sexta-feira, 23 de julho de 2010

O Belo e o Sublime...



Kant, nas Observações sobre o Belo e o Sublime, admite que as sensações de contentamento e desgosto repousam menos sobre a qualidade das coisas externas que as suscitam do que sobre o sentimento próprio de cada ser humano. Certo de que o homem só se sente feliz na medida em que satisfaz uma inclinação, Kant admite que há um sentimento de prazer no "homem acomodado, que ama a leitura dos livros porque o induz ao sono; no negociante, a quem todas as satisfações parecem triviais, exceto aquela de que goza um homem astuto quando calcula seus ganhos".

O belo...

Contudo, há um outro sentimento mais refinado que pode ser desfrutado mais demoradamente sem saciedade e extenuação, porque se refere a uma sensibilidade da alma. Ele não se refere às inclinações ligadas a visões elevadas do entendimento, como o enlevo de que Kepler era capaz. Ele nos fala de dois tipos de sentimento, que mesmo as almas mais comuns são capazes de sentir: o belo e o sublime. O sublime produz uma comoção agradável, porém ligada ao assombro; o belo é ligado ao alegre e jovial. Sombras isoladas num bosque sagrado são sublimes, tapetes de flores são belos. A noite é sublime, o dia é belo. Olhos verdes são belos, olhos negros são sublimes. O assombro que experimentamos frente às grandes tempestades e à profundeza de alguns precipícios nos dá uma idéia do sublime kantiano. Um sentimento de prazer misturado a qualquer coisa de terrível.

O sublime...

O sublime kantiano é o precursor da idéia de que a arte não é só o contemplar da harmonia, mas também o experimentar da sensação de assombro. "Et vos lueurs sont le reflet / de lenfer doù mon coeur se plaît" (E seus clarões são o reflexo do inferno que apraz ao meu coração).



Texto inspirador enviado pelo amigo e fotógrafo Flávio Varricchio.