domingo, 15 de novembro de 2009

Foto da Capa do Livro Novo

O livro novo - Guia da Serra dos Órgãos - tá quase pronto... na verdade já está na gráfica. Se tudo der certo o lançamento será no dia 28 de novembro, nas comemorações de 70 anos do Parque Nacional da Serra dos Órgãos. Os autores somos eu e o Ernesto (chefe do Parque). A foto acima é a foto da capa, cedida pelo renomado fotógrafo Flávio Varrichio. Pra quem quizer conhecer mais do trabalho dele: http://photo.net/photos/FlavioVarricchio

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Vem aí o Banff Mountain Film Festival

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Portais de Hércules - O Mirante da Serra dos Órgãos

Situado a pouco mais de uma hora de caminhada do Morro Açu, o lugar conhecido como Portais de Hércules tem uma das vistas mais bonitas da Serra dos Órgãos. Essa plataforma rochosa lembra a proa de um navio se projetando sobre os precipícios do Vale do Rio Soberbo. Bem à frente está a Coroa do Frade, e mais abaixo o Nariz da Freira. Ao fundo a incrível sequência de picos pontiagudos compondo uma visão grandiosa.

domingo, 19 de julho de 2009

No Topo do Dedo de Deus

Conquistado em 1912, o Dedo de Deus é o símbolo do montanhismo brasileiro. Sua escalada pela tradicional via Leste envolve uma cansativa caminhada, com trechos técnicos e sequências de cabos de aço. A escalada não é técnicamente difícil, mas é exposta e fisicamente exigente, tendo muitos trechos em técnica de chaminé. A descida é especialmente vertiginosa, seguindo pela linha da via Teixeira.

Chegar no topo é muito especial, principalmente num lindo dia de inverno. A gente fica pensando em como foram ousados aqueles que chegaram lá com cordas de sizal e equipamamentos rudimentares. A conquista do Dedo de Deus fará 100 anos em 2012.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Faces da Agulha do Diabo

Recentemente escolhida uma das 15 escaladas mais espetaculares do mundo, pelo site Hotnez.com - http://www.hottnez.com/the-15-most-spectacular-rock-climbs/ a Agulha do Diabo é uma impressionante montanha de 2.050m de altitude que fica na Serra dos Órgãos. Na foto acima, tirada do Morro da Cruz é possível ver a parte superior da Agulha do Diabo, bem atras de um pequeno cume rochoso conhecido como Mirante do Inferno. As montanhas maiores são o São João (esquerda) e São Pedro (direita).

Mas a base da Agulha é bem abaixo, quase suspensa no abismo, tornando sua caminhada de aproximação bastante dura e técnicamente exigente. A foto acima, tirada do colo entre o Mirante do Inferno e o São Pedro, dá bem essa noção.

A foto acima é a visão da Agulha do Diabo a partir do cume do Mirante do Inferno. No fundo da foto, à direita, aparece meio escondido o cume do Garrafão.

Essa é uma foto clássica. Tirada exatamente do ponto onde a trilha começa a descer um grotão, para depois subir do outro lado, até a base da escalada. Algumas pessoas dizem que esse é o lugar que separa os homens dos meninos. A caminhada até esse ponto já é bem cansativa, e fica extremamente complicada daí pra frente. E depois ainda tem que subir o grotão de volta.

A foto acima foi tirada da subida do São João. O destaque fica para a Unha, que é a pedra que forma a chaminé da parte final da escalada.

domingo, 24 de maio de 2009

A Morte dos Taquaruçus

As fotos deste post dão bem a noção do que ocorreu de forma generalizada aqui nas encostas da Serra dos Orgãos. Num evento raro, todos os taquaruçus morreram. Assim, lugares como o da foto acima, o trecho inicial da tradicional trilha do Meu Castelo, ficaram com esse aspecto de parreira de uva. O trecho acima era uma sombria floresta e agora está a céu aberto. Com a entrada da luz, muitas outras espécies florescem, incluindo os próprios brotos da próxima geração de taquaruçus.
A foto acima mostra o que ficou por baixo daquela manta de vegetação: Taquaruçus caídos e apodrecendo.
Na maioria das trilhas os caminhos já foram abertos por entre os taquaruçus caídos, incluindo a trilha do Meu Castelo. Mas vale lembrar que a longa trilha da Travessia Caxambu - Santo Aleixo está totalmente interrompida pelos taquaruçus, aguardando a reabertura por parte da operadora da linha das torres, prevista para este ano.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Travessia Caxambu - Santo Aleixo, ou... o dia em que eu faltei meu aniversário

Eu nunca liguei muito pra aniversário. Reunia os amigos, tomava um vinho, minha mãe fazia um bolinho. Tudo simples e improvisado. Já até passei alguns viajando, pois volta e meia meu aniversário coincide com a Semana Santa.

Mas eu ia fazer 40 anos... e quarenta anos parece ser um marco na vida do homem. Um amigo me disse “Você chegou no cume.... agora é só descida”. Odiei essa... Mas pior ainda é agüentar a gozação sobre a eminência da primeira visita ao proctologista. Céus... Entrar nos “ENTA” não é fácil.

Assim, bastante incentivado pelos amigos e gozadores de plantão, resolvi fazer um festão. Reservei a Pousada El Nagual dos meus amigos Eraldo e Mariana. Ele alemão, ela argentina, rodaram o mundo fazendo comida para alguns dos meus ídolos de juventude: Carlos Santana, Ozzy Osbourne, Def Leppard... A história de como eles foram parar lá em Santo Aleixo daria um livro, daqueles bem loucos, coloridos e cheirando a incenso.

Combinei um churrascão lá, com direito a piscina natural e cachoeira dentro da pousada. E marquei a linda Travessia Caxambú – Santo Aleixo pra quem quisesse, junto comigo, chegar caminhando (e faminto). Assim, os preguiçosos iriam de carro, e os intrépidos iriam comigo pela longa trilha que começa lá em Petrópolis.

A data foi chegando e a turma foi se dividindo. A patroa Gisele malandramente disse que tinha encomendado o bolo e teria que ir de carro. Alguns outros preguiçosos se juntaram a ela. E lá no clube a prancheta com a caminhada ia enchendo. Previsão de tempo bom... tudo parecia perfeito! Digno de um aniversário de 40 anos.

E eis que chega o dia. Acordamos cedo e fomos todos pro ponto de encontro. Meu parceirão Jair Amaral, com seus 73 anos, estava lá, firme e forte. A Suzana com seu netinho Bernardo, O Wanderley com a Teresa. Completaram o time do Hugo e a Márcia, sócios do CEB que eu nem conhecia e que souberam da caminhada e pediram para participar. Iam filar um churrascão e nem sabiam...

Partimos de ônibus para o bairro Caxambú, em Petrópolis. Começamos a caminhar pela estradinha até a entrada da trilha. Assim que entramos na trilha, nossa primeira surpresa: o trecho das plantações estava com capim bem alto, e encharcado. Todo mundo tava de bota impermeável... mas o capim molhava a perna e a água escorria meia adentro. Com poucos minutos de caminhada a gente ouvia aquele som schlop, schlop, de bota cheia d água. Fora aquele cheirinho de capim gordura impregnando tudo. Mas logo chegamos no trecho de trilha na mata e não era uma bota cheia d água que iria comprometer o astral do grupo.

Mas a trilha estava fechada... logo a trilha do Alto da Ventania, uma larga trilha usada para manutenção das torres de alta tensão. Um verão inteiro com muita chuva e um desgraçado de um atalho que vem sendo usado deixaram a trilha em péssimas condições. Assim, o facão que não saiu da mochila na minha última Caxambu – Santo Aleixo, começou a trabalhar. Bateu um mau pressentimento... como estaria da descida do outro lado?

Logo chegamos no Alto da Ventania, com seus 1.560m de altitude e aquele fantástico visual das montanhas ao redor. O dia lindo e a perspectiva de iniciar a longa descida para Santo Aleixo levantaram de novo o astral do grupo, que se divertia tirando as botas e torcendo as meias ensopadas. Fiz minhas contas de cabeça e cheguei à conclusão de que já tínhamos uma hora de atraso no acumulado. Nada que não desse para recuperar.

Depois de um bom lanche pegamos a trilha morro abaixo. Iríamos dos 1.560m de altitude do Alto da Ventania, para os cerca de 200m de altitude da Pousada. Um baita desnível pros nossos padrões. Nessa hora liguei meu rádio novinho, de super longo alcance coisa e tal, e tentei ir contatando a Gisele, que já devia estar chegando em Santo Aleixo com o bolo. Sem contato por enquanto...

Tocamos pra baixo, com a trilha bem razoável. Cheguei a ficar bem tranqüilo. Passamos pelo lindo riacho e chegamos no trecho aberto, que leva à Garganta das Três Torres, a parte mais bonita da trilha. Mas o capim estava super alto, praticamente escondendo a trilha. Sai na frente abrindo o caminho, daquele jeito engraçado com se estivesse pedalando uma bicicleta gigante (que já abriu caminho em capinzal sabe o que é isso) e finalmente chegamos na Garganta. Já tínhamos vencido 400m de desnível. Paramos para um lanche e pela primeira vez tivemos a visão do restante da trilha, um longo vale até Santo Aleixo. Tentei contato no rádio, e nada... tava louco pra usar meu “brinquedo novo”.

Partimos morro abaixo, num lindo trecho de mata. Mas aí o bicho pegou. A trilha estava surpreendentemente fechada. Tentei ir batendo facão sem perder o passo, e a turma seguia firme sem reclamar. Afinal, tinha um churrascão lá no fim da trilha. Árvores caídas, trilha confusa, mas a gente seguia decidido.

E logo surgiram os primeiros taquaruçus, que são aqueles bambus turbinados, que quando caem na trilha são bem difíceis de transpor, mesmo com facão. Sabia que teríamos um trecho de pelo menos uma hora pela mata dos taquaruçus, passando agachados em alguns lances, passando por desvios em outros, até pegar uma larga e bonita trilha na mata, já na parte mais baixa do vale. Era vencer os taquaruçus e correr pro abraço, ou pro churrasco.

E lá eu fui batendo facão no trecho de transição entre a mata de cima e os taquaruçus, e subitamente cheguei num trecho bem aberto. Virei pra trás e disse “Opa, a trilha melhorou!”. Mas na verdade achei meio estranho, pois o trecho dos taquaruçus era todo fechado, sombrio. Que claridade era aquela? Caminhando mais um pouco, já na faixa dos 800m de altitude, a trilha simplesmente desapareceu debaixo do que parecia ser uma imensa parreira de chuchu vista de cima. Todos os taquaruçus tinham caído, derrubando tudo junto com exceção das árvores maiores. Passar por baixo era impossível, passar por cima extremamente penoso, e ai se perdia a referência da calha da trilha. E aquela trama de taquaruçus mortos se estendia por centenas de metros em todas as direções. Caiu a ficha... dali, só retornando.

Cheguei a fazer uma enquete: “-Pessoal, ou a gente volta ou abre esse caminho no peito”. A turma arregalou um olhão e disse em coro “-Abre no peito!” E eu que já tava batendo facão a seis horas... Chamei o Wanderley pra pensar comigo. Eram 13:00 horas. Tentamos mais um pouco encontrar a trilha em algumas direções, mas às 13:30 eu bati o martelo (até porque não agüentava mais bater facão). A única saída garantida da mata com luz do dia seria pra cima, voltando pra Petrópolis. A essa altura o churrasco já estava rolando pros poucos felizardos que foram de carro. E eu tentando passar um rádio pra Gisele, sem sucesso. Porcaria de rádio novo...

Todo mundo cansado e desanimado. Uma longa e penosa subida pela frente, o churrasco ficando pra trás e eu não conseguia avisar ninguém. Quase duas horas de subida e chegamos na Garganta das Três Torres. O Jair avisou “-Quebrou minha bicicleta”. Tava exausto! Consegui contato por celular e finalmente avisei que estávamos voltando, sem nenhuma previsão de chegada.

Um rápido lanche na Garganta e mais um toca-pra-cima cruel... Mata ficando escura, inventário de lanternas, grupo cansado... Às cinco da tarde chegamos no cume do Alto da Ventania, já com aquela coloração de fim de tarde. Tão bonito, mas tão bonito, que teve um efeito quase mágico no grupo. Todos, inclusive eu, estávamos felizes de estar ali novamente, depois de uma dura provação. Lanchamos tudo que restou e descemos de volta pro Caxambú, saindo da trilha exatamente na hora que escureceu. Paramos num boteco, tomamos umas cervejas e comemoramos uma caminhada daquelas especiais. Daquelas que nos torna mais amigos.

Mas eu ainda tinha um problemão pra resolver. Tinha que chegar na Pousada. A Gisele tava lá, meu carro tava lá, minhas coisas estavam lá e eu tinha reserva pra passar o final de semana lá... que enrascada...

Acabei indo pra casa, onde peguei a scooter da Gisele e toquei pra estrada. Consegui chegar na El Nagual por volta das dez da noite. Encontrei tudo arrumado, com balões, mesinhas, bolo intacto sobre a mesa. Por sorte ainda tinha uns gatos pingados comendo churrasco e tomando cerveja desde cedo e, junto com a turma da pousada, rolou até um “parabéns pra você”. O bolo era tão grande que foi servido no café da manhã da pousada em todos os dias do feriadão.

No dia seguinte, já do alto dos meus 40 anos, caminhei pelo vale até um ponto onde era possível ver a descida dos taquaruçús. Fiquei mais tranqüilo ao ter certeza de que acertamos na difícil decisão de voltar. Teríamos perdido um tempo precioso tentando transpor os taquaruçus, sem a menor chance de sucesso. Conversando com os locais, fiquei sabendo que os taquaruçus morrem todos a cada 100 anos, e como conseqüência desta morte nascem os brotos. E este raro fenômeno ocorreu justamente neste verão de 2009.

De toda essa experiência, uma certeza: Que dureza fazer 40 anos !!