segunda-feira, 4 de maio de 2015

Vesak, A Lua Cheia de Maio


Vesak é uma data comemorada pelos budistas que representa o aniversário de Buda, podendo também se referir à sua iluminação (nibbana) ou morte (paranibbana). A data é baseada no calendário lunar e coincide com a lua cheia próxima do fim de abril / início de maio.

O meu amigo Miguel Berredo, que é budista, já vinha me cobrando subir uma montanha para ver e fotografar essa lua. No The Photographers Ephemeris vimos que o Alto da Ventania seria uma boa escolha, pois a lua nasceria à direita do Pico Maior de Magé.

O nascer da lua é a linha em azul claro. Clique na foto para ampliar.

Como seria uma foto feita ao anoitecer, a programação era mais tranquila. Bastava subir o Alto da Ventania à tarde e esperar o show. Fizemos um bate-papo e um convite pelo grupo Fotógrafos de Montanha do Facebook e marcamos nosso encontro em Petrópolis às 14:30.

O grupo acabou sendo pequeno. Fomos eu, Miguel Berredo, Bruno Murtinho e Natália Chaves. Subimos o Alto da Ventania numa linda tarde de outono e chegamos no cume por volta das 16:20, com bastante folga para fotografar a lua que nasceria às 17:18.

Depois de um rápido descanso no cume verdadeiro do Ventania, partimos para o contraforte noroeste, de onde veríamos a lua nascer mais próxima do belo Pico Maior de Magé. Escolhi um boa laje de pedra com vista para o vale do Rio Itamarati e para o Pico.

Foto de Miguel Berredo


A tarde estava bem bonita e eu fiz uns cliques para aquecer.


O sol foi se pondo e a expectativa era grande. Do lado oposto a lua nasceu bem vermelha, mas meio opaca por conta das nuvens. A luz estava ótima e era só esperar um pouco pra fazer a minha foto. Com a lua um pouco mais alta surgiu o momento ideal.

(clique na foto para ampliar)

Logo depois escureceu e já não era mais possível equilibrar a luz da paisagem com a da lua. Comecei a guardar o equipamento e retornei para o topo do contraforte onde estava o grupo. Do lado do por do sol ainda tinha um restinho de luz e eu acabei fazendo um bonito registro do Miguel meditando.

Clique na foto para ampliar

Escureceu de vez. Hora de descansar e curtir o momento. Fizemos um lanchinho sem pressa e nos preparamos para descer. A descida noturna é sempre uma experiência bacana, e o papo era ótimo. Terminamos assim mais um belo encontro com as montanhas e a lua.

Conheça o Workshop de Fotografia de Montanha


quarta-feira, 22 de abril de 2015

Fotografando o Amanhecer na Pedra do Camelo.


Depois das nossas duas investidas para fotografar na Pedra da Tartaruga, no Parque Municipal Natural Montanhas de Teresópolis, resolvemos conhecer a outra atração de lá, a Pedra do Camelo. Na verdade a Pedra do Camelo e a Pedra da Tartaruga são dois afloramentos rochosos que ficam nos extremos da mesma crista. O Camelo à oeste e a Tartaruga à leste.

A programação foi aquela pedreira de sempre: Nos encontramos em Petrópolis às 3 da madruga e partimos para Teresópolis. O grupo dessa vez era maior: Eu, Miguel Berredo, Bruno Murtinho, Luiz Schanuel. Completaram o time a Monique Cabral e o Miguel Buck que vieram do Rio.

Chegamos na entrada do Parque por volta das 4:30 e iniciamos a subida noturna. Nenhum de nós conhecia o caminho, mas a trilha segue bem óbvia pela crista. É uma caminhada um pouquinho mais puxada do que a da Pedra da Tartaruga.

Por volta das 5:00, ainda bem escuro, chegamos nas rochas do Camelo. Tentamos encontrar o caminho para a parte de cima mas não encontramos. Conseguimos apenas chegar no topo do primeiro grande bloco. O lugar era um pouco exposto e o grupo preferiu ir fotografar nas rochas da base. Eu acabei ficando ali mesmo.

Com as primeiras luzes da "hora mágica" fiz uma foto equilibrando a luz do céu com um filtro graduado de 3 pontos. Durante os 60s de exposição fiquei percorrendo a rocha do primeiro plano com o facho da lanterna de LED para tentar criar uma iluminação suave, que não parecesse uma luz de flash.


O dia foi clareando e eu percebi uma bonita bromélia dentro da fenda da rocha. Mantive o graduado de 3 pontos e continuei usando a lanterna de LED para iluminar o primeiro plano. Mas a luz já mais equilibrada facilitou as coisas.


O topo do bloco que parecia tão assustador no escuro se mostrou bem amplo. Pulei para o outro lado da fenda e fiz um registro do grupo todo usando o timer de 10s.


Achei que a seção de fotos tinha acabado. Guardei o equipamento e desci para tomar um café na base. Café quentinho, biscoitos de maizena... no topo da montanha isso tem um valor inexplicável.

Enquanto estávamos ali lanchando e jogando conversa fora, alguém reparou uma araucária brotando solitária da névoa lá pros lados do vale de Fazenda Alpina. Até relutei um pouco em tirar o equipamento da mochila e montar a lente 70-200mm. Mas era realmente a chance de fazer uma baita foto, daquelas que a gente não faz todo dia. Acabei descendo uma parte da trilha para encontrar um enquadramento melhor e fiz minha foto.


Pra completar a correria, além de madrugar para fazer essas aventuras, sempre tento voltar pra casa a tempo de acordar a Gi e a Gigi (esposa e filha) pra tomar café com elas. O Marcos fez um último registro do grupo (ele não aparece) e eu parti acelerado trilha abaixo pra pegar o carro e voltar pra casa.


Em pé à esquerda: Bruno Murtinho. Sentados no primeiro plano: Miguel Berredo e Luis Schanuel. Sentado no segundo plano: Miguel Buck. Em pé: eu e Monique.

Gosta de aventura e fotografia! Confira a próxima edição do Workshop de Fotografia de Montanha


terça-feira, 14 de abril de 2015

Um amanhecer nublado na Pedra da Tartaruga.


Teresópolis agora conta com um parque municipal muito bem estruturado. É o Parque Natural Municipal Montanhas de Teresópolis. Seu atrativo mais conhecido é a Pedra da Tartaruga. Faltava ir lá para conhecer...

Na Lua cheia de abril, pra variar, fui convocado pelo meu amigo Miguel Berredo para identificar algum bom local para assistir e fotografar o por e o nascer da lua. Pela manhã decidimos por um rápido bate-e-volta na Pedra da Lagoinha. O tempo estava bom e a Lua cheia ia se por ao lado do Pico do Tinguá. Fizemos nossas fotos e voltamos para casa.




Tínhamos planejando ir à tarde no Alto da Ventania para fotografar o nascer da lua. Num bate-papo via Facebook um amigo e ex-aluno, Bruno Cruz, mencionou subir a Pedra da Tartaruga em Teresópolis. Segundo seus cálculos, de lá seria possível ver a lua nascer por trás da formação de montanhas chamada Mulher de Pedra. Dei uma rápida conferida no The Photographers Ephemeris e confirmei. Era uma baita oportunidade, tanto de conhecer a montanha quanto de fazer uma bela foto da lua.

Mudamos os planos e fizemos um convite geral no Facebook. Tudo super corrido, mas no fim da tarde estávamos todos reunidos na entrada do Parque. Subimos pela fácil trilha e ficamos encantados com o que vimos - um parque público, gratuito e muito bem cuidado. Que grata surpresa!

O nascer da Lua cheia por trás do queixo da Mulher de Pedra foi espetacular...

(clique na imagem para ampliar)

Melhor do que a foto foi conhecer esse lugar, Uma montanha de fácil acesso, bem de frente para as montanhas dos Três Picos. Um ótimo lugar para fotografar o amanhecer. Tinha que voltar lá...

No final de semana seguinte eu avaliei no The Photographers Ephemeris que, a partir da Pedra da Tartaruga, eu poderia fotografar o sol nascendo sobre os Três Picos, mais precisamente sobre o Pico do Capacete.

(clique na imagem para ampliar)

Apesar da trilha ser fácil, o planejamento era puxado:

Nascer do sol: 6:00
Hora que eu queria chegar no cume: 5:00
Início da caminhada: 4:45
Saída de Petrópolis: 3:15
Acordar: 2:30  

Fazer o que? Fotografia de montanha não é para os preguiçosos...

Convidei alguns amigos e aceitaram o convite o Miguel Berredo e o Marcos Guimarães.

Seguimos o planejamento á risca e pouco antes das cinco da madruga estávamos com nossas lanternas na trilha da Pedra da Tartaruga. Rapidamente chegamos no cume e constatamos que o tempo estava bem fechado.

Nota: Em planejamentos anteriores eu costumava chegar por volta de meia hora antes do nascer do sol, mas de uns tempos para cá adotei chegar uma hora antes. A inspiração veio do texto abaixo, do livro "The Photographers Coach" do autor Robin Whalley:

"When in such wonderful locations it's all too easy to be overtaken by the need to take the photographs whilst the light and conditions are good. This can lead to feelings of urgency. This is not a good frame of mind from which to be shooting scenes of beauty and tranquility. A better approach would be to turn up at a location early and spend some time just enjoying the area and surveying the scene. I don't even mean surveying the scene to identify the best shooting position; I mean simply walking around to enjoy the moment whilst resisting the urge to take pictures. When you are ready to begin you will know it. You will also find a better understanding of the image you want to create and the emotion you want to convey."

No cume ficamos ali em silêncio, contemplando e tomando um café quentinho que eu tinha levado. Do ponto de vista fotográfico a saída parecia perdida, mas estar na montanha com os amigos é sempre bacana.


Mas a névoa começou a dissipar e a gente tirou o equipamento das mochilas para tentar alguma coisa. Tinha uma barraca bem fotogênica montada na borda do platô que rendeu boas fotos.


(Foto de Marcos Guimarães)

A gente via os raios de sol e sabia que ali atras estavam os Três Picos. Mas nessas horas tem que abandonar o planejamento e colher o que o dia oferece. Isso parece óbvio, mas nem sempre é fácil, principalmente se a gente chega em cima da hora. Felizmente aquele tempinho extra antes do dia clarear acabou sendo providencial para baixar a adrenalina e eliminar qualquer  expectativa. No finalzinho o vento começou a limpar a névoa e surgiram pequenas colinas que pareciam ilhas. 

(foto de Miguel Berredo)

(foto de Miguel Berredo)

Essas colinas envoltas em névoa me renderam uma foto que eu curti muito.

(clique na foto para ampliar)


Turma aberta para o Workshop de Fotografia de Montanha dos dias 16 e 17 de maio.


segunda-feira, 9 de março de 2015

Caçando a Lua Cheia de Março


Todo mês, quando vai chegando a lua cheia, um amigo chamado Miguel Berredo me convoca para para o nascer ou por da lua numa montanha. Miguel é budista e a lua cheia é um evento especial no budismo.

Nesses  primeiros dias de março o tempo estava bem interessante. Pancadas de chuva, muitas nuvens, luz bonita e mudando rápido. Fiz meus estudos no aplicativo The Photographers Ephemeris e vi que o Alto da Ventania seria uma boa opção para o nascer da lua a tarde.


(Na imagem acima a lua cheia - linha azul claro - nasceria um pouco à esquerda do Pico Maior de Magé - clique para ampliar)

Os horários eram interessantes: Lua cheia nascendo às 18:12h e o sol se pondo às 18:17h. Não era perfeito, pois a lua nasceria com o dia ainda muito claro e provavelmente a luz só equilibraria algum tempo após o por do sol, com a lua já distante da linha do horizonte. Mas não custava arriscar.

Fiz um convite pelo grupo do Facebook "Fotógrafos de Montanha". Alguns amigos se interessaram, mas realmente só o Miguel podia ir.

Antes de ir dormir, avaliei como seria o por da lua, na parte da manhã.

(Lua cheia - linha azul escuro - se pondo ao lado do Pico do Congonhas - clique para ampliar)

Na parte da manhã não tinha muito tempo. Teria que ser um "bate e volta" de carro. No The Photographers Ephemeris constatei que da pista de voo livre do Parque São Vicente veria a lua cheia se por bem ao lado do Pico do Congonhas. A combinação de horários também era interessante: Lua cheia se pondo às 5:35h e o sol nascendo às 5:50h. Na prática a lua ia se por sobre as montanhas e isso indicava que o evento ia adiantar um pouco.

No dia da lua cheia madruguei e parti para o Parque São Vicente. A lua cheia estava linda e o céu estava limpo. Montei o equipamento e fui fotometrando a lua e fazendo alguns cliques. Tudo muito escuro ainda. Nada da luz equilibrar. Nas fotos só aparecia a lua.

Dei uma relaxada e fiz um registro do Maciço do Gericinó, parecendo uma ilha cercada de luzes.


(Clique para ampliar)

A lua ia descendo, já tocando a montanha. E nada da luz equilibrar. Só consegui um registro da lua com o perfil da montanha visível no último momento. Acabou ficando uma foto bastante difícil de tratar por conta do ruído. Mas fiz meu registro e, principalmente, curti o momento.


O dia clareou e eu voltei pra casa. Corri para desenroscar meus compromissos para poder subir o Alto da Ventania a tarde.

Eu costumo fazer meus planejamentos de tempo para sempre ter meia hora de margem entre a chegada na locação e o início das fotos. Mas dessa vez resolvi deixar uma margem maior. A inspiração foi o texto abaixo, do ótimo livro The Photographer's Coach, do autor e fotógrafo Robin Whalley:

"When in such wonderful locations it's all too easy to be overtaken by the need to take the photographs whilst the light and conditions are good. This can lead to feelings of urgency. This is not a good frame of mind from which to be shooting scenes of beauty and tranquility. A better approach would be to turn up at a location early and spend some time just enjoying the area and surveying the scene. I don't even mean surveying the scene to identify the best shooting position; I mean simply walking around to enjoy the moment whilst resisting the urge to take pictures. When you are ready to begin you will know it. You will also find a better understanding of the image you want to create and the emotion you want to convey."

Nos encontramos às 15:00 horas em Petrópolis e fomos de carro para o Caxambu. Por volta das 15:30 começamos a subida e lá pelas 16:45 estávamos no cume. Tínhamos pelo menos uma hora e meia para relaxar, curtir, avaliar a situação e escolher enquadramentos.


Do cume logo identificamos que do lado onde nasceria a lua cheia tinha muitas nuvens.Fizemos um lanche e decidimos que era melhor ir para o Contraforte Noroeste, de onde teríamos vista tanto para o por do sol quanto para o lado do nascer da lua.


(foto de Miguel Berredo)

Apesar de estar sol, a gente ouvia sons de trovão e sentia um "ventinho de chuva" vindo do leste. A formação de nuvens sobre a Serra dos Órgãos parecia ser o elemento mais promissor para as fotos. Nessas horas não pode ter ideia fixa. Abandonamos o sol e a lua e começamos a pensar nas composições com as nuvens.


A tarde ia passando tranquila. Como foi bom ter vindo cedo!

A hora do por do sol ia chegando e as nuvens iam mudando de forma e cor, num belo espetáculo da natureza.




Com as últimas luzes do sol consegui fazer uma foto bem bacana:


Depois começamos a arrumar nossas coisas para descer. Já estava com a câmera na mochila quando a lua cheia apareceu sobre as nuvens. Com a lua já bem alta não dava para inventar grandes composições, mas eu fiz um registro.


Uma curiosidade é que essa condição especial de luz e nuvens que pegamos no Alto da Ventania acabou sendo talvez o prenúncio de um lindo halo em torno do sol no dia seguinte, registrado por vários fotógrafos em Petrópolis. Eu já estava viajando a trabalho e não vi.


(Fotos 1 e 2: Raul Leal, foto 3: Luiz Felipe Ferreira Sanseverino, Foto 4: Selma Rebéque, foto 5: Suellyn Carvalho, foto 6: Thiago Braga, foto 7: Sandro Sodré, foto 8: Lucas Gonçalves, foto 9: Ederson Lobo - Fotos publicadas no Portal Acontece em Petrópolis)

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

A Noite da Super Lua no Morro Açu


A última super lua de 2014 seria na noite de segunda para terça feira, no início de setembro. Não tinha certeza se conseguiria adiantar as questões de trabalho para tirar dois dias para uma subida ao Açu, mas fiz minhas compras e deixei tudo meio engatilhado.

Fiz meus estudos no The Photographers Ephemeris e anotei as informações importantes:


Tarde de segunda feira:
  • Nascer da Lua Cheia: 17:28 a 94,0º
  • Por do Sol: 17:43 a 275,6º
(clique na imagem para ampliar)


Manhã de terça feira:
  • Nascer do Sol: 5:55 a 84,6º
  • Por da Lua Cheia: 6:02 a 268,7º
(clique na imagem para ampliar)


No domingo a noite resolvi realmente ir e comecei a arrumar a mochila. Acordei cedo na segunda feira e fui para a Sede do Bonfim do Parque Nacional da Serra dos Órgãos. Deixei o carro na Dona Maria e iniciei a caminhada às 8:50.

Com a trambolhada de fotografia a mochila fica sempre pesada, mas o tempo meio nublado deixou a caminhada bem agradável. A trilha estava bem aberta e com visíveis trabalhos de manutenção. Na longa subida do Queijo reparei a recuperação da mata que aos poucos vai deixando essa parte da trilha mais sombreada. Um alento aos montanhistas.

Passei batido pelo Queijo e continuei minha tocada morro acima. Estava subindo devagar mas em ritmo bem constante. Mais um tempo caminhando e cheguei no Ajax, onde finalmente baixei a mochila e fiz um lanche. 

Na subida da Isabeloca uma bela surpresa. Um trabalho de manutenção recuperou a subida original, mais suave e chegando no Marco do Chapadão. Nos próximos dias o trabalho será concluído com o fechamento dos atalhos.

O tempo começou a abrir. Fui caminhando pelo Chapadão e constatei também que muitos marcos foram refeitos, usando um tipo de cimento. O tempo começava a abrir e a tarde prometia.

Pouco antes das 14:00 horas cheguei no Açu, completando 5 horas de subida.


Pensei que estava sozinho, mas constatei que tinha pelo menos um grupo na área de camping e um outro grupo no abrigo. Montei minha barraca num pequeno platô por trás do mirante, um lugar isolado e tranquilo. Abasteci o cantil e fui preparar meu almoço: Miojo com sardinha e queijo ralado.

Barriga cheia... montei a mochila só com o equipamento de fotografia e fui caminhar. Fui para os lados do Chapadão para tentar encontrar um ponto para fotografar a lua cheia nascendo por trás dos Castelos do Açu. Mas exatamente no ponto onde a lua ia nascer estava nublado. Abortei essa ideia e voltei rapidamente para o cume do Açu.

Explorei um pouco o cume e encontrei um bonito arbusto com folhas avermelhadas na encosta voltada para o Vale do Bonfim. Neste local não teria visão para a lua, mas achei que valia a pena ficar ali. Fiz minha escolha: Abandonei a lua e fiz minha foto do por do sol.


Quando voltei para o acampamento a lua já estava alta e o contraste não permitia compor com outros elementos. Uma lua realmente linda, que vai ficar apenas na memória.

Voltei para o acampamento para planejar as fotos do amanhecer. A lua ia se por no oeste, numa região sem grandes atrativos de relevo. E eu queria fotografar a Serra dos Órgãos de uma crista no caminho do Pico do Eco, onde teria uma visão mais aberta dos picos. Mais uma vez decidi abandonar a lua e apostar no lado do sol.

Parti para uma rápida caminhada noturna para relembrar o início da trilha do Pico do Eco e depois voltei para preparar um chá no acampamento. A luz da lua era tão intensa que eu arrisquei uma longa exposição das montanhas iluminadas pelo luar. Esse acabou sendo o meu único registro (indireto) da super lua. Depois fiquei ali contemplando o silêncio e o visual...


Hora de dormir. Botei o despertador para as 4:45 e fui descansar.

Na terça feira o dia amanheceu bem limpo, sem nuvens. Me arrumei rapidamente e fui caminhando, ainda no escuro, até o ponto que eu tinha escolhido para fazer as fotos. A lua cheia já ia se escondendo por trás do Açu. Eu tinha feito minha escolha e me concentrei no lado do nascer do sol.

Depois de uma rápida caminhada cheguei num lajão e comecei a montar o equipamento. Com o céu sem nuvens as primeiras fotos ficaram sem graça e com muito contraste. Experimentei uma foto sem o céu no enquadramento e gostei bastante.


 Mas logo que o sol nasceu eu constatei que tinha uma camada de névoa na altura dos picos mais baixos. O sol frontal complicava tudo, mas eu consegui evitar o flare usando o timer de 10 segundos e indo para a frente da câmera para sombrear a lente com a mão. 



Dever cumprido, voltei para o acampamento para tomar um café da manhã e me preparar para o retorno. A descida, sob sol forte, foi mais sofrida. Não percebi na hora, mas estava ficando gripado.

Fechei minha aventura tomando umas cervejas e comendo a deliciosa comidinha feita no forno a lenha do Bar do Tourinho.


terça-feira, 12 de agosto de 2014

Esperando a Super Lua


Fazia tempo que não saia para fotografar a lua cheia. Em algumas oportunidades não pude ir, e em outras o mau tempo não deixou. Mas a lua de agosto seria a supermoon, a nossa "super lua".

"Em astronomia, chama-se superlua ou superlua cheia a ocasião na qual a lua cheia se situa a não mais de 10% do seu ponto mais próximo da Terra no percurso da sua órbita (o perigeu). Isto acontece devido à órbita lunar ser elíptica e o seu centro não coincidir com o centro da Terra. Nos referidos casos, por estar mais próxima da Terra, apresenta-se maior e mais brilhante que o normal" Fonte: Wikipédia

O tempo nem estava muito bom no sábado, mas com a previsão de melhora no domingo achei que valia a pena arriscar. Convidei alguns amigos e confirmaram presença o Flávio Varricchio, Isabelle Isnarriaga, Miguel Berredo, Fernando Brandão, Marcos Guimarães, e Karine Guimarães.

Dei uma estudada no The Photographers Ephemeris e vi que o Alto da Ventania seria uma boa escolha. A lua cheia nasceria um pouco a direita do Pico Maior de Magé.

(A linha do nascer da Lua é a azul clara - clique na imagem para ampliar)

Por do Sol: 17:34 a 286,4º
Nascer da Lua: 17:41 a 101,5º

Com esses dados fizemos nosso planejamento reverso:

Por do sol e nascer da lua: 17:30
Chegada no cume do Alto da Ventania: 17:00
Início da caminhada: 15:30
Encontro em Petrópolis: 15:00

Planejamento feito e seguido a risca, pouco antes das 17:00 horas estávamos no cume do Alto da Ventania escolhendo os enquadramentos e montando o equipamento. O tempo tinha melhorado. Era uma linda tarde de inverno.

(foto feita com a câmera do Iphone 4)

(foto de Isabelle Isnarriaga)

O sol se pôs, mas todo mundo estava virado pro leste onde a lua ia nascer. O vento aumentava a sensação de frio.

(foto de Miguel Berredo)

(foto de Marcos Guimarães)

Já era hora da lua nascer. O vento incomodava um pouco e tornava complicado fotografar com a teleobjetiva. Pendurei a mochila no tripé para ver se estabilizava um pouco.

Na hora prevista nada da lua aparecer. Ela estava escondida por traz de uma camada de nuvens na linha do horizonte. Mas mesmo sem lua o visual era muito bonito.


Quando a lua apareceu já estava um pouco alta, e já tínhamos perdido a luz ideal para equilibrar a luminosidade da lua com a da paisagem. Montei rapidamente um filtro graduado e consegui minha foto. 


Nossa super lua de 2014 foi difícil de fotografar, mas muito bonita de ver. Como terminamos as fotos bem tarde, acabamos não fazendo a tradicional foto do grupo. Fica para uma próxima. 

Ao final fizemos uma descida de montanha noturna sob a luz da super lua.


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