sábado, 11 de maio de 2013

Abraço na Serra dos Órgãos - extra oficial de outono

(clique na foto para ampliar)

Mais uma edição do evento Abraço na Serra dos Órgãos, dessa vez um abraço extra-oficial e no sentido inverso. Reunimos alguns amigos para fazer essa edição de outono, com tempo mais fresco.

A partida dessa vez foi no Posto Galisco, em Itaipava. E decidimos fazer o circuito ao contrário, no sentido horário. Num sábado com tempo frio e muita névoa partimos em 10 ciclistas. Eram 7:20 da manhã.

Cruzamos Itaipava na névoa, todo mundo encasacado. Pegamos a estrada para Teresópolis e seguimos num bom ritmo. Logo que começamos a subir saímos da névoa e demos de cara um com lindo dia ensolarado. Céu azul, nenhuma nuvem... Começamos a tirar os casacos e seguimos pedalando forte serra acima.


Quase no final da subida paramos para uma foto no mirante.


Tempo bom, astral idem... seguimos pedalando e completamos os 12km dessa forte subida. Chegamos no topo, 1.430m de altitude, o ponto mais alto do Abraço.

Curtimos muito a longa descida até Teresópolis. Reunimos o grupo e atravessamos o trânsito da cidade com cuidado. Depois paramos para a foto oficial do Abraço na Vista Soberba.


Já eram quase 11 da manhã. Decidimos por uma pausa no Paraíso das Plantas para abastecer as caramanholas e para um rápido lanche.

Após o lanche conversamos sobre as condições da estrada, que estava com trechos em obra. Decidimos seguir juntos até a parte que está no sistema "pare e siga". Quando o trânsito liberou para descida partimos na frente, tão rápido, mas tão rápido que quando os primeiros carros começaram a nos ultrapassar já estávamos praticamente no pé da serra. Uma bela descida nesses 18km da serra de Terê.

Já era praticamente hora do almoço e tínhamos pela frente o longo trecho de baixada que foi no nosso martírio no Abraço oficial no verão. Mas dessa vez não estava tão quente e o grupo seguiu pedalando forte deixando para trás Guapimirim, Parada Modelo, Santo Aleixo, Rio do Ouro, Cachoeira Grande, Piabetá... Chegamos no Fragoso e paramos na Sorveteria Khunty para o que seria o nosso almoço.

Já tínhamos pedalado 90km e estávamos bem. Mas a grande subida do dia estava bem na nossa frente - a Serra Velha, com seus 12,5km de subida em paralelepípedo, do nível do mar até 840m de altitude.

Botamos as bikes para rodar por volta das 14:00 horas e começamos a subida. Fazia calor e o grupo já estava relativamente cansado. Com o tempo o grupo foi se separando e cada um achou sua cadência de subida. Quando todos se reuniram no topo já eram 17:00 horas e fazia frio.

Todo mundo encasacado de novo, um rápido café na padaria e bora chegar logo em Itaipava para terminar o Abraço. Atravessamos Petrópolis rapidamente chegamos na Catedral São Pedro de Alcântara, já escurecendo. Nem paramos para fotos. Ligamos nossas lanternas e partimos forte pela Barão do Rio Branco e depois União e Indústria. Esse trecho foi incrivelmente rápido. Impressionante a disposição da galera depois de pedalar um dia inteiro.

Chegamos em Itaipava às 18:00 horas, completando o Abraço em 10:40 horas. 128km de pedal. 1.840m de elevação acumulada (soma das subidas).


Cervejinha, pastel, muita comemoração. Com orgulho abraçamos mais uma vez a Serra dos Órgãos com nosso esforço e com as nossas valentes "magrelas".

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Acampando no Alto da Ventania


Já tinha um tempo que eu pensava em passar uma noite estrelada na montanha. Faltava só o tempo firmar um pouco.

Queria levar o equipamento fotográfico e testar umas ideias, algo na linha de inserir a barraca nas fotos de paisagem, algo que mostrasse a curtição de um acampamento solitário em montanha.

Esse início de maio estava com dias especialmente bonitos, mas minha agenda de trabalho estava cheia. Foi só um cliente ligar desmarcando uma viagem e eu montei minha mochila e parti para o Alto da Ventania, montanha que fica na Serra da Estrela.


Comecei a caminhada cedo, logo após o almoço. Queria chegar no cume com bastante tempo para escolher o local de acampamento e fotos.

O Alto da Ventania é uma montanha ampla, formada por três cristas com rochas e vegetação baixa. Um lugar muito bonito e com várias possibilidades para fotografia. Como o lado sudeste da montanha estava envolto em névoa, acabei decidindo ir para a formação de rochas que fica no final da crista noroeste. Ficaria de frente para o por do sol e ainda teria uma boa vista para o nascer do sol se o tempo abrisse.

Cheguei no final da crista, um lugar que parece o topo de uma torre, um pequeno espaço cercado de pedras. Como o objetivo era fotografar, fiquei imaginando vários enquadramentos antes de decidir como montar a barraca. Decisão tomada, deixei a tralha toda lá e fui até o outro extremo da montanha pegar água numa fonte.

Silêncio total... é tensa e ao mesmo tempo gostosa a sensação de estar sozinho numa montanha ao entardecer.

Voltei para a minha "torre" e fiquei esperando o entardecer para fazer as primeiras fotos. Na "hora mágica" a calmaria dá lugar a um corre-corre para fazer os enquadramentos e ajustes com a luz mudando rápido.



Escureceu. Me agasalhei, preparei um chá quente e me concentrei para fazer as minhas experiências com a barraca iluminada. Fotometra, testa enquadramento, ajusta a posição da lanterna na barraca, liga o timer, corre para a pedra... depois de algumas tentativas começou a dar certo...


Depois veio a parte das estrelas. Fiz alguns testes com ISO bem alto para chegar na fotometria. Daí pra frente era fazer conta e deixar a câmera em "bulb" por vários minutos. Nessa hora descobri que passa tanto avião pelos céus de Petrópolis que é impossível fazer um rastro de estrelas sem um avião riscando o céu. A única foto que eu consegui era uma foto horizontal que eu tive que cortar vertical para tirar um rastro de avião.


Desisti dos rastros e fiz mais algumas fotos.




Nota: repare a constelação de Escorpião, ocupando a metade direita do céu, A estrela Antares, uma super gigante vermelha, é o coração do Escorpião. Antares é 700 vezes maior do que o sol e é uma das maiores estrelas conhecidas. Seu nome deriva de Anti-Ares (anti-Marte), por ser um estrela vermelha que rivaliza com o planeta vermelho. A coloração vermelha de Antares é visível a olho nu.




A noite estava linda, mas serenava bastante. Apesar do céu limpo não fazia muito frio. Mas eu já tinha esgotado minhas ideias e resolvi que era hora de descansar. Fui pra a barraca, li um pouquinho no meu Kindle e depois dormi.

A madrugada gelada descarregou a bateria do meu celular e o despertador não tocou. Eu até acordo cedo naturalmente, mas quando saí da barraca faltava pouco para o nascer do sol. Queria ter iniciado as fotos um pouco mais cedo, mas já estava feliz com as fotos da noite. O que viesse nessa manhã já seria lucro.



Com o dia claro preparei meu café da manhã - chocolate quente e sanduíche de queijo com peito de peru. Fui desmontando acampamento sem pressa.


Mochila nas costas, missão cumprida, me despedi da minha "torre" e peguei a trilha de volta pra casa curtindo o visual desse pedacinho especial da Serra da Estrela.






Workshop de Fotografia de Montanha. Segunda turma confirmada. Clique no link para mais informações: http://amagiadamontanha.blogspot.com.br/2012/10/i-workshop-de-fotografia-em-montanha.html

sexta-feira, 26 de abril de 2013

II Workshop de Fotografia de Montanha

(foto de Flávio Varricchio)


Datas: 

Dias 15 e 16 de junho (sábado e domingo), na Fazenda Samambaia, Petrópolis






Alguns depoimentos:


"Eu participei da primeira turma e adorei! A combinação entre teoria/prática e fotografia/montanhismo faz deste workshop único! O local também é incrível, saí de São Paulo especialmente para o curso e posso dizer que valeu muito!
Aprendi muito e conheci pessoas muito bacanas. Gente que ama o que faz, como Waldyr Neto, que compartilha com alegria aquilo que sabe. Recomendadíssimo!"
Simone Ferrarese


"Curso ministrado por quem sabe o que tá dizendo e não tem a pretensão de ser genial. Bons professores são os que transmitem seu conhecimento com alegria, entusiasmo, e não só ensinam mas aprendem com as experiências dos alunos.
Para quem busca um curso simples, objetivo e divertido". Flávio Varricchio, fotógrafo de natureza e montanha.


"Meu caro Waldyr, reafirmo meus cumprimentos pela bela jornada cumprida durante o seu Workshop. Muito bem preparado, de esmerada apresentação e de exposição sem reparos. Os temas tratados, com certeza no meu caso, foram de grande valia. Alguns deles foram uma salutar recordação de teoria sempre necessária. Os demais jogaram luz (sem trocadilho) no meu caminho digital que pretendo percorrer. Muito grato". Antônio Bordeira


Uma matéria sobre o curso publicada no site Viagens & Andanças (site do Marcos Pinto e Camila Guerra, que participaram na primeira turma): http://www.viagenseandancas.com.br/2013/04/aprendendo-sobre-fotografia-de-montanha-workshop-do-waldyr-neto/



Sábado:

  • Manhã: chegada dos participantes e 1ª parte da teoria
  • Almoço na Fazenda Samambaia
  • Tarde: saída para fotografar o por do sol em montanha
Domingo:

  • Manhã: 2ª parte da teoria
  • Almoço na Fazenda Samambaia
  • Tarde: Análise de fotos, entrega dos certificados e visita à Fazenda

Incluso:

  • coffee breaks e almoço na Fazenda (bebidas a parte) sábado e domingo
  • Material didático em meio digital
  • Bloco de anotações, caneta
  • Estacionamento
  • Visita ao Parque Natural da Fazenda
  • Deslocamentos ida e volta de carro ou van para a aula prática
  • Lanche na caminhada
  • Certificado

Restaurante da Fazenda Samambaia

Pré-requisitos:

  • Ter uma máquina que permita regulagens manuais de abertura, velocidade e sensibilidade ISO. (É desejável que o participante tenha também um tripé).
  • Ter vontade de dominar os conceitos técnicos e de composição fotográfica em montanha
  • Ter disposição para fazer uma trilha na mata (caminhada leve), com descida noturna
  • Para esta caminhada levar mochila, água e agasalho e lanterna.


Público-alvo:

  • Montanhistas que queiram ter a fotografia como segundo hobby, registrando as belezas das trilhas e montanhas
  • Fotógrafos que gostem de fotografia de paisagem / montanha
  • Fotógrafos em geral, que queiram dar um passo além das regulagens automáticas da câmera e que queiram evoluir em termos de composição fotográfica

Investimento:

  • R$ 300,00  (workshop completo, sem hospedagem)
  • R$ 352,00  (workshop completo + hospedagem em quarto coletivo de sábado a domingo + café da manhã)
  • R$ 404,00  (workshop completo + hospedagem em quarto coletivo de sexta a domingo + café da manhã)

Reserve sua vaga: waldyr@compuland.com.br


Programa do Curso:

Os conceitos serão explicados e exercitados no ambiente da Fazenda Samambaia, que inclui floresta, pequenos lagos, além da própria arquitetura da sede da Fazenda. 


Equipamentos

(foto de Gisele Rossignoli)
  • Tipos de Câmeras Digitais
  • Escolhendo uma câmera - questões importantes a considerar
  • Lentes
  • A importância do para-sol
  • Tripé
  • Acessórios importantes
  • Mochilas de montanha x mochilas de fotografia

Conceitos Fundamentais da Fotografia


  • O princípio ótico da fotografia
  • Como funciona uma câmera
  • Exposição - abertura, velocidade, sensibilidade
  • Uso da abertura e velocidade na composição
  • Fotometria - não seja enganado pela câmera!
  • Compensação de exposição
  • Range Dinâmico
  • Compreendendo o histograma
  • Foco
  • White Balance
  • Zoom ótico e digital
  • Flash

Técnicas Específicas para Fotografia de Montanha e Paisagem


  • Sensibilidade ISO
  • Como conseguir profundidade de campo
  • Cálculo da distância hiperfocal
  • Fotos na mão x tripé
  • Resolvendo estouros e sombras
  • O uso do filtro polarizador circular
  • O uso dos filtros ND
  • O uso dos filtros graduados 
  • O flash de preenchimento
  • Capturando imagens para montar uma panorâmica
  • Capturando imagens para fazer um HDR
  • Efeito de véu em cachoeiras
  • Fotografando raios

Composição Fotográfica


  • Regra dos terços
  • Elementos de balanceamento
  • Linhas principais
  • Simetria e padrões
  • Ponto de vista
  • Profundidade
  • Molduras naturais
  • Recorte
  • Noção de Escala
  • O elemento humano nas fotos de paisagem
  • O belo e o sublime - conceito do sublime kantiano
  • Cuidados básicos ao fazer o enquadramento

O Montanhista Fotógrafo / O Fotógrafo Montanhista


  • Equipamentos básicos
  • Caminhando
  • Alimentação
  • Acampamento
  • Mínimo impacto
  • Clubes de montanhismo
  • A questão do acesso às montanhas

Planejamento para Fotografia de Montanha


  • Fotógrafo, um observador...
  • As estações do ano
  • A luz ao longo do dia
  • Hora mágica
  • Previsão do tempo
  • TPE - The Photographers Ephemeris
  • Uso de bússola ou GPS
  • Planejamento reverso

Execução, a Hora da Verdade


  • Conheça o local de véspera
  • Chegue cedo
  • Caminhe, observe, teste enquadramentos...
  • Revisando as fotos no LCD

Pós-Produção


  • Editar ou não editar?
  • Cropar ou não cropar?
  • JPEG x RAW
  • Softwares de edição
  • Ajustes básicos
  • Panorâmica
  • HDR
  • Cuidados ao editar - excessos, halos...
  • A conversão para PB
  • Faça a melhor captura possível
  • Divulgando suas fotos

Análise de Fotos


  • Análise do planejamento e execução de algumas fotos do instrutor.


Reserve sua vaga: waldyr@compuland.com.br

sábado, 13 de abril de 2013

A Incerteza na Fotografia de Montanha

(Flávio Varricchio, Jorge Goettnauer, Caio Garin e Waldyr Neto esperando o nascer do sol no cume do Alto da Ventania, Petrópolis)

Um dos grandes dilemas da fotografia de montanha é a incerteza.

Você pode simplesmente sair por aí com a câmera na mão "colhendo" o que a natureza te oferece. É até possível fazer fotos boas assim.

Mas quando você começa a observar a luz ao longo do dia, ou ao longo das estações do ano, os tipos de formações de nuvens, as florações da árvores, etc., você pode começar a planejar as fotos, aumentando muito as chances de fazer uma grande foto.

Em dias limpos, comuns no inverno, é possível fazer planejamentos super detalhados com alto grau de acerto. Mas nem sempre esses dias de céu azul rendem as melhores fotos. Fotos com céu limpinho tendem a ser monótonas.

Já nos dias de tempo mais incerto é até possível fazer algum planejamento. Quando as coisas dão certo é nesses dias que fazemos as grandes fotos. Um céu carregado, raios de sol, nuvens nas mais variadas formas, luzes e sombras... a natureza que nos encanta e até nos assombra.

Mas nessas condições muitas vezes acabamos voltando para casa sem foto alguma, quando não voltamos molhados, enlameados, com frio...

Cabe ao fotógrafo de montanha ter a sabedoria para lidar com essa incerteza, comemorando como um prêmio as grandes fotos, ou comemorando estar na montanha com os amigos quando as fotos não são possíveis.

A foto deste tópico foi tirada no Alto da Ventania, uma montanha que fica na Serra da Estrela, Petrópolis. Iniciamos a subida numa madrugada de sexta para sábado neste outono. A entrada de uma frente fria e o nascer do sol sobre as montanhas da Serra dos Órgãos poderiam render algumas boas fotos. Arriscamos... mas ao chegarmos no topo entramos numa nuvem. Visibilidade zero. Sentamos numa pedra e ficamos curtindo o silêncio até o dia clarear.

Na busca das grandes fotos de montanha é preciso arriscar. Quando dá certo vale por todas as vezes em que não deu.

E no fim das contas estar na montanha com os amigos ainda é o que realmente vale a pena.

domingo, 27 de janeiro de 2013

Novo Livro - Expedição Pedal Brasil


Uma história meio louca e divertida, com informações bem úteis para quem pretende um dia fazer uma viagem de bicicleta.

Trecho do livro:


Acredite! Viajar de bicicleta é uma das melhores coisas que você pode fazer. É barato, divertido, saudável e um tipo de turismo onde você vivencia profundamente os lugares e as pessoas.

Este livro te levará de carona numa viagem dessas, uma longa viagem de dois amigos ciclistas pelo litoral do Nordeste. Muitas alegrias, experiências, imprevistos e superações. Sem dúvida a grande aventura de nossas vidas.

Hoje, ao terminar de escrever esse livro e me emocionar revivendo esses dias, penso nos mistérios do destino. É como se a história já estivesse escrita. Faltava ter coragem para vivê-la.

E se você também pensa em se aventurar sobre duas rodas, acredito que este livro seja uma fonte de valiosas informações, um pequeno manual prático de cicloturismo.

Bora pedalar!


Um depoimento do amigo ciclista Cesar Marinho Costa:

"Li o livro numa sentada. É impossível interromper a leitura. A cada página surge sempre uma emoção, uma alegria, uma bela paisagem, principalmente para nós que amamos o cicloturismo. Em vários momentos um nó subiu a garganta fruto da simplicidade verdadeira e emocionante da narrativa do Waldyr. Deixo minhas congratulações e uma grande vontade de um dia viver uma linda experiência deste porte. Parabéns!"

Aqui uma resenha do Marcos José Pinto, do site Viagens e Andanças - www.viagenseandancas.com.br

"Depois de publicar dois excelentes guias de trilhas, sendo um exclusivamente sobre caminhadas em trilhas petropolitanas (Guia de Trilhas de Petrópolis) e outro abordando trilhas, escaladas e cachoeiras da região serrana Fluminense (o guia Parque Nacional da Serra dos Orgãos), o montanhista e fotógrafo petropolitano Waldyr Neto estreou sua participação na plataforma Kindle, da Amazon, com o ótimo Expedição Pedal Brasil - O diário de viagem que é um manual de cicloturismo. Nesse livro, Waldyr conta com detalhes toda a aventura de encarar a estrada de bike, no nordeste brasileiro, percorrendo muitas cidades e praias em diversos estados nordestinos. Com texto leve, de leitura que flui fácil e prende do início ao fim, e contando ainda com algumas fotos capturadas durante a viagem, Waldyr leva o leitor na garupa; é quase como se estivesse lá com ele e seu amigo Léo, nessa aventura que fez anos atrás. Imperdível."

Lançado exclusivamente como e-book, pode ser comprado por R$ 5,99 na Amazon, no link abaixo:

Expedição Pedal Brasil O diário de viagem que é um manual de cicloturismo



domingo, 9 de dezembro de 2012

Desenvolvendo um Acervo de Locações Fotográficas


O fotógrafo americano Galen Rowell dizia que em fotografia de paisagem as melhores fotos são feitas nos lugares que você conhece profundamente, lugares onde você volta seguidas vezes. Viajar para fotografar é muito bom e bastante motivador, mas nessas situações você acaba conhecendo os lugares mais visitados e fazendo fotos comuns.

A fotografia de paisagem já tem um grande grau de incerteza. A locação em si não faz a foto, pois depende da luz, do tempo, das nuvens, da hora certa, etc. Por isso a importância do fotografo ir desenvolvendo um acervo de locações que tenham potencial para uma boa foto. Tendo esse acervo basta esperar o dia com as condições mais promissoras e partir para tentar a foto.

Numa esticada na Pedra da Lagoinha (1.480m, Serra da Estrela, Petrópolis - RJ) em meados de 2011 para ver um por do sol reparei numa bonita árvore com um galho formando um arco sobre as montanhas. O sol de inverno, mais ao norte, não aparecia na cena. Mas essa locação me impressionou. Achei que daria uma boa foto com o sol na cena.

Voltei lá em outubro de 2011 e o sol já estava na posição certa para a foto. Fiquei um bom tempo ali curtindo o visual e fiz dois cliques da minha árvore em arco.



Satisfeito com o resultado parti para outros projetos, mas deixei minha locação guardada na manga.

Mas nesse final de primavera de 2012 resolvi retornar para curtir um por do sol na Pedra da Lagoinha. O por do sol acabou adiantando, pois o sol logo se escondeu numa camada de nuvens. Mas eu rapidamente montei os filtros graduados e consegui equilibrar a luz para uma bonita foto.


Abaixo o esquema com as posições dos filtros graduados Singh Ray. O graduado de 2 pontos ficou com a transição na linha das montanhas de baixo. O graduado de 3 pontos está na linha das nuvens, ficando 5 pontos na parte de cima da foto, onde os filtros estão sobrepostos.


Ao explorar lugares novos e desenvolver um acervo de locações o fotógrafo de natureza aumenta suas chances de uma boa foto. Ao encontrar uma locação com potencial para uma foto, tente imaginar em que condições a foto ficaria boa. Na parte da manhã ou a tarde? Em que época do ano? Com nuvens? Com pessoas? Quando as condições acontecerem vá lá e faça sua foto.

domingo, 25 de novembro de 2012

Abraço na Serra dos Órgãos - Oficial

 *Clique na imagem para ampliar *
Linha verde: limite do Parque Nacional da Serra dos Órgãos
Linha vermelha: circuito de 126km que dá a volta no Parque.

Neste dia 24 de novembro aconteceu o primeiro Abraço na Serra dos Órgãos, evento que deve passar a fazer parte do calendário de eventos do Parque Nacional da Serra dos Órgãos. Abaixo o relato.

Relato:

Choveu bastante na madrugada na Serra. Mesmo assim parti para o Mirante do Soberbo, em Teresópolis. Depois da forte chuva tivemos um lindo amanhecer.


A turma foi chegando e se preparando para a partida. Tudo molhado, fazia frio e ventava bastante. Mas a galera estava animada.


(Foto de Patrícia Rosana Limoeiro)

Eu e Fred (Frederico Pimentel, representante do Parque Nacional da Serra dos Órgãos) fizemos uma rápida palestra explicando o trajeto e combinando os pontos de reunião do grupo. Às 7:20 partimos. 33 ciclistas, um carro de apoio do Parque, uma equipe de filmagem e um carro do Corpo de Bombeiros de Teresópolis.

O início foi bem tranquilo. Com piso ainda molhado cruzamos o centro de Teresópolis e seguimos para a subida da serra para Itaipava. Logo no começo da subida a turma já estava tirando os casacos e cada um foi encontrando sua própria cadência para encarar os mais de 8km de subida.

Na metade da subida fizemos uma rápida parada numa fonte para abastecer as garrafinhas. O sol já estava forte, um lindo dia...

(Foto de Leonardo Holderbaum)

No topo da serra registramos orgulhosos a sinalização solicitando respeito aos ciclistas.

(Foto de Leonardo Holderbaum)

Iniciamos animados a longa descida. Logo no início um susto: Uma das meninas passou reto numa curva molhada e foi parar o mato. Mas foi só um susto, com direito a uns ralados e hematomas. O grupo seguiu em frente até o primeiro ponto de reunião, o Mirante da Itaipava - Teresópolis.


(Foto de Patrícia Rosana Limoeiro)

Desse ponto a equipe dos Bombeiros voltou para Teresópolis e nós seguimos em frente.



Depois de 12km de descida e mais um trecho plano chegamos a Itaipava. Já tínhamos pedalado 42km, um terço do percurso total. O grupo estava bem, o tempo estava bom e nosso tempo de pedal estava dentro do programado. Fizemos um lanche e seguimos pedalando.

O trecho até Petrópolis foi em ritmo forte. A chegada à Catedral São Pedro de Alcântara foi bastante comemorada.


Mais um lanche e muitas fotos. Baixamos a calibragem dos pneus e partimos pelas ruas do Centro de Petrópolis. A grande quantidade de bicicletas ocupando toda a largura das Ruas Imperatriz, Imperador e Paulo Barbosa foram um show a parte, chamando a atenção das pessoas que passavam na rua. Fizemos uma rápida reunião no Alto da Serra e partimos para a descida de paralelepípedos da Serra Velha.

(Foto de Leonardo Holderbaum)

Cada um foi no seu ritmo e aos poucos a turma foi chegando na Sorveteria Kunthy, na localidade de Fragoso, já em Magé. Como mais de 80km, já estávamos com dois terços do pedal. Fizemos ali o nosso almoço e uma longa pausa. O calor agora estava infernal e era difícil imaginar retomar a pedalada nessas condições.


(Foto de Patrícia Rosana Limoeiro. Nessa foto aparece o meu sobrinho Gabriel, que mora em Fragoso e almoçou com o grupo)

Por volta das 14:00 horas resolvemos seguir em frente. A ideia era pegar leve num trecho plano de uns 30km até Parada Modelo, no pé da Serra de Teresópolis. Seguimos por algumas ruas de Fragoso e pegamos a Estrada Municipal, que segue beirando a serra.


Mas o calor estava surreal e subia do asfalto. Até o vento era quente. Comecei a pedalar com ânsia de vômito e percebi que todo o grupo estava mal. Passamos por Cachoeira Grande e depois Rio do Ouro, onde descobrimos um sítio com um poço e uma ducha. Era inviável continuar. Interrompemos a pedalada para um bom descanso no sítio. Entramos todos na ducha várias vezes de roupa e tudo e fomos nos recuperando.

Por volta das 15:00 tentamos retomar a pedalada. Com as roupas molhadas o vento refrescava um pouco mais. Mas mesmo assim essa puxada até Parada Modelo foi bastante sofrida.

Em Parada Modelo paramos para um lanche num posto. Com cerca de 110km pedalados faltava só a subida da serra de Teresópolis. Por sorte o tempo estava nublando e a estrada já estava mais sombreada.

De Parada Modelo o grupo foi partindo aos poucos. E para refrescar de vez caiu um belo toró de verão.

Mas a chuva veio forte demais. Raios, rajadas de vento, galhos caindo, muita água descendo pela pista... A natureza estava dando um show... e a gente ali pedalando serra acima. Cheguei a comentar com o Fred: "- Só falta chover granizo...". Minutos depois chovia granizo. Céus! É incrível como tem momentos em que a gente se sente pequeno, frágil. Mas essa adrenalina toda acabou nos dando um ânimo para encarar a longa subida.

No trecho final começou a escurecer. A chuva parou e deu lugar a uma densa névoa. Subimos com nossa lanterninhas na dianteira e pisca-piscas na traseira cortando a neblina e vencendo o cansaço.

Às 19:20 eu cheguei no topo, exatas 12 horas depois da partida. Alguns tinham chegado antes e outros ainda estavam subindo. Encostei a bike e comemorei meu abraço na Serra dos Órgãos.


Logo estávamos todos reunidos. Todos cansados mas bem. Para alguns um bom treino, para outros uma verdadeira superação. Um sentimento de felicidade e dever cumprido tomou conta de todos nós.

Num dia em que a natureza nos colocou a prova com toda a sua intensidade o evento foi um sucesso. Ano que vem tem mais...