terça-feira, 14 de abril de 2015

Um amanhecer nublado na Pedra da Tartaruga.


Teresópolis agora conta com um parque municipal muito bem estruturado. É o Parque Natural Municipal Montanhas de Teresópolis. Seu atrativo mais conhecido é a Pedra da Tartaruga. Faltava ir lá para conhecer...

Na Lua cheia de abril, pra variar, fui convocado pelo meu amigo Miguel Berredo para identificar algum bom local para assistir e fotografar o por e o nascer da lua. Pela manhã decidimos por um rápido bate-e-volta na Pedra da Lagoinha. O tempo estava bom e a Lua cheia ia se por ao lado do Pico do Tinguá. Fizemos nossas fotos e voltamos para casa.




Tínhamos planejando ir à tarde no Alto da Ventania para fotografar o nascer da lua. Num bate-papo via Facebook um amigo e ex-aluno, Bruno Cruz, mencionou subir a Pedra da Tartaruga em Teresópolis. Segundo seus cálculos, de lá seria possível ver a lua nascer por trás da formação de montanhas chamada Mulher de Pedra. Dei uma rápida conferida no The Photographers Ephemeris e confirmei. Era uma baita oportunidade, tanto de conhecer a montanha quanto de fazer uma bela foto da lua.

Mudamos os planos e fizemos um convite geral no Facebook. Tudo super corrido, mas no fim da tarde estávamos todos reunidos na entrada do Parque. Subimos pela fácil trilha e ficamos encantados com o que vimos - um parque público, gratuito e muito bem cuidado. Que grata surpresa!

O nascer da Lua cheia por trás do queixo da Mulher de Pedra foi espetacular...

(clique na imagem para ampliar)

Melhor do que a foto foi conhecer esse lugar, Uma montanha de fácil acesso, bem de frente para as montanhas dos Três Picos. Um ótimo lugar para fotografar o amanhecer. Tinha que voltar lá...

No final de semana seguinte eu avaliei no The Photographers Ephemeris que, a partir da Pedra da Tartaruga, eu poderia fotografar o sol nascendo sobre os Três Picos, mais precisamente sobre o Pico do Capacete.

(clique na imagem para ampliar)

Apesar da trilha ser fácil, o planejamento era puxado:

Nascer do sol: 6:00
Hora que eu queria chegar no cume: 5:00
Início da caminhada: 4:45
Saída de Petrópolis: 3:15
Acordar: 2:30  

Fazer o que? Fotografia de montanha não é para os preguiçosos...

Convidei alguns amigos e aceitaram o convite o Miguel Berredo e o Marcos Guimarães.

Seguimos o planejamento á risca e pouco antes das cinco da madruga estávamos com nossas lanternas na trilha da Pedra da Tartaruga. Rapidamente chegamos no cume e constatamos que o tempo estava bem fechado.

Nota: Em planejamentos anteriores eu costumava chegar por volta de meia hora antes do nascer do sol, mas de uns tempos para cá adotei chegar uma hora antes. A inspiração veio do texto abaixo, do livro "The Photographers Coach" do autor Robin Whalley:

"When in such wonderful locations it's all too easy to be overtaken by the need to take the photographs whilst the light and conditions are good. This can lead to feelings of urgency. This is not a good frame of mind from which to be shooting scenes of beauty and tranquility. A better approach would be to turn up at a location early and spend some time just enjoying the area and surveying the scene. I don't even mean surveying the scene to identify the best shooting position; I mean simply walking around to enjoy the moment whilst resisting the urge to take pictures. When you are ready to begin you will know it. You will also find a better understanding of the image you want to create and the emotion you want to convey."

No cume ficamos ali em silêncio, contemplando e tomando um café quentinho que eu tinha levado. Do ponto de vista fotográfico a saída parecia perdida, mas estar na montanha com os amigos é sempre bacana.


Mas a névoa começou a dissipar e a gente tirou o equipamento das mochilas para tentar alguma coisa. Tinha uma barraca bem fotogênica montada na borda do platô que rendeu boas fotos.


(Foto de Marcos Guimarães)

A gente via os raios de sol e sabia que ali atras estavam os Três Picos. Mas nessas horas tem que abandonar o planejamento e colher o que o dia oferece. Isso parece óbvio, mas nem sempre é fácil, principalmente se a gente chega em cima da hora. Felizmente aquele tempinho extra antes do dia clarear acabou sendo providencial para baixar a adrenalina e eliminar qualquer  expectativa. No finalzinho o vento começou a limpar a névoa e surgiram pequenas colinas que pareciam ilhas. 

(foto de Miguel Berredo)

(foto de Miguel Berredo)

Essas colinas envoltas em névoa me renderam uma foto que eu curti muito.

(clique na foto para ampliar)


Turma aberta para o Workshop de Fotografia de Montanha dos dias 16 e 17 de maio.


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