição e você resolveu com aquela comparação entre os olhos humanos e o equipamento fotográfico. Agora é continuar aprendendo e fotografando por aí. Espero encontrar a todos novamente em breve." Grande abraço, Guilherme Schatzer

"Curso ministrado por quem sabe o que tá dizendo e não tem a pretensão de ser genial. Bons professores são os que transmitem seu conhecimento com alegria, entusiasmo, e não só ensinam mas aprendem com as experiências dos alunos.

Para quem busca um curso simples, objetivo e divertido". Flávio Varricchiofotógrafo de natureza e montanha.

"Meu caro Waldyr, reafirmo meus cumprimentos pela bela jornada cumprida durante o seu Workshop. Muito bem preparado, de esmerada apresentação e de exposição sem reparos. Os temas tratados, com certeza no meu caso, foram de grande valia. Alguns deles foram uma salutar recordação de teoria sempre necessária. Os demais jogaram luz (sem trocadilho) no meu caminho digital que pretendo percorrer. Muito grato". Antônio Bordeira

“Conheço o Waldyr a algum tempo e venho acompanhando o belo trabalho do mesmo com a fotografia de montanha/natureza. Apesar de fotografar há um bom tempo, aprendi muita coisa nesse workshop, que correu de forma simples e descontraída, mas com um conteúdo muito completo e rico.
Levo para casa novos conhecimentos, novas amizades e a lembrança de um lugar lindo chamado Petrópolis." Cristiane Gellert, Fotógrafa

"Uma experiência pessoal desafiadora e transformadora. Tudo isso somado ao acréscimo de conhecimento sobre fotografia e às belas paisagens. Recomendo!" Regina Azevedo, Jornalista


"Excelente o workshop. Direto, objetivo, prático! Repleto de dicas que não se encontram em livros! Recomendo para montanhistas que curtem fotografia (meu caso) e para fotógrafos que querem ampliar seus conhecimentos, incorporando a fotografia de montanha ao seu portfólio" Fábio Fliess, montanhista


Waldyr, foi realmente um final de semana maravilhoso, além de aprender muito contigo, me fez despertar o "montanhista" que andava adormecido dentro de mim. Estou doido para acordar de madruga e subir uns picos para pegar o nascer do sol !! Parabéns pela proposta, curso, dicas e a pessoa maravilhosa que você é. Grande abraço e até a próxima. Rainer Muhlhaus.



Olá professor! Gostaria de deixar registrado que foi muitíssimo proveitoso ter participado desse trabalho que vc desenvolveu. Mesmo nunca tendo participado de nenhum workshop de fotografia, ou qualquer outro curso, fiquei com uma excelente impressão do seu trabalho (conhecimento, comprometimento, clareza, responsabilidade, estrutura, objetividade, dinamismo, camaradagem, descontração e o clima fraternal de toda equipe) com certeza indicarei para amigos fotógrafos amadores e amantes dessa arte. Para mim, foi juntar a fome com a vontade de comer: fotos e trilhas! Ulisses Oliveira

Ola Waldyr, só temos a agradecer e parabenizar pelo curso. O aprendizado, organização do evento, a acolhida por parte de todos, aventura, beleza, boa comida... Muito bom, tudo! Um grupo muito bacana! Nos divertimos muito. Flaviane Koti

Tudo perfeito, agradeço a atenção, o cuidado e o profissionalismo . Tudo isso contribuiu para um ambiente acolhedor e amigável. Sucesso em todas as demais turmas e até um próximo workshop. Rodney Morani

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Convertendo fotos de paisagem para PB

(clique na foto para ampliar)

Faz tempo que eu venho pensando em fazer um artigo sobre o tratamento das fotos. O tratamento é uma etapa vital para que se consiga resultado desejado, ou seja, transformar a visão do fotógrafo em uma foto propriamente dita. Entenda-se aqui a visão como aquela imagem mental que surge quando estamos com o olho no visor, capturando uma cena.

Uma das coisas mais frustrantes em fotografia é não conseguir transformar nossa visão em foto. Quem nunca passou por isso?


No slide acima estão embutidas duas armadilhas, ou mais precisamente dois tipos de fotógrafos que, por preconceito ou desconhecimento, não dominam o processo completo.

  • O "purista", que domina o processo da captura e considera o tratamento como algo errado, anti-ético, manipulador, etc. Quando você se deparar com alguém postando uma foto no Facebook com a legenda "sem edição, exatamente como saiu da câmera", você provavelmente está diante de um purista.
  • O "photoshopeiro", que sabe tudo de Photoshop e acha que conserta qualquer lambança feita na captura. As fotos do photoshopeiro costumam ser super saturadas, contrastadas, exageradas, cheias de halos, etc. E tem gente que gosta e curte... 

O bom fotógrafo domina o processo completo. Em paisagem uma boa foto é feita com bastante nitidez, sem estouros, com ISO baixinho e foco correto. E o tratamento vai ressaltar essas qualidades, sendo inclusive parte integrante da "assinatura" do fotógrafo. 

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Quando fazer uma foto em PB?

Alguns fotógrafos trabalham exclusivamente em PB. Ou mesmo que eventualmente façam fotos em cor, não misturam cor e PB nos seus portfólios. Eu já gosto de ter as duas coisas. Gosto de analisar se uma determinada foto "pede" para ser colorida ou PB. Às vezes converto para PB uma foto que simplesmente não deu certo em cor.

Mas como converter? Abaixo algumas formas comuns:
  • Fazer uma foto PB diretamente na câmera, em JPEG. Essa é a saída mais rápida, mas a qualidade costuma deixar a desejar. 
  • Fazer uma foto em cor na câmera (JPEG) e converter para PB no Photoshop. O JPEG em cor te dará um pouco mais de margem de manobra no tratamento. 
  • Capturar em RAW e converter para PB em algum aplicativo. Essa é a alternativa que vai te dar a qualidade máxima e o maior controle sobre a conversão. 

Muitos fotógrafos gostam de usar o aplicativo Silver Efex Pro, que tem uma conversão para PB simplificada com presets bem interessantes. 

Eu já prefiro fazer no Adobe Lightroom, onde trato diretamente o RAW e tenho controle total sobre o processo.

O assunto te interessou? Continue lendo.

Vamos agora tratar uma foto juntos...  

A foto que vai ser convertida foi feita na edição de abril de 2016 do Workshop de Fotografia de Montanha, em Três Picos. Estava com o grupo de alunos nas margens de um laguinho no Vale do Jaborandi. Ao fundo o imponente Pico do Caledônia. Ainda estava bem escuro e o céu não tinha nuvens. 

A captura
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A captura parece um pouco sub-exposta, mas a questão crítica aqui foi evitar o estouro das altas luzes. Em digital uma área estourada é intratável, e por isso tem que ser evitada na captura.

O crop
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O céu sem nuvens não ajudava muito e por isso eu resolvi cropar (cortar) a foto em formato mais panorâmico, concentrando a composição nos elementos mais importantes. 

A conversão para PB
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A conversão para PB no Lightroom é bem simples. Basta clicar em "preto e branco" na parte superior do painel Básico, à direita. No Painel HSL / Cor / P&B é possível ajustar a tonalidade das cores originais formadoras do PB, mas nessa foto eu aceitei o ajuste sugerido pelo Lightroom. 

O tone mapping
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O processo seguinte é chamado genericamente de Tone Mapping, que consiste em fazer as correções de tonalidades em função das escolhas feitas na captura. Basicamente eu levantei um pouco a exposição geral, levantei as sombras, levantei as altas e fechei um pouco as sombras. No final apliquei um pouquinho de "claridade" (claridade é um comando do Lightroom) para avivar a foto. Com isso passei a ter branco, preto e toda uma gama de tons intermediários de cinza que são tão importantes para uma boa foto PB. O tone mapping é feito no painel Básico e é a etapa mais importante do tratamento. Ao final a foto já começa a ficar com cara de foto pronta.

Tonalização dividida, nitidez e redução de ruído
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A tonalização dividida é uma ferramenta que permite colorir um pouco a foto PB, de forma dividida, ou seja, com tonalidades diferentes nas altas de baixas. Eu acabei usando um ajuste que eu gosto, onde eu aplico uma leve tonalidade sépia nas sombras, deixando esse sépia entrar um pouco nas altas. Coisa bem discreta, mas que dá um charme na foto.

A foto está quase pronta, e chegou a hora de ajustar a nitidez fina. Nessa hora você dá zoom de 1:1 na foto (os pixels da foto se encaixam nos pixels do monitor) e vê o detalhe. Apliquei um pouco de nitidez e reduzi bem o ruído. A ideia aqui foi reduzir o ruído digital (que é feio) para depois aplicar a simulação do grão de filme (que e bonito).

Grão
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Nessa etapa, no painel de Efeitos, eu apliquei uma configuração de grão bem forte. Às vezes uso mais, às vezes menos. Raramente uso com fotos coloridas. Após a aplicação do grão os ajustes globais estavam prontos. Hora de fazer ajustes localizados.

Filtro radial - vinheta
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Os ajustes localizados são importantíssimos. Eu costumo dizer que é o diferencial que faz as grandes fotos. O sentido aqui é fazer nas fotos digitais os processos de "dodge" e "burning" que se fazia nas fotos em filme, ou seja, clarear e escurecer seletivamente algumas partes da foto. 

Primeiro eu apliquei um filtro radial no meio da foto, de forma a escurecer um pouco a parte de cima e de baixo (o filtro atuou na área avermelhada da foto acima). Com isso apliquei uma leve vinheta. Eu poderia usar a própria ferramenta de vinheta, mas o filtro radial permite um posicionamento mais exato. No fim, a ideia aqui é fazer uma vinheta que não pareça uma vinheta. 

Filtro radial - levantando as altas
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Depois apliquei um segundo filtro, usando a opção "inverter máscara", para que o efeito acontecesse na parte interna da área selecionada. Basicamente o que eu fiz foi levantar um pouco as altas, reforçando o efeito de vinheta e destacando a linha da montanha. 

Foto pronta! O resultado está abaixo.

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É obvio que um processo como esses envolve algum conhecimento é dá um pouco mais de trabalho. Seria mais fácil aplicar algum filtro ou preset e já ter a foto pronta. Na prática já tentei fazer isso, ou mesmo salvar minhas configurações como presets. Com o tempo descobri que processos como o tone mapping, aplicação de tonalidade e grão acabam pedindo ajustes diferentes foto a foto. Mas enfim, se a gente quer fazer um trabalho diferenciado, original, tem mesmo que fugir dos pacotinhos prontos. 


Se você gostou do tema e quer ir mais à fundo, conheça a


Para finalizar eu deixo aqui algumas fotos de temas variados, onde o processo de tratamento foi essencialmente o mesmo - tonne mapping, tonalização, nitidez, redução de ruído, aplicação de grão, aplicação de ajustes localizados, etc.

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