terça-feira, 30 de outubro de 2012

Pico do Congonhas e o Por da Lua



"A good photograph is knowing where to stand" Ansel Adams


A lua cheia de outubro caiu num dia de semana. Meio sem tempo para organizar uma trip fotográfica com os amigos pensei em madrugar, fazer uma foto da estrada e voltar para o café da manhã em casa.

Comecei a analisar o mapinha no TPE e fui "descendo a serra" de Petrópolis até um ponto onde a lua estaria próxima ao Pico do Congonhas. Fui descendo e cheguei à conclusão que a vista perfeita seria no Belvedere. Mas se eu fosse até o Belvedere teria que descer toda a serra para retornar. Acabei decidindo fazer a foto logo na entrada do retorno do Belvedere, uma pista com pouco movimento e praticamente como o mesmo ângulo em relação ao Congonhas e a Lua.

(clique na imagem para ampliar)

Na imagem acima a gotinha vermelha é o ponto planejado para eu fazer as fotos. As linhas azuis são as linhas da lua (azul claro = nascer da lua; azul escuro = por da lua) e as outras são as linhas do sol (linha amarela = nascer do sol; linha laranja = por do sol). A setinha vermelha, que eu incluí manualmente, indica o Pico do Congonhas

O sol nasceria às 6:09, e a lua ia se por às 6:28. Não parecia muito promissor, mas como a região é toda montanhosa, dava para prever que a lua se esconder por trás das montanhas um pouco antes, com o dia ainda escurinho.

Cheguei cedo, montei o tripé e fiquei curtindo o visual. A lua ainda alta estava e com brilho intenso, impossível de equilibrar com as montanhas escuras. Quando a luz começou a equilibrar a lua se escondeu nas nuvens. Achei que a saída estava perdida e pensei em ir me arrumando para ir embora.

Mas na última hora a lua surgiu por baixo das nuvens e eu consegui a minha foto.

(clique na foto para ampliar)

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Com chuva a floresta é mais bonita


Com chuva a floresta fica mais bonita, nos dando boas oportunidades para fotografar. As cores ficam intensas e os reflexos podem ser tirados com um filtro polarizador. A luz é mais difusa, uniforme, revelando detalhes. Nada daquelas entradas de sol que até parecem bonitas ao nosso olhar, mas que o sensor da câmera não consegue administrar. Difícil manter o equipamento seco, mas com cuidado e criatividade dá para registrar esses momentos. Fotografar a mata em um dia chuvoso é ótimo, mas melhor ainda é ficar ali em silêncio observando o movimento das águas, os sons, os cheiros...


terça-feira, 9 de outubro de 2012

Mapeando o Abraço na Serra dos Órgãos


Durantes as caminhadas da 1ª Expedição Caminhos da Serra do Mar surgiu a idéia de um pedal circundando a Serra dos Órgãos. A galera do Parque - Fred, Ivan, Léo Holderbaum - já estava pensando em batizar esse circuito de Abraço na Serra dos Órgãos. Faltava mapear esse circuito para avaliar o grau de dificuldade. Acabei encarando essa empreitada e fiz o circuito todo marcando no GPS.

Importante: No plano original o Abraço começa e termina na sede do Parque, em Teresópolis. Mas como moro em Petrópolis comecei e terminei no Alto da Serra, pertinho de casa.

A primeira parte é a descida da Serra Velha. 800m de desnível em paralelepipedo. Descida rápida, mas um pouco cansativa pois a bike vai socando no piso irregular. Fiz todo o circuito com pneus bem cheios, mas aqui talvez seja melhor baixar um pouco a calibragem.

Descida a Serra, começa um longo e rápido trecho praticamente no nível do mar - Raíz da Serra, Fragoso, Cachoeira Grande, Rio do Ouro, Santo Aleixo, Parada Modelo, Guapimirim. Em Santo Aleixo temos uma linda vista da Serra dos Órgãos



A partir da entrada de Guapimirim começa a subida da Serra de Teresópolis. A inclinação não é tão forte, mas a longa subida acaba sendo bem desgastante. Esse é o trecho mais cansativo do Abraço. A chegada no topo da Serra é uma vitória.


Vencida a Serra, o caminho passa pela sede do Parque Nacional da Serra dos Órgãos e depois atravessa a cidade de Teresópolis. Esse trecho é um curto descanso até a próxima subida, na estrada que liga Teresópolis a Itaipava. Essa subida é um pouco mais inclinada, mas é mais curta e com alguns trechos sombreados. Considerando que no trecho de Magé e Guapimirim se está praticamente ao nível do mar, é impressiontante chegar ao topo dessa subida a 1.430m de altitude.

A descida é espetacular, com bom piso e muitas curvas. É fácil manter velocidades acima dos 50km/h durante os impressionantes 12km de descida. O grande momento do dia.


No final dessa estrada se chega a Itaipava, com boas opções de lanche. A partir daí o caminho segue subindo a Estrada União e Indústria rumo a Petrópolis. O trecho é rápido e a subida não assusta. Após passar pelo Centro Histórico de Petrópolis o caminho chega ao Alto da Serra completando o Abraço na Serra dos Órgãos.

Dados desse circuito mapeado:
  • Distância: 126km
  • Elevação acumulada (soma das subidas) 1.842m verticais
  • Tempo total, incluíndo paradas: 10:30 horas
  • Tempo de pedal: 8:15 horas
Enfim, um circuito bonito mas um pouco exigente, como mostra a altimetria:


terça-feira, 2 de outubro de 2012

Um Lindo Amanhecer no Morro do Bonet


Recentemente estive com um grupo de amigos no Alto da Ventania para ver o nascer da lua cheia. Foi uma tarde linda com por do sol e nascer da lua quase simultâneos. Mas com o céu com poucas nuvens acabamos não fazendo fotos tão marcantes. Essa valeu mais pela aventura e pelos momentos com bons amigos. Em fotografia de montanha temos um dilema: Em dias muito limpos temos a certeza de ver o nascer ou o por do sol, mas raramente fazemos fotos realmente boas. As grandes fotos acontecem quando se arrisca uma subida com tempo incerto, em saídas ou entradas de frentes frias ou tempestades. Nesses dias temos um alto grau de incerteza, pois podemos entrar numa nuvem ou até pegar chuva na montanha. Muitas vezes voltamos pra casa sem foto nenhuma. Mas quando a gente consegue umas fotos... essas sim acabam valendo o esforço.

Essa subida ao Morro do Bonet começou com um pedido do Miguel Berredo, um dos participantes da excursão do Alto da Ventania. A ideia original era assistir o por da lua cheia e o nascer do sol, eventos que iam acontecer com um minuto de diferença na manhá de domingo, dia 30 de setembro. Fiz meus estudos no The Photographers Efemeris e escolhi o Morro do Bonet, que teria visão aberta para os dois eventos além da vista para as luzes da cidade do Rio de Janeiro.


Montanha escolhida, faltava fazer o planejamento reverso:
  • Nascer do Sol: 5:32 à 93,6º
  • Por da Lua: 5:31 à 278,1º
  • Chegada ao cume do Morro do Bonet: 4:45
  • Início da caminhada: 4:15
  • Encontro do grupo em Petrópolis: 3:30
Convidei os amigos para esse verdadeiro "programa de índio" e acabaram indo o Miguel Berredo e o Arthur Mariano. O Flávio Varricchio, que não costuma ficar de fora dessas aventuras, estava viajando.

Na madrugada de sábado para domingo nos encontramos e fomos seguindo a programação. Ainda no carro pegamos muita névoa. Chegamos a achar que não teríamos vista na montanha. Mas quando chegamos na entrada da trilha já estávamos fora da névoa e vimos que o céu estava com vários tipos de nuvens. O dia prometia...

Subimos rapidamente e chegamos no cume do Bonet. Ainda estava bem escuro e nós ficamos um tempo nas rochas voltadas para oeste, vendo a lua cheia descendo entre as nuvens. Não era uma vista bonita e ainda não dava para fotografar, pois o contraste era grande. Olhei para leste e vi as primeiras nuvens ficando avermelhadas sobre a Serra dos Órgãos. As cores estavam tão intensas que era óbvio que o show seria daquele lado. Carregamos nossas tralhas e nos acomodamos no lado leste da montanha.

Montei a câmera no tripé e fiz 15 fotos verticais, varrendo 180º da paisagem, desde a Serra dos Órgãos até cobrir toda da cidade do Rio de Janeiro. Depois relaxei e comecei a curtir o visual e fazer algumas fotos usando os filtros graduados. Miguel também começou a clicar e o Arthur ficou ali curtindo aquele visual.


Com o corpo esfriando da caminhada começamos a sentir muito frio. Era hora de tirar a casacada da mochila. As luzes e as nuvens mudavam o tempo todo e cada foto tinha tonalidades bem diferentes das anteriores.

(Arthur Mariano, Miguel Berredo e eu)



As nuvens cobriam todo o céu. Do lado oposto ao nascer do sol tinha uma impressionante formação de nuvens cirrus. O curioso é que na nossa altitude praticamente não tinha vento.


O dia clareou e tentamos nos aquecer um pouco com o calor do sol. Fizemos um rápido lanche e começamos a nos arrumar para descer. Na última hora acabei montando o equipamento todo de novo para registrar a última visão das montanhas, com uma luz bem quente.


Em casa comecei a arrumar as fotos e fiquei muito feliz com o resultado daquela panorâmica feita às pressas na chegada ao cume.


Numa saída meio despretensiosa e com tempo incerto acabamos testemunhando um grande show da natureza.

Workshop de Fotografia de Montanha - http://amagiadamontanha.blogspot.com.br/2012/10/i-workshop-de-fotografia-em-montanha.html