sexta-feira, 3 de maio de 2013

Acampando no Alto da Ventania


Já tinha um tempo que eu pensava em passar uma noite estrelada na montanha. Faltava só o tempo firmar um pouco.

Queria levar o equipamento fotográfico e testar umas ideias, algo na linha de inserir a barraca nas fotos de paisagem, algo que mostrasse a curtição de um acampamento solitário em montanha.

Esse início de maio estava com dias especialmente bonitos, mas minha agenda de trabalho estava cheia. Foi só um cliente ligar desmarcando uma viagem e eu montei minha mochila e parti para o Alto da Ventania, montanha que fica na Serra da Estrela.


Comecei a caminhada cedo, logo após o almoço. Queria chegar no cume com bastante tempo para escolher o local de acampamento e fotos.

O Alto da Ventania é uma montanha ampla, formada por três cristas com rochas e vegetação baixa. Um lugar muito bonito e com várias possibilidades para fotografia. Como o lado sudeste da montanha estava envolto em névoa, acabei decidindo ir para a formação de rochas que fica no final da crista noroeste. Ficaria de frente para o por do sol e ainda teria uma boa vista para o nascer do sol se o tempo abrisse.

Cheguei no final da crista, um lugar que parece o topo de uma torre, um pequeno espaço cercado de pedras. Como o objetivo era fotografar, fiquei imaginando vários enquadramentos antes de decidir como montar a barraca. Decisão tomada, deixei a tralha toda lá e fui até o outro extremo da montanha pegar água numa fonte.

Silêncio total... é tensa e ao mesmo tempo gostosa a sensação de estar sozinho numa montanha ao entardecer.

Voltei para a minha "torre" e fiquei esperando o entardecer para fazer as primeiras fotos. Na "hora mágica" a calmaria dá lugar a um corre-corre para fazer os enquadramentos e ajustes com a luz mudando rápido.




Escureceu. Me agasalhei, preparei um chá quente e me concentrei para fazer as minhas experiências com a barraca iluminada. Fotometra, testa enquadramento, ajusta a posição da lanterna na barraca, liga o timer, corre para a pedra... depois de algumas tentativas começou a dar certo...


Depois veio a parte das estrelas. Fiz alguns testes com ISO bem alto para chegar na fotometria. Daí pra frente era fazer conta e deixar a câmera em "bulb" por vários minutos. Nessa hora descobri que passa tanto avião pelos céus de Petrópolis que é impossível fazer um rastro de estrelas sem um avião riscando o céu. A única foto que eu consegui era uma foto horizontal que eu tive que cortar vertical para tirar um rastro de avião.


Desisti dos rastros e fiz mais algumas fotos.




Nota: repare a constelação de Escorpião, ocupando a metade direita do céu, A estrela Antares, uma super gigante vermelha, é o coração do Escorpião. Antares é 700 vezes maior do que o sol e é uma das maiores estrelas conhecidas. Seu nome deriva de Anti-Ares (anti-Marte), por ser um estrela vermelha que rivaliza com o planeta vermelho. A coloração vermelha de Antares é visível a olho nu.




A noite estava linda, mas serenava bastante. Apesar do céu limpo não fazia muito frio. Mas eu já tinha esgotado minhas ideias e resolvi que era hora de descansar. Fui pra a barraca, li um pouquinho no meu Kindle e depois dormi.

A madrugada gelada descarregou a bateria do meu celular e o despertador não tocou. Eu até acordo cedo naturalmente, mas quando saí da barraca faltava pouco para o nascer do sol. Queria ter iniciado as fotos um pouco mais cedo, mas já estava feliz com as fotos da noite. O que viesse nessa manhã já seria lucro.


Com o dia claro preparei meu café da manhã - chocolate quente e sanduíche de queijo com peito de peru. Fui desmontando acampamento sem pressa.


Mochila nas costas, missão cumprida, me despedi da minha "torre" e peguei a trilha de volta pra casa curtindo o visual desse pedacinho especial da Serra da Estrela.






Workshop de Fotografia de Montanha. Clique no link para mais informações: http://amagiadamontanha.blogspot.com.br/2012/10/i-workshop-de-fotografia-em-montanha.html

sábado, 13 de abril de 2013

A Incerteza na Fotografia de Montanha

(clique na foto para ampliar)

Um dos grandes dilemas da fotografia de montanha é a incerteza.

Você pode simplesmente sair por aí com a câmera na mão "colhendo" o que a natureza te oferece. É até possível fazer fotos boas assim.

Mas quando você começa a observar a luz ao longo do dia, ou ao longo das estações do ano, os tipos de formações de nuvens, as florações da árvores, etc., você pode começar a planejar as fotos, aumentando muito as chances de fazer uma grande foto.

Em dias limpos, comuns no inverno, é possível fazer planejamentos super detalhados com alto grau de acerto. Mas nem sempre esses dias de céu azul rendem as melhores fotos. Fotos com céu limpinho tendem a ser monótonas.


Já nos dias de tempo mais incerto é até possível fazer algum planejamento. Quando as coisas dão certo é nesses dias que fazemos as grandes fotos. Um céu carregado, raios de sol, nuvens nas mais variadas formas, luzes e sombras... a natureza que nos encanta e até nos assombra.

(clique na foto para ampliar)

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Mas nessas condições muitas vezes acabamos voltando para casa sem foto alguma, quando não voltamos molhados, enlameados, com frio...

Cabe ao fotógrafo de montanha ter a sabedoria para lidar com essa incerteza, comemorando como um prêmio as grandes fotos, ou comemorando estar na montanha com os amigos quando as fotos não são possíveis.

(Flávio Varricchio, Jorge Goettnauer, Caio Garin e Waldyr Neto)

A foto acima foi tirada no Alto da Ventania, uma montanha que fica na Serra da Estrela, Petrópolis. Iniciamos a subida numa madrugada de sexta para sábado neste outono. A entrada de uma frente fria e o nascer do sol sobre as montanhas da Serra dos Órgãos poderiam render algumas boas fotos. Arriscamos... mas ao chegarmos no topo entramos numa nuvem. Visibilidade zero. Sentamos numa pedra e ficamos curtindo o silêncio até o dia clarear.

Na busca das grandes fotos de montanha é preciso arriscar. Quando dá certo vale por todas as vezes em que não deu.

E no fim das contas estar na montanha com os amigos ainda é o que realmente vale a pena.


Gostou do texto? Quer saber mais sobre o planejamento de fotografias de paisagem?


domingo, 25 de novembro de 2012

Abraço na Serra dos Órgãos - Oficial

 *Clique na imagem para ampliar *
Linha verde: limite do Parque Nacional da Serra dos Órgãos
Linha vermelha: circuito de 126km que dá a volta no Parque.

Neste dia 24 de novembro aconteceu o primeiro Abraço na Serra dos Órgãos, evento que deve passar a fazer parte do calendário de eventos do Parque Nacional da Serra dos Órgãos. Abaixo o relato.

Relato:

Choveu bastante na madrugada na Serra. Mesmo assim parti para o Mirante do Soberbo, em Teresópolis. Depois da forte chuva tivemos um lindo amanhecer.


A turma foi chegando e se preparando para a partida. Tudo molhado, fazia frio e ventava bastante. Mas a galera estava animada.


(Foto de Patrícia Rosana Limoeiro)

Eu e Fred (Frederico Pimentel, representante do Parque Nacional da Serra dos Órgãos) fizemos uma rápida palestra explicando o trajeto e combinando os pontos de reunião do grupo. Às 7:20 partimos. 33 ciclistas, um carro de apoio do Parque, uma equipe de filmagem e um carro do Corpo de Bombeiros de Teresópolis.

O início foi bem tranquilo. Com piso ainda molhado cruzamos o centro de Teresópolis e seguimos para a subida da serra para Itaipava. Logo no começo da subida a turma já estava tirando os casacos e cada um foi encontrando sua própria cadência para encarar os mais de 8km de subida.

Na metade da subida fizemos uma rápida parada numa fonte para abastecer as garrafinhas. O sol já estava forte, um lindo dia...

(Foto de Leonardo Holderbaum)

No topo da serra registramos orgulhosos a sinalização solicitando respeito aos ciclistas.

(Foto de Leonardo Holderbaum)

Iniciamos animados a longa descida. Logo no início um susto: Uma das meninas passou reto numa curva molhada e foi parar o mato. Mas foi só um susto, com direito a uns ralados e hematomas. O grupo seguiu em frente até o primeiro ponto de reunião, o Mirante da Itaipava - Teresópolis.


(Foto de Patrícia Rosana Limoeiro)

Desse ponto a equipe dos Bombeiros voltou para Teresópolis e nós seguimos em frente.



Depois de 12km de descida e mais um trecho plano chegamos a Itaipava. Já tínhamos pedalado 42km, um terço do percurso total. O grupo estava bem, o tempo estava bom e nosso tempo de pedal estava dentro do programado. Fizemos um lanche e seguimos pedalando.

O trecho até Petrópolis foi em ritmo forte. A chegada à Catedral São Pedro de Alcântara foi bastante comemorada.


Mais um lanche e muitas fotos. Baixamos a calibragem dos pneus e partimos pelas ruas do Centro de Petrópolis. A grande quantidade de bicicletas ocupando toda a largura das Ruas Imperatriz, Imperador e Paulo Barbosa foram um show a parte, chamando a atenção das pessoas que passavam na rua. Fizemos uma rápida reunião no Alto da Serra e partimos para a descida de paralelepípedos da Serra Velha.

(Foto de Leonardo Holderbaum)

Cada um foi no seu ritmo e aos poucos a turma foi chegando na Sorveteria Kunthy, na localidade de Fragoso, já em Magé. Como mais de 80km, já estávamos com dois terços do pedal. Fizemos ali o nosso almoço e uma longa pausa. O calor agora estava infernal e era difícil imaginar retomar a pedalada nessas condições.


(Foto de Patrícia Rosana Limoeiro. Nessa foto aparece o meu sobrinho Gabriel, que mora em Fragoso e almoçou com o grupo)

Por volta das 14:00 horas resolvemos seguir em frente. A ideia era pegar leve num trecho plano de uns 30km até Parada Modelo, no pé da Serra de Teresópolis. Seguimos por algumas ruas de Fragoso e pegamos a Estrada Municipal, que segue beirando a serra.


Mas o calor estava surreal e subia do asfalto. Até o vento era quente. Comecei a pedalar com ânsia de vômito e percebi que todo o grupo estava mal. Passamos por Cachoeira Grande e depois Rio do Ouro, onde descobrimos um sítio com um poço e uma ducha. Era inviável continuar. Interrompemos a pedalada para um bom descanso no sítio. Entramos todos na ducha várias vezes de roupa e tudo e fomos nos recuperando.

Por volta das 15:00 tentamos retomar a pedalada. Com as roupas molhadas o vento refrescava um pouco mais. Mas mesmo assim essa puxada até Parada Modelo foi bastante sofrida.

Em Parada Modelo paramos para um lanche num posto. Com cerca de 110km pedalados faltava só a subida da serra de Teresópolis. Por sorte o tempo estava nublando e a estrada já estava mais sombreada.

De Parada Modelo o grupo foi partindo aos poucos. E para refrescar de vez caiu um belo toró de verão.

Mas a chuva veio forte demais. Raios, rajadas de vento, galhos caindo, muita água descendo pela pista... A natureza estava dando um show... e a gente ali pedalando serra acima. Cheguei a comentar com o Fred: "- Só falta chover granizo...". Minutos depois chovia granizo. Céus! É incrível como tem momentos em que a gente se sente pequeno, frágil. Mas essa adrenalina toda acabou nos dando um ânimo para encarar a longa subida.

No trecho final começou a escurecer. A chuva parou e deu lugar a uma densa névoa. Subimos com nossa lanterninhas na dianteira e pisca-piscas na traseira cortando a neblina e vencendo o cansaço.

Às 19:20 eu cheguei no topo, exatas 12 horas depois da partida. Alguns tinham chegado antes e outros ainda estavam subindo. Encostei a bike e comemorei meu abraço na Serra dos Órgãos.


Logo estávamos todos reunidos. Todos cansados mas bem. Para alguns um bom treino, para outros uma verdadeira superação. Um sentimento de felicidade e dever cumprido tomou conta de todos nós.

Num dia em que a natureza nos colocou a prova com toda a sua intensidade o evento foi um sucesso. Ano que vem tem mais...

terça-feira, 6 de novembro de 2012

No Caminho do Imperador


No início do século XIX já existiam alguns caminhos ligando o Córrego Seco (atual Petrópolis) à Pati do Alferes. Mas com a fundação de Petrópolis em 1843 e a chegada dos colonos alemães em 1845 as autoridades fluminenses decidiram pela abertura de uma estrada carroçavel. O projeto, coordenado pelo engenheiro Oto Reimarus, foi concluido em 1858.

Logo que foi aberto o caminho foi percorrido por Charles Ribeyrolles, que o descreve em seu livro Brasil Pitoresco (1859) como "panoramas que são explendidas pinturas".

As frequentes cavalgadas de D. Pedro II deram origem a o nome dessa estrada: Caminho do Imperador.


Numa tarde meio nublada arrisquei uma ida ao Caminho do Imperador para tentar fotografar uma cachoeira. A mata estava molhada e a luz estava ótima.

Mas à medida em que eu entrava na floresta mais densa o tempo começou a escurecer e a estrada foi sendo tomada pela névoa. Parei para registrar esse bonito momento. Logo em seguida começou a chover forte, adiando meus planos de fotografar a cachoeira. Mas ficou o registro desse fim de tarde com névoa na floresta.

 

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Pico do Congonhas e o Por da Lua



"A good photograph is knowing where to stand" Ansel Adams


A lua cheia de outubro caiu num dia de semana. Meio sem tempo para organizar uma trip fotográfica com os amigos pensei em madrugar, fazer uma foto da estrada e voltar para o café da manhã em casa.

Comecei a analisar o mapinha no TPE e fui "descendo a serra" de Petrópolis até um ponto onde a lua estaria próxima ao Pico do Congonhas. Fui descendo e cheguei à conclusão que a vista perfeita seria no Belvedere. Mas se eu fosse até o Belvedere teria que descer toda a serra para retornar. Acabei decidindo fazer a foto logo na entrada do retorno do Belvedere, uma pista com pouco movimento e praticamente como o mesmo ângulo em relação ao Congonhas e a Lua.

(clique na imagem para ampliar)

Na imagem acima a gotinha vermelha é o ponto planejado para eu fazer as fotos. As linhas azuis são as linhas da lua (azul claro = nascer da lua; azul escuro = por da lua) e as outras são as linhas do sol (linha amarela = nascer do sol; linha laranja = por do sol). A setinha vermelha, que eu incluí manualmente, indica o Pico do Congonhas

O sol nasceria às 6:09, e a lua ia se por às 6:28. Não parecia muito promissor, mas como a região é toda montanhosa, dava para prever que a lua se esconder por trás das montanhas um pouco antes, com o dia ainda escurinho.

Cheguei cedo, montei o tripé e fiquei curtindo o visual. A lua ainda alta estava e com brilho intenso, impossível de equilibrar com as montanhas escuras. Quando a luz começou a equilibrar a lua se escondeu nas nuvens. Achei que a saída estava perdida e pensei em ir me arrumando para ir embora.

Mas na última hora a lua surgiu por baixo das nuvens e eu consegui a minha foto.

(clique na foto para ampliar)

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Mapeando o Abraço na Serra dos Órgãos


Durantes as caminhadas da 1ª Expedição Caminhos da Serra do Mar surgiu a idéia de um pedal circundando a Serra dos Órgãos. A galera do Parque - Fred, Ivan, Léo Holderbaum - já estava pensando em batizar esse circuito de Abraço na Serra dos Órgãos. Faltava mapear esse circuito para avaliar o grau de dificuldade. Acabei encarando essa empreitada e fiz o circuito todo marcando no GPS.

Importante: No plano original o Abraço começa e termina na sede do Parque, em Teresópolis. Mas como moro em Petrópolis comecei e terminei no Alto da Serra, pertinho de casa.

A primeira parte é a descida da Serra Velha. 800m de desnível em paralelepipedo. Descida rápida, mas um pouco cansativa pois a bike vai socando no piso irregular. Fiz todo o circuito com pneus bem cheios, mas aqui talvez seja melhor baixar um pouco a calibragem.

Descida a Serra, começa um longo e rápido trecho praticamente no nível do mar - Raíz da Serra, Fragoso, Cachoeira Grande, Rio do Ouro, Santo Aleixo, Parada Modelo, Guapimirim. Em Santo Aleixo temos uma linda vista da Serra dos Órgãos



A partir da entrada de Guapimirim começa a subida da Serra de Teresópolis. A inclinação não é tão forte, mas a longa subida acaba sendo bem desgastante. Esse é o trecho mais cansativo do Abraço. A chegada no topo da Serra é uma vitória.


Vencida a Serra, o caminho passa pela sede do Parque Nacional da Serra dos Órgãos e depois atravessa a cidade de Teresópolis. Esse trecho é um curto descanso até a próxima subida, na estrada que liga Teresópolis a Itaipava. Essa subida é um pouco mais inclinada, mas é mais curta e com alguns trechos sombreados. Considerando que no trecho de Magé e Guapimirim se está praticamente ao nível do mar, é impressiontante chegar ao topo dessa subida a 1.430m de altitude.

A descida é espetacular, com bom piso e muitas curvas. É fácil manter velocidades acima dos 50km/h durante os impressionantes 12km de descida. O grande momento do dia.


No final dessa estrada se chega a Itaipava, com boas opções de lanche. A partir daí o caminho segue subindo a Estrada União e Indústria rumo a Petrópolis. O trecho é rápido e a subida não assusta. Após passar pelo Centro Histórico de Petrópolis o caminho chega ao Alto da Serra completando o Abraço na Serra dos Órgãos.

Dados desse circuito mapeado:
  • Distância: 126km
  • Elevação acumulada (soma das subidas) 1.842m verticais
  • Tempo total, incluíndo paradas: 10:30 horas
  • Tempo de pedal: 8:15 horas
Enfim, um circuito bonito mas um pouco exigente, como mostra a altimetria:


terça-feira, 2 de outubro de 2012

Um Lindo Amanhecer no Morro do Bonet


Recentemente estive com um grupo de amigos no Alto da Ventania para ver o nascer da lua cheia. Foi uma tarde linda com por do sol e nascer da lua quase simultâneos. Mas com o céu com poucas nuvens acabamos não fazendo fotos tão marcantes. Essa valeu mais pela aventura e pelos momentos com bons amigos. Em fotografia de montanha temos um dilema: Em dias muito limpos temos a certeza de ver o nascer ou o por do sol, mas raramente fazemos fotos realmente boas. As grandes fotos acontecem quando se arrisca uma subida com tempo incerto, em saídas ou entradas de frentes frias ou tempestades. Nesses dias temos um alto grau de incerteza, pois podemos entrar numa nuvem ou até pegar chuva na montanha. Muitas vezes voltamos pra casa sem foto nenhuma. Mas quando a gente consegue umas fotos... essas sim acabam valendo o esforço.

Essa subida ao Morro do Bonet começou com um pedido do Miguel Berredo, um dos participantes da excursão do Alto da Ventania. A ideia original era assistir o por da lua cheia e o nascer do sol, eventos que iam acontecer com um minuto de diferença na manhá de domingo, dia 30 de setembro. Fiz meus estudos no The Photographers Efemeris e escolhi o Morro do Bonet, que teria visão aberta para os dois eventos além da vista para as luzes da cidade do Rio de Janeiro.


Montanha escolhida, faltava fazer o planejamento reverso:
  • Nascer do Sol: 5:32 à 93,6º
  • Por da Lua: 5:31 à 278,1º
  • Chegada ao cume do Morro do Bonet: 4:45
  • Início da caminhada: 4:15
  • Encontro do grupo em Petrópolis: 3:30
Convidei os amigos para esse verdadeiro "programa de índio" e acabaram indo o Miguel Berredo e o Arthur Mariano. O Flávio Varricchio, que não costuma ficar de fora dessas aventuras, estava viajando.

Na madrugada de sábado para domingo nos encontramos e fomos seguindo a programação. Ainda no carro pegamos muita névoa. Chegamos a achar que não teríamos vista na montanha. Mas quando chegamos na entrada da trilha já estávamos fora da névoa e vimos que o céu estava com vários tipos de nuvens. O dia prometia...

Subimos rapidamente e chegamos no cume do Bonet. Ainda estava bem escuro e nós ficamos um tempo nas rochas voltadas para oeste, vendo a lua cheia descendo entre as nuvens. Não era uma vista bonita e ainda não dava para fotografar, pois o contraste era grande. Olhei para leste e vi as primeiras nuvens ficando avermelhadas sobre a Serra dos Órgãos. As cores estavam tão intensas que era óbvio que o show seria daquele lado. Carregamos nossas tralhas e nos acomodamos no lado leste da montanha.

Montei a câmera no tripé e fiz 15 fotos verticais, varrendo 180º da paisagem, desde a Serra dos Órgãos até cobrir toda da cidade do Rio de Janeiro. Depois relaxei e comecei a curtir o visual e fazer algumas fotos usando os filtros graduados. Miguel também começou a clicar e o Arthur ficou ali curtindo aquele visual.


Com o corpo esfriando da caminhada começamos a sentir muito frio. Era hora de tirar a casacada da mochila. As luzes e as nuvens mudavam o tempo todo e cada foto tinha tonalidades bem diferentes das anteriores.

(Arthur Mariano, Miguel Berredo e eu)



As nuvens cobriam todo o céu. Do lado oposto ao nascer do sol tinha uma impressionante formação de nuvens cirrus. O curioso é que na nossa altitude praticamente não tinha vento.


O dia clareou e tentamos nos aquecer um pouco com o calor do sol. Fizemos um rápido lanche e começamos a nos arrumar para descer. Na última hora acabei montando o equipamento todo de novo para registrar a última visão das montanhas, com uma luz bem quente.


Em casa comecei a arrumar as fotos e fiquei muito feliz com o resultado daquela panorâmica feita às pressas na chegada ao cume.


Numa saída meio despretensiosa e com tempo incerto acabamos testemunhando um grande show da natureza.

Workshop de Fotografia de Montanha - http://amagiadamontanha.blogspot.com.br/2012/10/i-workshop-de-fotografia-em-montanha.html