sexta-feira, 11 de maio de 2018

Aprimorando a Composição com a Regra dos Terços

por Waldyr Neto

Amanhecer na Pedra da Lagoinha, Búzios

Esse é um artigo voltado para os novatos, a turma que quer evoluir dos registros mais simples para as fotos mais elaboradas, mais bem compostas. Aqui eu apresento um conceito e proponho um exercício. Pode soar estranho "fazer exercício" para fotografar melhor, mas não se iluda... fotografia é uma atividade como qualquer outra. Tem que estudar, tem que praticar...

Vamos em frente...

A Forma Natural de Olhar

A primeira questão fundamental é entender que a forma natural de olhar não funciona muito para a fotografia. O olhar é focado, se prende num elemento e dá pouca atenção ao que está em volta. O que está em volta é até percebido pela visão periférica, mas nós não nos preocupamos muito com essas "bordas" no nosso "enquadramento" visual.

Quando começamos a fotografar é comum transportar essa forma natural de olhar para o ato de fotografar. Como resultado temos fotos com tema centrado e com elementos perdidos nas bordas - uma meia pessoa, uma meia casa, um objeto que rouba a atenção.

Para superar essa etapa é preciso treinar o olhar para percorrer todo o enquadramento da foto e dispor os elementos de forma mais harmoniosa, mais agradável ao olhar.


A Regra dos Terços

Caminhada nos penhascos em Pourville - Claude Monet

A regra dos terços vem da pintura. A palavrinha "regra" é sempre perigosa. Melhor entender como um conceito. A ideia é simples... dividimos o enquadramento em terços horizontais e verticais, e usamos essas linhas para encaixar elementos importantes (como as pessoas no quadro acima) ou transições (como a transição entre o mar e o céu). Pode-se acrescentar que os cruzamentos das linhas seriam os pontos mais nobres da foto (repare onde está o guarda-sol vermelho... não é coincidência).

Mas precisa ser tão rígido? Lógico que não... o importante aqui é compreender o conceito... repare que a linha do horizonte no quadro do Monet não está exatamente na linha de terço superior.

Vamos entender como funciona o nosso sub-consciente:

Alguma coisa centrada passa a impressão de estável... e monótona.

Alguma coisa descentrada passa a impressão de instável... e dinâmica.

Quem quer fazer fotos monótonas?

Então aqui podemos dizer que a ideia por trás da regra dos terços é descentrar os elementos. Distribuir os elementos pelo enquadramento.

Amanhecer na região de Três Picos, Teresópolis

O Exercício

O bacana da regra dos terços é que é um conceito bem fácil de entender. E mais... é possível colocar as linhas de terços nos LCDs das nossas câmeras como ajuda. Até smartphones costumam ter as linhas de terços. Basta procurar nas configurações.



Vamos ao nosso exercício...

A ideia é sair por aí fotografando. Pode ser com a câmera ou mesmo com o smartphone. Smartphones são ótimos para treinar composição, pois a gente clica sem se preocupar com as questões técnicas.

A brincadeira é usar os terços na composição, definir onde encaixar os elementos, onde posicionar a linha de horizonte, etc.

Só isso. Simples assim.

Simples, mas tem um objetivo claro. Quando você tem que parar para pensar antes de clicar, quando você se pergunta se a linha do horizonte vai ficar no terço inferior ou superior, quando você se pergunta se a árvore vai ficar no terço direito ou esquerdo... você começa a raciocinar composição. Você começa a dispor os elementos da foto de forma harmônica, complementar, pensando em estética. E você começa a olhar o enquadramento por completo, e não centrado no tema principal.

O objetivo desse exercício é treinar o olhar fotográfico, em oposição ao olhar natural.


Amanhecer no Alto da Ventania, Petrópolis

Pescador em Búzios

E por quanto tempo praticar? por quanto tempo usar essa técnica?

A resposta é bem individual... Eu ainda uso os terços, e uso outros conceitos também. Mas cada vez mais fotografo de forma intuitiva. Às vezes desfoco o olhar e vejo se as formas e cores da foto me agradam, e corrijo levemente o enquadramento por conta disso. Acho que é uma evolução natural.



Então é isso pessoal... Bora praticar!

Se você gostou do artigo e quer ir mais à fundo, eu te convido para vir caminhar, fotografar e trocar experiências comigo no Workshop de Fotografia de Montanha, Nesse workshop eu falo dos ajustes da câmera, do planejamento das saídas, de conceitos mais simples e mais elaborados de composição e também do tratamento das fotos. Clique no link acima e confira.


Amanhecer visto do Pico do Papagaio, Ilha Grande

segunda-feira, 23 de abril de 2018

Expedição Fotográfica aos Três Picos e Vale dos Frades

com Waldyr Neto - 



Venha conhecer e fotografar algumas das mais belas locações do Parque Estadual dos Três Picos com acompanhamento do fotógrafo e montanhista Waldyr Neto.




Próxima saída: De 31 de maio a 3 de junho (4 dias, feriadão de Corpus Christi). 


Saída confirmada. (grupo completo - aguarde a divulgação de novas datas)

Nessa expedição vamos visitar algumas das mais belas locações de Três Picos e Vale dos Frades nos horários ideais para fotografia e com apoio logístico (acomodações, alimentação, deslocamentos, guias). Ficaremos sediados no Refúgio Canto da Pedra, onde teremos também debates e discussões técnicas sobre fotografia de paisagem.


Refúgio Canto da Pedra

Rodizio de pizzas no forno a lenha, uma tradição nos eventos em Três Picos.



Algumas imagens das locações:


Três Picos e Capacete vistos do Alto de Salinas



Fotografando os Três Picos no caminho do Vale dos Deuses



Pôr do Sol no cume da Cabeça de Dragão, 2.050m de altitude



Rio dos Frades, Vale dos Frades



Pôr do Sol no Vale dos Frades



Fotografia de Estrelas / Via Láctea



Cachoeira dos Frades, Vale dos Frades



O que cada um deve levar:

  • Mochila com material fotográfico - câmera, lentes, tripé, filtros...
  • Lanterna (teremos trilhas noturnas),
  • Agasalhos,
  • Cantil,
  • Lanches leves para as trilhas (não incluso no pacote),
  • Saco de dormir ou cobertor para pernoite no Refúgio Canto da Pedra,
  • Opcionalmente levar notebook para abrir e tratar as fotos,
  • É tradição a turma levar queijos e vinhos para confraternização no Abrigo.


Pré-requisito fundamental: Estar em condições de fazer caminhadas de até duas horas de subida.


Investimento:

R$ 1.460,00 em duas parcelas de R$ 730,00 (1º na inscrição, 2ª no evento)

Desconto especial à vista: R$ 1.320,00 no ato da inscrição

Incluso: Participação na expedição, deslocamentos de carro 4x4 para as trilhas e locações, trilhas guiadas, hospedagem no refúgio canto da pedra, alimentação (do almoço de quinta-feira, dia 31/05,  até o almoço de domingo, dia 3/06).

Não está incluso: O deslocamento dos alunos até o Refúgio Canto da Pedra, e retorno. Opcionalmente pode-se solicitar carona a partir de Petrópolis-RJ e retorno no domingo (sem custo adicional).


Solicite agora sua ficha de inscrição e reserve sua vaga:


 waldyr.neto@yahoo.com.br






terça-feira, 10 de abril de 2018

Expedição Fotográfica ao Planalto de Itatiaia

Com Waldyr Neto - 



Nessa expedição vamos conhecer e fotografar o belíssimo Planalto de Itatiaia, com seus campos de altitude e sua paisagem lunar formada pelo raro mineral Nefelina-Sienito. E envolve também saídas específicas para fotografar o amanhecer, entardecer e estrelas/Via Láctea, além dos nossos tradicionais debates, discussões técnicas e briefing das locações. São 10 vagas com pernoite em abrigo e alimentação inclusos.

O Planalto de Itatiaia, com suas formações rochosas características - clique na foto para ampliar


Dias 19 e 20 de maio. (saída confirmada, 7 inscritos, 3 vagas livres)


Solicite sua inscrição por e-mail: waldyr.neto@yahoo.com.br


Abaixo algumas fotos das últimas expedições:












Todas as atividades fotográficas serão acompanhadas por mim.

A equipe de apoio é composta de 3 integrantes – um 2º guia para as caminhadas e dois envolvidos no transporte e preparo das refeições. Todos bastante experientes.


O que cada um deve levar:

  • Mochila média com material fotográfico - câmera, lentes, tripé.
  • Bolsa de viagem, que será levava para o abrigo pelos veículos da expedição - roupas, toalha, saco de dormir, necessaire.
  • Agasalhos (estaremos sempre acima dos 2.400m de altitude, onde é comum a temperatura chegar abaixo de zero).
  • Lanche leve para as trilhas (lembrando que as refeições serão servidas pela expedição)
  • Cantil
  • Lanterna
  • Especificamente para caminhar no solo de Itatiaia é bastante recomendável o uso de botas impermeáveis


Pré-requisito fundamental: Estar em condição de fazer caminhadas classificadas como leve superior (até três horas de subida).

Investimento:

Incluso: Participação na expedição/trilhas; apoio técnico e debates sobre fotografia de paisagem, taxas do Parque Nacional de Itatiaia, pernoite em abrigo, refeições (do café da manhã de sábado até o almoço de domingo), estacionamento na Garganta do Registro e deslocamento em veículos apropriados até o Planalto.

R$ 1.140,00, em 2 parcelas de R$ 570,00 (1º na inscrição, 2º até o evento)

Desconto especial à vista: R$ 1.040,00 no ato da inscrição.


Solicite sua inscrição por e-mail: waldyr.neto@yahoo.com.br


Reforçando aqui o conceito... A ideia é proporcionar uma expedição de dois dias pelo planalto de Itatiaia com mochilas relativamente leves e um grupo de apoio bastante experiente. O participante não vai se preocupar com questões logísticas ou de alimentação, focando seu tempo em fotografar e curtir o passeio. As atividades fotográficas serão acompanhadas por mim. Eu só trabalho com grupos pequenos para poder dar atenção à todos.

Pico das Agulhas Negras visto do Abrigo Rebouças - clique na foto para ampliar

Trabalhando o primeiro plano nas fotos de paisagem

Por Waldyr Neto - 


Nesse artigo eu falo sobre um processo simples e efetivo que eu uso bastante quando estou em campo e que acaba rendendo boas composições. Basicamente é...

...em tendo uma bela paisagem, encontrar e posicionar bem um ou mais elementos de primeiro plano.

Composição fotográfica não é um assunto simples, muito menos algo fácil de ensinar. Eu costumo dizer que a composição é a ultima fronteira nas fotos de paisagem, o desafio de quem já domina a câmera, as técnicas e o tratamento. É o que diferencia os fotógrafos geniais dos medianos. Evoluir em composição é difícil, demorado, requer atributos como sensibilidade, bom gosto, senso estético...

Mas tudo tem um começo...

No começo a fotografia é um simples registro, uma extensão do olhar. Quando olhamos alguma coisa não nos preocupamos com o que está em volta. O olhar natural é focado. É normal olhar assim, mas não podemos fotografar assim. O olhar fotográfico tem que percorrer todo o enquadramento, ter consciência do que vai ou não entrar na foto. Evoluir do olhar natural para o olhar fotográfico é o primeiro desafio do fotógrafo quando o assunto é composição.

Nessa foto do Pico do Lopo eu poderia seguir o óbvio instinto de subir no ponto mais alto e fotografar a represa ao pôr do Sol, mas preferi dar uns passos para trás e incluir as pedras do cume na composição.

Nessa foto do Vale dos Frades, Três Picos, a disposição da casa e da estradinha criam um caminho natural que leva o olhar para as montanhas. 

Mas vamos a nosso processo...

Imagina chegar no topo da Serra dos Órgãos, ou no Planalto de Itatiaia, ou na Chapada Diamantina... quando chegamos nesses lugares e ainda por cima temos uma bela combinação de luz e nuvens, já dá vontade de montar o tripé e começar a fotografar. Muitas vezes nós caímos na armadilha de montar o tripé no primeiro lugar plano que encontramos, subimos o tripé até a altura do olhar e começamos a clicar...   e com isso fazemos aquelas fotos iguais a todas as fotos que todo mundo já fez.

Encontrar uma bela paisagem de fundo é só o primeiro passo...

Ao encontrar uma bela paisagem de fundo é preciso pegar a câmera (sem o tripé) e caminhar, conhecer o lugar, procurar elementos de primeiro plano que "conversem" com a paisagem. Tem que fazer isso com calma, concentrado. Só depois de encontrar esses elementos é que montamos o tripé de forma a conseguir a nossa composição.

Nessa foto da Serra do Lopo eu caminhei bastante na Pedra das Flores até encontrar essa composição, com as linhas formadas pelas ondulações levando o olhar para o Pico do Lopo. No final montei o tripé baixo, numa pedra inclinada, e consegui o efeito que eu queria.

O uso das lentes mais angulares, as preferidas dos fotógrafos de paisagem, torna esse processo ainda mais crítico. Se fotografarmos uma cadeia de montanhas com uma lente ultra angular, o resultado será uma cadeia de montanhas lááá looonge... miudinha. Ao abrir o enquadramento as lentes angulares afastam as montanhas. A solução típica é inserir elementos de primeiro plano.

Com lentes ultra angulares é importantíssimo ter elementos de primeiro plano...

Nessa foto da região de Três Picos a curva suave do primeiro plano iluminado forma uma especie de berço para as montanhas ao fundo.

Quando o assunto é primeiro plano é preciso ser milimétrico...

Quando caminhamos numa crista de montanha a paisagem ao longe muda pouco. Mas os elementos de primeiro plano mudam rapidamente. Isso faz com que esse "encaixe" dos elementos de primeiro plano às vezes tenha que ser milimétrico. Deslocar a câmera um tiquinho para esquerda ou direita, um tiquinho para cima ou para baixo, pode mudar totalmente a composição. Tem que ser detalhista mesmo, e às vezes é preciso fazer alguns malabarismos com o tripé para chegar no resultado desejado. 

Nessa foto das montanhas de Petrópolis, a luz do sol entrando lateralmente na lente gerou um flare. Em vez de tentar evitar o flare eu movimentei a câmera até conseguir encaixá-lo por trás de uma árvore seca. 


Nessa foto da Pedra do Camelo, em Teresópolis, eu posicionei a câmera de forma a encaixar o final da nuvem na "boca" da pedra, dando um efeito de continuidade da linha que leva o olhar para o fundo. 


Então é isso pessoal, bora pra campo praticar! 

Encontrem uma paisagem bonita e procurem elementos de primeiro plano para encaixar. Experimentem enquadramentos, tentem fazer os elementos conversarem, se integrarem, se complementarem.

A composição fotográfica vai muito além disso, mas o aprendizado é uma longa jornada. O importante é estar motivado e aprendendo.

Se você está começando, esse processo vai te ajudar a dar uns passos à frente no aprendizado da composição. E mesmo se você já é um fotógrafo experiente o uso dessa técnica vai continuar rendendo boas fotos de paisagem. Eu mesmo continuo usando consistentemente esse processo.


Se você gostou do artigo e quer ir mais a fundo nessas questões, venha estudar e fotografar comigo no Workshop de Fotografia de Montanha.


Portais de Hércules, Serra dos Órgãos, com bromélias no primeiro plano.


sábado, 3 de março de 2018

Matéria sobre meu trabalho na Folha de São Paulo

Rio de Janeiro visto da Pedra da Gávea


Clique aqui para ler a matéria.


terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

O que tem na minha mochila?

Por Waldyr Neto - 

Foto de Marcelo de Podestá

Nesse novo artigo eu falo um pouco sobre equipamentos, não no sentido de fazer propaganda ou review de alguma coisa, mas para mostrar o que eu realmente uso em campo e também em casa para tratar as fotos. A decisão de comprar equipamentos em fotografia é sempre crítica - tudo é muito caro! Eu espero aqui conseguir passar umas boas dicas, principalmente para os novatos.

Acho que esse artigo tem também o sentido de desmistificar um pouco esse assunto. Fazer boas fotos depende de um conjunto de coisas - conhecimento fotográfico, conhecimento de edição, de luz, planejamento...    ...e também equipamento. Mais vale evoluir por igual em todos esses aspectos do que gastar todo o tempo e dinheiro em ter a câmera mais nova, o notebook mais poderoso, etc, deixando outros aspectos igualmente importantes em segundo plano.

Ficou curioso? Vamos lá então...

Câmera

Eu tenho uma Canon 5D mark II. É uma câmera full frame (sensor do tamanho de um filme 35mm) que foi revolucionária no final da década passada... Hoje tem gente que chama a 5D mark II de "a lendária". É uma câmera robusta, literalmente um trator. E entrega imagens maravilhosas. Mas não é uma câmera nova - do seu lançamento para cá já saiu a mark III e a mark IV.

Foto de Márcia Babtista

Câmeras são itens caros, e que ficam rapidamente obsoletos. Em outras palavras, câmeras desvalorizam. Você gasta uma grana e logo vê o valor de revenda descendo a ladeira. Por esse motivo eu defini uma estratégia - comprar a versão anterior à mais nova. Quando a Canon lançou a 5D mark III, eu comprei a minha 5D mark II de segunda mão. Em tese, agora que a Canon lançou a 5D mark IV, eu já estou procurando uma 5D mark III usada para comprar. Mas sem pressa...


Cuidado! Furor tecnológico pode fazer um verdadeiro estrago nas suas finanças!


Lentes

Com as lentes eu tenho uma preocupação bem maior. Lentes desvalorizam menos com o passar do tempo. A estratégica aqui é comprar e ficar. E por isso tem que escolher bem, e tem que comprar lentes boas. Eu tenho hoje quatro lentes. A primeira foi uma Canon 24-105mm f/4.0 L, que é mais ou menos a "lente do kit" das câmeras full frame Canon. É uma lente zoom média, ou seja, uma lente topa tudo. Depois comprei uma Canon 70-200mm F/4.0 L e uma Canon 17-40mm f/4.0 L. Essa última, a mais angular, é a que eu uso mais em fotos de paisagem atualmente. É a lente que fica montada na minha câmera. Pra fechar o "quarteto", tenho também uma lente Canon 50mm f/1.4 fixa. Essa é uma lente para retratos e temas que pedem desfoques. Não é uma lente que costumo levar para fazer fotos de paisagem.

Abaixo algumas fotos feitas com essas lentes:

Canon 24-105mm f/4.0 L

Canon 70-200mm f/4.0 L

Canon 17-40mm f/4.0 L

Canon 50mm f/1.4

Lente é coisa séria. E realmente recomendo comprar lentes boas e cuidar muito bem delas...

Tripé

E agora vamos ao tripé... um dos itens mais importantes na fotografia de paisagem. Bons tripés são caros e duráveis. Aqui é para comprar um bom e casar com ele. Mas pouca gente faz isso. O que mais se vê é tripé vagabundo que treme quando venta e que quebra à toa. Lembra do que eu falei sobre a coerência entre os itens - não adianta gastar todo o orçamento na câmera e não ter dinheiro para comprar um bom tripé.

Considerando o peso, o tamanho, e a robustez, eu recentemente decidi comprar um Manfrotto 190CXPro4. É um tripé de fibra de carbono com 4 estágios. E montei nele uma cabeça Manfrotto 498RC2. É uma cabeça de bola (muito melhor para usar em campo) com prato panorâmico.

Foto de Cynthia França

Esse conjunto eu comprei novo, foi caro, e eu comprei para casar. Sem arrependimento...  Esse é um dinheiro que eu tenho certeza que foi bem gasto.

Mochila

Esse é um item difícil de comprar. A maioria das mochilas ou é boa para montanhismo ou é boa para fotografia. Mas depois de muita pesquisa descobri a Mindshift Rotation 180 Pro, 38 litros. Uma mochila alemã que é simplesmente genial. É uma mochila de montanha + fotografia, com acesso fácil para o equipamento. Você pega e guarda a câmera sem tirar a mochila das costas, num sistema que gira a parte de baixo para frente, como uma pochete. Daí o nome "rotation 180".

Para quem se interessou, deixo aqui o link do fabricante. Tem outros tamanhos com esse mesmo sistema.

Pra variar pesquisei, pesquisei e consegui comprar usada, mas foi sorte. É bem difícil achar essa mochila no Brasil.

Flash

Pode parecer curioso ter um flash nessa lista. Não é um item que eu levo sempre, principalmente quando saio para fotografar sozinho. Mas em grupos eu gosto de levar para fazer fotos com a técnica "flash de preenchimento", ou seja, para preencher de luz um primeiro plano, normalmente com pessoas.

Foto com o uso de flash de preenchimento

Mas um flash com pilhas pesa... e eu só levo se sei que vou usar.

Meu flash é um 430 EX II, o mais leve da linha Canon.

Filtros

A lista aqui é pequena. Levo um polarizador circular, um ND de 4 pontos e dois filtros graduados da marca Galen Rowell, com seus respectivos suporte e anel. São filtros de 2 e 3 pontos, com transição dura (hard edge).

Adivinha... comprei usados!



Filtros ficam entre a luz e sensor, ou seja, sua qualidade interfere nas fotos. Devemos dar tanta importância para eles quanto damos para as lentes.

Mas você deve estar se perguntando... Cadê o filtro UV?

Esses eu passo longe. Em fotografia digital eles não tem função nenhuma. Deixar um filtro UV na frente da lente apenas degrada as nossas fotos, sem acrescentar efeito algum. Se é para proteger a lente use um parasol.

Kit de limpeza

Na mochila vai também um pequeno kit de limpeza e utilidades. Soprador, Lenspen (caneta para limpeza de lentes), paninhos de microfibra, canivete multiuso, nível de bolha, disparador remoto, etc.



Itens de montanhismo/caminhada

Aqui acho que não preciso entrar em muitos detalhes. Conforme a trilha vou de botas, levo água, lanchinho, casacos, gorro, luvas, bastão de caminhada, lanterna, etc. Se você é novato e  quer aprender um pouco mais sobre trilhas, acampamento, etc., eu te recomendo esse meu livrinho aqui:

Clique aqui para comprar esse livro na Amazon.

Montando a mochila

A montagem da mochila varia conforme a saída. Quando conheço o lugar, levo exatamente o que preciso. Se não conheço acabo levando mais peso - lentes, flash, etc. Juntando essa tralha toda às vezes carrego uns 12 kg. Não é leve. Mas é coerente com o meu objetivo - conseguir qualidade máxima nas imagens.

Foto de Monique Cabral

É obvio que se o orçamento fosse ilimitado eu poderia migrar para um sistema mirrorless, mais leve e compacto. Vamos entender "sistema" como um conjunto de câmera, lentes, flash, etc. Mas teria que vender tudo do meu sistema atual e comprar tudo de novo. Por enquanto vou seguindo com o meu bom e pesado sistema Canon fullframe. Quem sabe um dia eu tomo coragem e mudo tudo...

Você acha que acabou aqui?

Más notícias...

Edição e tratamento de fotos


Esse é o meu cantinho de trabalho. É um pequeno escritório em casa. O notebook é um Dell Vostro. Boa configuração de processador, memória, etc. Mas nada super top. Não serviria para games por exemplo. Mas é um bom notebook. A opção pelo notebook é por conta de eu ter que levar para os meus workshops. Considere que montar um bom desktop sai mais barato.

Ali no cantinho esquerdo da mesa tem uma pequena torre, É um HD externo para backups. De novo...   nada sofisticado, mas funciona. O notebook está sobre um cooler, daqueles que levantam. Isso me dá mais conforto visual. Quando o trabalho é extenso detalhes como esse fazem diferença.

Na esquerda, ao lado do notebook, tem a última aquisição - uma mesa digitalizadora One by Wacom. Estou usando faz uma semana e já gostei. Me dá mais precisão e produtividade, comparando como o  mouse. É um item relativamente barato.

Já não tão barato é o calibrador de monitor ColorMunki Display, que eu comprei faz uns meses. Acho que a necessidade de um calibrador veio naturalmente. No início nem me preocupava, mas hoje não me imagino usando um monitor descalibrado. Virou paranoia mesmo... rsrsrs 


Quando a gente olha tudo assusta um pouco. Se somar a conta é alta. E se entrar na pilha de ter tudo de última geração a coisa fica feia.

Mas essas coisas não precisam ser adquiridas todas de uma vez. Eu mesmo levei quase uma década para juntar isso tudo. Comprando aos poucos, tentando tomar decisões acertadas, deixando a necessidade de equipamentos surgir conforme eu adquiria conhecimento.

Foto de Flaviane Koti

Pra fechar a conversa, vou deixar abaixo uma ideia de sequência de aquisições, desde o início. Se você já tem alguns equipamentos a lista pode ser útil para futuras compras.


1º rodada, para começar

  • Um corpo (câmera) APS-C. Se possível usado. Nada antigo demais. A estratégia de comprar a geração anterior à mais nova é uma ótima opção aqui. Por exemplo, eu costumo indicar a Canon SL1, que é a menor e mais leve câmera D-SLR do mercado. Já existe a Canon SL2, o que fez o preço da SL1 cair um pouco.
  • A "lente do kit" (que costuma vir com a câmera), normalmente uma 18-55mm, é barata mas não é muito boa. Pra começar até dá, mas tenha certeza de que você vai querer se livrar dela um dia. Então talvez seja interessante já comprar uma lente um pouco melhor. 
  • Compre um tripé de boa qualidade, com cabeça de bola. Nem sob tortura compre um tripé vagabundo! Vou dar uma dica aqui - tripé Manfrotto Befree, um tripé leve, de viagem. Vai gastar uns R$ 1.000,00. Mas é isso (por baixo) que se gasta num tripé. Compre logo um bom tripé e case com ele.
  • Tenha um notebook ou desktop em condição de uso. 
  • Tenha como fazer backup dos seus arquivos.

2º rodada, melhorando um pouquinho

  • Compre mais uma ou duas lentes, talvez uma tele, uma super angular... Para paisagem a super angular é mais útil. 
  • Compre um filtro polarizador circular (primeiro) e um ND (depois).
  • Compre uma lente 50mm fixa. Todo fotógrafo deveria ter uma. Não vou explicar o motivo aqui. Mas quando você tiver uma você vai entender. E provavelmente vai se apaixonar por lentes fixas...
  • Faça um workshop comigo... rsrsrs   Fala sério!!  Escrevi esse artigo todo só para te dizer isso!

3ª rodada, a coisa está ficando séria...

  • Pense em adquirir uma câmera full frame e um conjunto de lentes profissionais - zoom média, tele, grande-angular, algumas fixas... Sim, o sistema pode ser mirrorless. Mirrorless é o futuro.
  • Se você comprou um bom tripé lá no início, parabéns. Você ainda vai estar casado e feliz com ele.
  • Compre um kit de filtros graduados de marca boa - Lee, Galen Rowell...
  • Compre um flash e aprenda a usá-lo.
  • Tenha um notebook ou desktop atualizados, que funcionem bem com os aplicativos de edição.
  • Resista à tentação de ter uma impressora fine art. Encontre um bom atelier para imprimir suas fotos.
  • Tenha como calibrar seu monitor. 
  • Se achar que deve, bote seus equipamentos no seguro.
  • Estude, estude, estude...  estudar inclusive nos ajuda a tomar melhores decisões de compra.

Ufa... se você chegou até aqui, parabéns! Como brinde eu deixo um segredinho - todas as minhas fotos vão com os metadados anexados. Clique em qualquer foto minha - Flickr, Facebook, Instagram, etc. - com o botão direito e depois em "propriedades". Na janelinha que abrir vá em "detalhes". Está tudo lá - câmera e lente usados, regulagens, etc. A ideia aqui é realmente desmistificar e facilitar o aprendizado.

Se você gostou desse artigo e quer ir um pouco mais à fundo, conheça o Workshop de Fotografia de Montanha

Foto de Aguinaldo de Paula